A política externa de José Serra

O novo Ministro das Relações Exteriores, José Serra, anunciou ontem, durante cerimônia de transmissão do cargo, as 10 diretrizes que vão permear a “nova política externa” do Brasil.

Abaixo o blog Sapi faz um resumo dos 10 pontos anunciados, mas sugere que o candidato tenha muito cuidado ao tratar essa temática em uma eventual questão. Embora o novo Chanceler seja enfático na predicação de alguns pontos da política externa do período que o antecedeu, a sua visão não necessariamente coincide com a forma como a PEB dos governos Dilma Rousseff e Lula se autodenominava ou como a banca tradicionalmente enxerga essas políticas.

As 10 diretrizes de José Serra:

 

  1. A diplomacia voltará a refletir os interesses de Estado, e não mais uma ideologia, um partido e um governo.  Não haverá ruptura das boas tradições do MRE, apenas um uso melhor desses preceitos;
  2. Atenção à defesa da democracia, das liberdades e dos direitos humanos em qualquer país e em qualquer regime político;
  3. O Brasil assumirá a especial responsabilidade que lhe cabe em matéria ambiental. Terá um papel ativo e pioneiro nas negociações sobre as mudanças do clima e desenvolvimento sustentável;
  4. Ação construtiva em favor de soluções pacíficas de controvérsias para conflitos internacionais;
  5. O Brasil passa a se concentrar mais nas negociações bilaterais de comércio em vez de aderir de forma exclusiva e paralisadora às negociações multilaterais na OMC;
  6. Aposta em um acelerado processo de negociações comerciais pra abrir mercados para nossas exportações e criar empregos, utilizando como moeda de troca a vantagem do acesso ao nosso grande mercado interno;
  7. Priorização da parceira com a Argentina, com a qual passamos a compartilhar referências semelhantes. Juntos com os demais parceiros do Mercosul, precisamos renovar o bloco para fortalecê-lo. Desejo de aproximação do Mercosul à Aliança do Pacífico. Destaque à importância dada ao México, dado o enorme potencial de complementaridade com a nossa economia;
  8.  Ampliação do intercâmbio com parceiros tradicionais como Europa, EUA e Japão. Troca de ofertas entre Mercosul e UE será o ponto de partida. Com os EUA, busca da remoção de barreiras não tarifarias e de regulação;
  9. Os países do Sul continuarão a ser uma diretriz essencial da diplomacia brasileira, mas com a estratégia Sul-Sul correta. Será prioritária a relação com parceiros novos da Ásia, em particular China e Índia. A atualização do intercâmbio com a África passará pela diminuição do enfoque aos laços fraternos do passado e a correspondências culturais, e pelo aumento do efetivo intercâmbio econômico, tecnológico e de investimentos.  Com o BRICS, vamos acelerar intercâmbios comerciais, investimentos e compartilhamentos de experiências;
  10. Nas políticas de comércio exterior, a boa análise econômica apoiada em consulta com setores produtivos será regra. Acordos de livre comércio não resultam em aumento automático das exportações. Ênfase na redução do Custo Brasil e na ampliação da infraestrutura por meio de parcerias  com o setor privado nacional e internacional.

Serra falou também sobre a necessidade de cooperação para a proteção das fronteiras e para o combate ao crime organizado, e prometeu fortalecer o MRE.

Ouça abaixo o discurso do novo Chanceler na íntegra:

 

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