Relembre a trajetória de Luiz Felipe Lampreia no MRE

Na terça, dia 02 de fevereiro, o Sapientia recebeu com pesar a notícia do falecimento do Embaixador Luiz Felipe Lampreia, que foi ministro das Relações Exteriores entre 1995 e 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Em maio de 2013, ele foi entrevistado pela Revista Sapientia, no qual fez um balanço do período de sua Chancelaria.

Na entrevista são destacados principalmente três pontos: a adesão do Brasil a tratados internacionais; a integração regional e o investimento nas relações com parceiros tradicionais.

“Creio que o principal legado (do governo FHC) seja o da inclusão do Brasil no meio central da Política Internacional. O Brasil havia acumulado, ao longo dos anos, exclusões em alguns setores, pois não havia grande necessidade de adesão a determinados tratados ou acordos internacionais. Isso era particularmente claro na esfera militar. Nós apresentávamos ambiguidade em matéria de mísseis, tínhamos um programa de foguete que podia ser civil ou militar. O mesmo ocorria em relação à energia nuclear. O propósito, desde o primeiro momento do governo, foi eliminar essas ambiguidades (…). Dessa forma, aderimos ao regime de controle de mísseis e, gradualmente, a todos os acordos de não proliferação, incluindo o próprio Tratado de Não Proliferação (TNP). Para mim, esse é um ponto capital na nossa política externa naquele momento. O segundo ponto foi a integração. O Brasil fez um grande esforço para promover a integração sul-americana, primeiramente por meio do Mercosul, que estava praticamente em sua infância no governo Fernando Henrique. Foi grande o esforço para a inclusão de outros países no Mercosul, da forma como fosse possível. A terceira ênfase foi o estabelecimento das melhores relações possíveis com os nossos grandes parceiros internacionais, ou seja, com os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Alemanha, o Japão, a China, entre outros. Evidentemente, a busca de boas relações com esses Estados não quer dizer que nós fôssemos concordar com eles em todos os assuntos, mas sim procurar fazer que a relação bilateral fosse a mais dinâmica possível. Havia outros pontos, mas estes são os principais.”

 

lampreia 2

Lampreia foi também Secretário-Geral do Itamaraty, Subsecretário de Assuntos Políticos Bilaterais, Representante Permanente do Brasil junto a Organismos Internacionais em Genebra, Embaixador em Lisboa e em Paramaribo e Porta-Voz do Ministério.

Após o encerramento do ciclo do MRE, escrevia para o jornal O Globo e participava ativamente de discussões sobre a política externa brasileira em think tanks, na imprensa e em entidades como o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

 

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