Os 200 anos da morte de D. Maria I

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Maria I retratada por Giuseppe Troni

O dia 20 de março de 2016 marcou o bicentenário da morte de D. Maria I (1734-1816), mais conhecida por aqui como “Maria, a Louca”, devido a uma enfermidade mental.

O reinado de D. Maria I coincide com momentos importantes da história do Brasil colonial. Ela assume o poder em um momento de colapso da atividade mineradora em Minas Gerais, com grandes impactos no jogo de forças da Colônia.

Desde o fim do reinado de Dom João V, as minas davam sinais de exaustão. Mas no reinado seguinte, o pai de Maria, Dom José I, e o Marquês de Pombal obtém algum êxito na abertura de novas frentes de exploração.

A monarca também enfrenta desafios com outros Estados, como a Espanha, em relação à demarcação de limites de território no sul do Brasil, e com a Inglaterra e suas colônias americanas.

A Viradeira

José I morre em 1777, deixando o trono para a sua primogênita, Maria. Tão logo ascende ao poder, a monarca demite o Marquês de Pombal e começa a reverter algumas medidas reformistas do antigo secretário de Estado tanto no Brasil quanto em Portugal.

A guinada anti-iluminista do período mariano, conhecida como “A Viradeira”, trouxe problemas para Maria I com as elites locais brasileiras, impulsionando tentativas de levantes de colonos contra reinóis, dentre os quais o mais conhecido é a Inconfidência Mineira, de 1789.

Os conflitos com a Espanha e com a Inglaterra

No plano internacional, Maria I teve de lidar, logo no início do seu reinado, com duas grandes questões: o conflito entre Portugal e Espanha pela demarcação de limites no sul do Brasil; e a guerra entre Inglaterra e suas colônias americanas.

Na tentativa de resolver o conflito com a Espanha, assina o Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, que resgatava diversos limites estabelecidos no Tratado de Madri, de 1750, porém cedia ao rei espanhol Carlos III o território de Sete Povos e a Colônia do Sacramento.

Em relação ao conflito envolvendo a Inglaterra, D. Maria I recorre à Rússia para garantir a continuidade de seu comércio com as colônias americanas, aceitando, em 1782, a proposta russa para participar na Liga dos Neutros, a qual garantiria a liberdade de comércio e de defesa dos países neutros no comércio marítimo (princípio de “neutralidade armada”).

Maria I em Portugal

Conhecida por ser profundamente religiosa e chamada, em Portugal, de “Maria, a Piedosa”, a monarca também teve grande impacto nas políticas sociais portuguesas. Em sua tentativa de moralizar a vida pública, D. Maria I perdoou criminosos do Estados que lhe parecessem dignos, concedeu asilo a aristocratas franceses fugidos da Revolução Francesa e incentivou a cultura e as ciências ao criar numerosas instituições, como Real Academia das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública de Lisboa.

Vida e morte

Apesar da ativa vida política, o reinado efetivo de D. Maria I não dura muitos anos. Em 1792, devido à sua instabilidade mental, a monarca aceita que seu filho, D. João, assuma o controle das obrigações reais.

A doença mental da rainha é atribuída aos diversos traumas vividos, em especial a morte do marido e de seis dos sete filhos que teve, incluindo o primogênito e príncipe herdeiro, José Duque de Bragança. Em 1799, visto que o quadro de D. Maria I não melhorava, D. João assume como Príncipe Regente.

Maria I vem para o Brasil junto com a família real portuguesa em 1808 e aqui vive até sua morte, em 1816. Com o retorno da Corte à Portugal, em 1821, seu corpo é translado para o país e sepultado na Basílica da Estrela, em Lisboa, erguida por ordem da própria Maria I.

 

 

 

 

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