De novo? O bicentenário da Argentina

No dia 09 de julho de 2016 celebra-se o Bicentenário da Independência Argentina. Mas peraí! Os 200 anos do país vizinho já não tinham sido comemorados em 2010?!? 200 anos de novo?!?

Se você se prepara para o CACD há algum tempo, essa “confusão” não é surpresa. O processo de independência e formação do Estado Argentino foi longo e com diversas datas marcantes. Aproveitando essa data, o blog Sapi fez uma pequena revisão das datas fundamentais da história do principal vizinho brasileiro.

Em 2010, a Argentina celebrou os 200 anos da Revolução de Maio, movimento da elite da província de Buenos Aires contra o governo espanhol, no contexto das invasões napoleônicas. A rebelião portenha era contra o governo do francês José Bonaparte, colocado no trono espanhol por seu irmão, Napoleão, em 1808. Por não aceitar o novo monarca, Buenos Aires declara, em 25 de maio de 1810, a formação da Primeira Junta, instaurando um governo local que jurava fidelidade ao monarca deposto, Fernando VII, e buscava maior autonomia frente a metrópole. É considerado o início da independência Argentina frente a Espanha.

Após a revolução em Buenos Aires, líderes portenhos buscaram estimular movimentos similares em outras partes do Vice-Reino do Prata para manter sua integridade, mas encontram resistência de diversas regiões, como Alto Peru (atual Bolívia) e Paraguai, que não desejavam, inicialmente, romper com a regência espanhola. Em 1813, Buenos Aires convoca uma Assembleia Constituinte para tentar alavancar esse processo e institucionalizar o governo das Províncias Unidas, mas a iniciativa fracassa. Diversas províncias do Vice-Reino do Prata não aceitam a liderança buenairense na Assembleia do Ano 13 e o projeto independentista é adiado.

Em 1816, foi convocado novo congresso para pensar a independência das Províncias Unidas: o Congresso de Tucumán. A retomada da iniciativa foi planejada após novo ímpeto revolucionário ter ganhado força na América Espanhola com a recusa de Fernando VII, em 1814, em jurar a Constituição Liberal de Cádiz, de 1812. O Congresso de Tucumán foi o responsável pela real independência das Províncias Unidas frente a Espanha, com a Declaração de Independência das Províncias Unidas da América do Sul sendo proclamada no dia 9 de julho de 1816, a qual afirmava o fim dos vínculos políticos com a monarquia espanhola e rejeitava qualquer dominação estrangeira. É essa data histórica os argentinos vão comemorar esse ano, com diversos eventos em todo o país.

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Mas a proclamação da independência não foi o suficiente para assegurar a consolidação do novo Estado. A busca por protagonismo das elites portenhas nesse processo dificultava a concretização da unidade territorial, pois afastava as outras províncias, que não queriam se submeter ao centralismo buenairense. O embate entre essas forças (unitaristas e federalistas) vai dominar as próximas décadas da história das Províncias Unidas.

Com a ascensão de Rosas, federalista, ao governo de Buenos Aires, em 1828, há a aparência de unificação do território, já que ele consegue cooptar lideranças de outras províncias e reger, ao menos externamente, as relações da Confederação Argentina (nome adotado a partir de 1835). Mas a atuação de Rosas não foi unânime e federalistas dissidentes, liderados pelo General Urquiza, mobilizam-se para retirar Rosas do poder. Com a derrota de Rosas na Batalha de Monte Caseros, em 1852, Urquiza torna-se líder do governo provisório responsável pela promulgação da Constituição Argentina de 1853, primeira a reger a maior parte do país – mas não todo, já que a província de Buenos Aires se recusa a participar do novo governo, declarando-se independente. Ou seja, ainda não há unidade territorial.

A consolidação do território argentino só ocorre com a Reunificação Argentina, em 1862. Apesar de tentativas de mediação para resolver a cisão entre Confederação Argentina e Buenos Aires, a solução real acaba vindo por meio da força. Urquiza e seus aliados federalistas acabam derrotas pelo unitarista Bartolomeu Mitre, governador de Buenos Aires, na Batalha de Pavón, de 1861. Com a derrota, Mitre e os unitaristas liberais ascendem ao poder central argentino, unificando (finalmente) o país.

Ou seja, os argentinos ainda terão muitas datas para comemorar nos próximos anos. Quer saber mais sobre os 200 anos da Argentina e a relação do país com o Brasil? Confira o 3 Perguntas sobre esse tema com o professor Filipe Figueiredo na TV Sapientia.

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Um comentário sobre “De novo? O bicentenário da Argentina

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