Dúvidas e Respostas: Reformas Sociais (agrária) no século XX

O Curso Sapientia acaba de lançar esta nova área no blog, chamada Dúvidas & Respostas. Selecionaremos e publicaremos dúvidas, e suas respectivas respostas, acerca dos assuntos relacionados ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (#CACD), como forma de apoio aos estudos, afinal, a dúvida do colega pode ser a sua também!

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Dúvida

Aluno Sapiente: Fiquei com uma dúvida na Aula 13 [de História Mundial do Curso Maratona I Etapa 2015]: A partir de quando a Reforma Agrária é feita no Japão? E na Europa? O contexto a que me refiro é a II GM. Aguardo suas explicações.

Resposta

Professor Luigi Bonafé*: Olá! Tudo bem? No Japão a Reforma Agrária mais importante, que é aquela a que eu me referi na aula 13 do Maratona, foi a ocorrida no imediato pós-guerra, como imposição da ocupação norte-americana.

Quanto à Europa, falar de Reforma Agrária significa pensar em algo bem diferente daquilo que passamos a considerar Reforma Agrária no século XX. A Revolução Francesa deu o exemplo e criou um modelo, predominante ao longo do século XIX, por meio do fim da servidão: as relações sociais no campo passaram por transformações tão grandes que podemos caracterizá-las como radicais. Na Europa Oriental e na Ásia, o exemplo demorou um pouco mais para ser seguido: a Rússia aboliu a servidão apenas na década de 1860 – e na década seguinte o próprio Japão, durante a Era Meiji, passou por algo que alguns consideram ter sido a sua “primeira reforma agrária”. Também é digno de nota o ocorrido nos EUA ao longo do século XIX, quando seguidas leis evitaram a difusão do latifúndio e estimularam a imigração e a “Marcha para o Oeste”.

No entanto, quando tratei desse tema durante a aula que motivou sua dúvida eu me referia a outros “modelos” de Reforma Agrária, implementados a partir do século XX. Nesse caso os “exemplos” pioneiros, associados a mudanças na estrutura da propriedade fundiária, foram o México e, principalmente, a Rússia bolchevique.

De um modo geral e genérico (bem esquemático, para ser honesto), na Europa Oriental houve reformas agrárias após a Revolução Russa e a Grande Guerra, principalmente a partir da década de 1930 e após a II Guerra Mundial. No pós-1945, foi a vez da Ásia: o Japão, a China comunista, a Coreia do Norte, Taiwan e a Coreia do Sul, dentre outros exemplos. Exceção feita à RPC e à Coreia do Norte, as outras três foram feitas por influência norte-americana, e as duas últimas foram motivadas principalmente pelo objetivo de conter o comunismo. Não podem ficar de fora da lista a Guatemala (governo Arbenz), Cuba (após a Revolução), a Nicarágua (após a Revolução Sandinista) e, também na Ásia, o Vietnã. Mas mesmo na Europa Ocidental ainda restavam alguns países ou/e regiões com estruturas fundiárias mais arcaicas após 1945, e que por isso passariam por reformas agrárias relativamente “tardias”: por exemplo, a Itália (principalmente no Sul) e Portugal (no processo da Revolução dos Cravos).

Em suma, se pensarmos especificamente no século XX, até a 2ª GM praticamente toda a Europa já tinha feito Reforma Agrária, embora a Rússia e a maior parte da Europa Oriental só tenham passado por mudanças radicais em suas estruturas fundiárias a partir do entreguerras. Após 1945 seria a vez de alguns países capitalistas da Ásia, de parte da Ásia sob influencia chinesa (direta ou indireta), de outros países comunistas da Europa Oriental e também de nações latino-americanas.


Luigi* O professor Luigi é especialista nas provas de História do Brasil e História Mundial do CACD. Graduou-se em História pela Universidade Federal Fluminense (2003), onde também obteve o título de Doutor em História Social (2008). Tem grande experiência na preparação de candidatos para o CACD. Além de seu trabalho como historiador do IBGE e de fazer parte de bancas examinadoras de grandes processos seletivos, o professor Luigi dedicou-se a desvendar as provas de História do concurso para ingresso na casa de Rio Branco. Em suas aulas, busca não apenas transmitir o conhecimento sobre História para os alunos, mas também orientá-los sobre como responder às provas do concurso, destrinchando as questões mais complexas.

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