Relatório da ACNUR: Tendências Globais 2015

A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) publicou, na última segunda-feira (20), o relatório Tendências Globais 2015 sobre deslocamentos forçados de pessoas ao redor do mundo. Como já é tradição, o relatório é divulgado em meio às celebrações do Dia Mundial dos Refugiados e contou com dados fornecidos tanto por governos locais, quanto por parceiros e pela própria ACNUR. Como mobilidade internacional é um tema recorrente no CACD, o blog Sapi fez um pequeno resumo de algumas informações fundamentais presentes no relatório deste ano.

Os dados relativos a 2015 demonstram que o deslocamento forçado no mundo continuou crescendo no último ano, chegando a 65.3 milhões, um aumento de quase 10% em relação a 2014 (59.5 milhões). Isso significa que 1 em cada 113 pessoas no mundo faz parte do contingente de migrantes forçados, novo recorde para os dados da ACNUR. Apesar disso, percebe-se uma leve redução no ritmo do crescimento de novos deslocados: em 2014 (no seu auge), foram aproximadamente 30 novos migrantes por minuto; em 2015, esse número caiu para 24, apesar de manter-se superior aos outros anos registrados pela agência.

Mais de 60% do total de deslocados (cerca de 40.8 milhões) são internos, ou seja, não ultrapassaram as fronteiras de seus países, e mais da metade do total são menores de 18 anos. Os maiores emissores de refugiados continuam sendo a Síria, o Afeganistão e a Somália que, juntos, respondem por aproximadamente 54% do total de refugiados no mundo. A Síria continua apresentando crescimento anual expressivo no número de refugiados, diferentemente dos outros dois países, que mostraram pequena variação no último ano.

Entre os países receptores, o panorama também manteve-se estável em relação a 2014, com Turquia, Paquistão e Líbano sendo os maiores receptores dessa população – o que reforça a importância do fator distância para migrações internacionais forçadas. Os maiores recebedores de refugiados continuam sendo países de baixo e médio desenvolvimento, o que gera preocupações relativas às capacidades econômicas desses Estados em receber essa população adequadamente.

Algumas das principais mudanças apresentadas no relatório dizem respeito ao número de deslocados internos no ano de 2015. A Colômbia voltou a ocupar a primeira posição do ranking, tendo o maior número de deslocados internos (6.9 milhões) e ultrapassando a Síria (6.6 milhões), cuja redução é creditada aos migrantes terem deixado o país por causa da guerra civil, e não por terem retornado a seus locais de origem. Mas o grande marco do ano foi o caso do Iêmen. Por causa da severa intensificação do conflito no país, o número de deslocados internos passou de aproximadamente 330 mil no início de 2015 para 2.5 milhões ao fim do ano, atingindo cerca de 10% da população do país. Iêmen representou o maior crescimento em número de novos deslocados internos no período, seguido, de longe, por Iraque (808 mil) e Ucrânia (800 mil).

Fica a dica!

Além da leitura do Relatório UNHCR Global Trends 2015, sugerimos também que os candidatos vejam os principais dados relativos aos refugiados presentes no Brasil, resumidos no Sistema de Refúgio brasileiro (CONARE), pois o tema tem grande relevância para o país também. Apesar de legislação abrangente no tema, o Brasil foi considerado pela ONU como um país pouco receptivo a refugiados. A conclusão foi baseada na baixa proporção de refugiados em relação à população total e à economia brasileira. Além disso, recentemente, o governo brasileiro decidiu suspender negociações com a União Europeia para a vinda de refugiados sírios, proposta feita ainda no início do ano. Ou seja, a questão dos refugiados continua central para a política internacional e para o CACD!

 

 

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