Desafios da produção de energia nuclear

A postagem de hoje apresenta um novo argumento para compreender a questão da energia nuclear no mundo. Para além das perspectivas tradicionais já estudadas na preparação do cacdista – a evolução da tecnologia nuclear; o regime internacional de segurança nuclear ; prós e contras dessa tecnologia; a questão dos resíduos; etc –, queremos apresentar o tema da perspectiva do setor comercial nuclear e as principais dificuldades para sua expansão. Quanto mais argumentos você tiver, melhor você se saíra no certame, principalmente na 3a fase!

Usinas nucleares representam atualmente 12% da eletricidade produzida mundialmente a partir de 439 plantas em operação. Hoje, há 67 novas usinas em construção em diversos países, o que pode adicionar até 18% na capacidade elétrica já existente. Ainda assim, o mercado de geração de energia nuclear enfrenta dificuldades significativas para sua expansão, entre elas a baixa aceitação pública e os altos custos de construção.

nuclear

Campanha doe 2011 do Greenpeace pelo fim de Angra 3 

Isoladamente, a baixa aceitação pública da energia nuclear não constitui impeditivo para a construção de usinas, como pode ser atestado pelo número de usinas em construção e pelas 42 que foram postas em funcionamento nos últimos 10 anos. Porém, o custo de construção de usinas é diretamente afetado pela aceitação pública. Havendo desconfiança da população em relação à energia nuclear, dificulta-se a capacidade de padronizar internacionalmente a regulamentação e a cadeia de fornecimento global, o que obstrui o planejamento e financiamento facilitado dessas iniciativas.

As desconfianças do público em relação à energia nuclear envolvem não só o contexto em que ela foi “descoberta”, a partir de pesquisas de fundo militar, mas também temores relativos às consequências da tecnologia em si, em especial a radiação. O setor comercial nuclear ainda não se recuperou de ter sua origem ligada ao desenvolvimento da bomba atômica, consolidando o medo dos setores civis em relação à fissão nuclear. Acidentes nucleares, apesar de serem incomuns (somente três ocorreram), também ampliam as suspeitas do público em relação a plantas nucleares pelas possíveis consequências para a saúde humana. O foco da atenção pública somente nos acidentes nucleares e não em procedimentos comuns da produção de energia nuclear auxilia a percepção negativa da indústria.

As diferenças de percepções sobre energia nuclear entre Ocidente e Oriente são nítidas, já que cerca de 3/4 das novas usinas em construção serão instaladas em território asiático, em particular, China, Rússia e Índia. Uma das razões apontadas para essa grande diferença de estratégia entre os hemisférios é o custo de novas construções. Apesar de usinas de energia nuclear serem consideradas como tendo baixo custo de operação, o custo de instalação desses locais é alto e seu planejamento, de longo prazo. Além disso, longos atrasos e despesas não-orçadas inicialmente foram fatores recorrentes no histórico da indústria de energia nuclear (vide o exemplo da usina Angra 3), o que dificuldade a captação de financiamento, componente fundamental na grande maioria das iniciativas.

 

Fontes:

Geração elétrica nuclear: competitividade e aceitação pública

Modelo de negócios para novas usinas nucleares

 

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