OfChan 2016: comentários sobre a prova de Português

Dando continuidade aos nossos comentários à prova para Oficial de Chancelaria, a professora Claudia Simionato expressa sua opinião sobre as questões mais polêmicas da prova de Língua Portuguesa. As questões estão numeradas de acordo com a prova Tipo 1 – Branca.

Lembrete! Os recursos devem ser interpostos até as 23 horas e 59 minutos do dia 3 de Fevereiro (quarta-feira). Você encontra o link para a página de recursos aqui.

 

Questão 1

(O   texto   1,   retirado   da   orelha   do   livro   indicado,   tem   como finalidade destacar qualidades da obra a que alude; NÃO é uma dessas qualidades o seguinte tópico)

O gabarito da questão 1 é E. Não há nenhum problema com esse gabarito, pois, de fato, não é uma FINALIDADE do texto destacar a inclusão de informações históricas estrangeiras. Não é porque o texto faz menção à Inquisição ou a Portugal que esta seja a finalidade do trecho colocado. A letra E está correta.

 Poderia, no entanto, haver um problema nessa questão, seguindo esse raciocínio de atentarem-se ao enunciado, na letra D, que afirma que o trecho ressalta a qualidade de testemunhos autorizados. Essa qualidade posta como destaque tampouco aparece claramente no texto – aparece apenas na presença das aspas em certos termos ao longo do texto. É possível, assim, inferir a presença do conteúdo da letra D no texto pela intertextualidade, evidenciada nas aspas, somada ao fato da informação no início do texto de que o livro se vale de documentação original. Nesse sentido, aliás, o que pensei ao ver as alternativas é que, se a D fosse correta, haveria um problema, pois, em termos lógicos, ela se assemelha à letra A. Se a D fosse correta, a A também seria, pois marcas de testemunhos históricos só podem estar presentes em documentos oficiais. A escolha pela letra E, então, para os que ficaram na dúvida entre D e E, sustenta-se principalmente pelo favor de a prova ser múltipla escolha, e não certo ou errado.

 

Questão 5

(O “Brasil real”, segundo o texto 1, foi)

Letra A. Não há problemas com o gabarito. A ideia de brutalidade na formação do “Brasil real” – em oposição a um discurso – é a tese central do trecho colocado, afirmada no primeiro parágrafo e sustentada com exemplos na progressão.

 

Questão 7

(O segundo parágrafo do texto 1 alude a vários fatos negativos na nossa história; o item abaixo em que NÃO se alude a um desses fatos é)

A questão 7 apresenta problemas. De fato, o conteúdo dos itens das letras A, B, C e D aparecem no texto, mas o da letra E também. Aqui o enunciado apenas pede a alusão às informações dadas, e essas informações aparecem.

Pensei se a justificativa do gabarito seria pela má descrição da informação do confronto de culturas e a erradicação dos índios, sintetizada como “dificuldade de entendimento de uma língua indecifrável”. O ponto negativo principal posto ali não é o fato de a língua ser difícil segundo o olhar do colonizador (porque evidente que não há línguas indecifráveis), mas a não tolerância ao diferente, que foi usada como sustentáculo de erradicação de outra cultura. Isso se infere pela descrição do “decifrador” como um padre gago, ou seja, alguém que já apresenta dificuldades para a comunicação, mas ainda assim é o outro que é erradicado. Uma língua “indecifrável” assim como um povo “indecifrável” do ponto de vista catequizador. Ou seja, a resposta como “dificuldade com uma língua indecifrável” seria uma redução equivocada da informação dada, com problemas até no uso do adjetivo posto assim.

De qualquer forma, é preciso ir muito longe para se marcar essa alternativa. Caberia recurso.

 

Questão 8

(Catequizar/catequese mostra grafias diferentes para o verbo e o substantivo cognato, o que só NÃO ocorre em)

Deveria ser anulada. O gabarito da questão 8 é letra C, e está correta. Cassação não é cognata (palavra que apresenta a mesma raiz) de caçar. Cassação vem de “cassar”

 

1 ( t.d.bit. ) [prep.: a] jur pol impedir que produza efeitos; anular, revogar (direitos políticos, mandatos, licenças etc.)

‹ a junta militar cassou o deputado › ‹ a prefeitura cassou-lhe a licença ›

O problema é que obcecar e obsessão tampouco são palavras cognatas. Vejam o Houaiss:

 Obcecar:

Etimologia

lat. obcaeco ou occaeco,as,āvi,ātum,āre ‘cegar, fazer cego, causar cegueira; cegar (o espírito), tornar escuro, escurecer, perturbar’; ver cec(i/o)-; f.hist. 1813 obcecádo, 1831 obcecár, 1836 obcecar

Obsessão:

Etimologia

lat. obsessĭo,ōnis ‘ação de sitiar; assédio, cerco, bloqueio’; ver sed(i)-

As palavras têm origens diversas, embora ambas provenientes do latim. Daí a grafia diferente. Podem pedir a anulação do item.

 

Questão 13

(A preposição DE mostra diferentes valores semânticos em língua portuguesa;   indique   a   opção   em   que   esse  valor   é   indicado incorretamente)

Letra C – correta. Pena é meio ou instrumento, assim como a letra B, não modo. “De pano” não é o modo como eu enrolo, mas o objeto que eu USO para enrolar. Objeto é instrumento.

 

 

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