CACD 2015: A prova de 1a fase de Política Internacional

Olá, futuros diplomatas!

O diplomata e professor Leonardo Rocha Bento* escreveu este post com o objetivo de comentar, em linhas gerais, a prova de Política Internacional, do CACD 2015, aplicada no último 02 de agosto.

Aproveitamos para deixar um convite: acompanhem as redes sociais do Curso Sapientia para verem os comentários de todos os nossos professores em relação à primeira fase do CACD. Imperdível!

CACD 2015: A prova de 1a fase de Política Internacional

A prova de Política Internacional da primeira fase do CACD 2015 trouxe algumas inovações, embora bem poucas surpresas. Ela inovou bastante ao deixar de fora três temas recorrentes de uma só vez: não houve espaço para Teoria de Relações Internacionais, para o MERCOSUL e para uma questão específica sobre História da Política Exterior Brasileira. Foram três apostas minhas que foram por água abaixo, mas, por mais que as bancas de primeira e de terceira fases sejam diferentes e que a ausência em uma etapa não signifique que o tema tenha sido deixado para a outra, continuo na expectativa de que o MERCOSUL esteja de algum modo na terceira fase, ou em política internacional ou em outra disciplina, como direito, como forma de atrair a lembrança para a Presidência Pro Tempore Brasileira recém-encerrada.

Em sua maioria, as questões trouxeram diversos temas multilaterais que eram quentes para o momento: a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, as mudanças climáticas e a COP 21, os resultados da Cúpula dos BRICS em Fortaleza, o direito à privacidade na era digital e o contexto geopolítico do Oriente Médio. Compreendo as reclamações a respeito da questão sobre Oriente Médio e reconheço que o grau de detalhamento pedido, principalmente no que diz respeito à Irmandade Muçulmana, não foi usual. A UNASUL está sempre entre os temas bastante cotados, com perguntas sempre exigindo um grau de conhecimento muito parecido com as exigências de anos anteriores. Direitos humanos não era um tema que trazia muitas novidades, mas que foi cobrado, felizmente sem nenhuma “pegadinha” que pudesse atrapalhar. A única surpresa na parte “multilateral” do TPS foi a presença de uma pergunta inteira sobre o Contencioso do Algodão, ainda que o aluno mais atento e preparado tenha conseguido encará-la com certa tranquilidade. Para a terceira fase, alguns temas ausentes, como os 70 Anos da ONU, os mega-acordos regionais, a crise e o sistema financeiro internacional e os objetivos de desenvolvimento sustentável seguem cotados, ao lado de temas que já apareceram este ano, como as mudanças climáticas, o BRICS e o contexto do Oriente Médio.

Se História da Política Exterior Brasileira e Teoria de Relações Internacionais não foram cobradas na prova, esse espaço foi preenchido por mais questões a respeito dos relacionamentos bilaterais do Brasil com parceiros tradicionais. China, Índia, França e Japão, que foram cobrados em outros anos, não apareceram, mas Argentina, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido e Alemanha, além da União Europeia, figuraram no TPS. Por conta disso, não se pode afirmar que houve alguma surpresa para além da ampliação da importância dos temas “bilaterais” na prova, refletida em número de questões. Elas evidenciaram dois aspectos que costumo comentar com os alunos do Sapientia: é preciso conhecer, em linhas gerais, as tendências de comércio e a composição da pauta dessas relações, porque geralmente há um item que abrange esse assunto; e é importante entender o panorama das relações políticas e conhecer as principais iniciativas e posições de política externa desses parceiros, porque isso ajudará no processo de tomada de decisão quando aparecem itens que cobram aspectos bastante específicos do relacionamento bilateral e da política exterior dos demais países. Para a terceira fase, no que tange a essa parte “bilateral”, novamente é necessário priorizar os relacionamentos-chave em suas múltiplas dimensões.

O gabarito preliminar ainda não foi divulgado, mas já vislumbro algumas imprecisões que poderão gerar discussões, tanto em termos de informações incorretas ou imprecisas que podem ser consideradas corretas pela banca, quanto em termos de informações incompletas ou escolhas lexicais infelizes que podem ter levado candidatos ao erro. Há itens, por exemplo, nas questões sobre União Europeia, Reino Unido, Mudanças Climáticas e Oriente Médio, que podem incorrer no problema sobremencionado. A diferença fundamental entre discurso oficial da diplomacia brasileira e outros discursos, como aqueles veiculados pela imprensa ou o senso comum, também podem complicar a avaliação de alguns itens. Por fim, lembro que a argumentação de que determinados itens extrapolaram o edital, o que, realmente, não raro acontece, costuma não ter efetividade em termos de alteração ou de anulação de gabarito, embora continue sendo válida.


Leonardo_Rocha Aprovado no CACD 2013, após ter obtido a maior nota na primeira fase do concurso daquele ano, Leonardo assumiu o desafio de ministrar aulas de Política Internacional. Em aulas dinâmicas, em ritmo ágil e focadas na transmissão tanto de bastante conteúdo quanto de técnicas de resolução de questões, alia seu estudo contínuo dos temas da matéria, a experiência que tem adquirido no Itamaraty e dicas valiosas de quem soube desmitificar a prova do TPS. É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (2009).

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