Visita à sede das Nações Unidas em Nova York

 

 

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Fotos: Maitê M. Rabelo

Por Maitê Marchandt Rabelo

 

Um dos postos mais desejados pelos aspirantes à carreira diplomática é a missão do Brasil na sede das Nações Unidas em Nova York. Mas mesmo quem ainda não alcançou a sonhada aprovação no CACD (e a disputada remoção) pode conhecer o interior da ONU por meio das visitas guiadas oferecidas pela organização. Além de conhecer o interior do prédio (e locais históricos como o Conselho de Segurança), os visitantes são informados sobre diversos assuntos relacionados à ONU, desde a sua criação e a construção da sede até o seu funcionamento institucional. Um passeio interessante e motivador para o cacdista que tiver a oportunidade.

760 United Nations Plaza, Manhattan, New York City

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UN Photo

A escolha de Nova York como sede das Nações Unidas ocorreu na primeira sessão da Assembleia Geral, em 1946, ocorrida em Londres, após convite do Congresso americano para que a recém-criada instituição se instalasse no país. O local onde a sede foi construída foi doado pelo empresário norte-americano John D. Rockefeller e um grupo de 11 arquitetos renomados internacionalmente foram convidados a colaborar na criação de um projeto para a organização. O projeto do brasileiro Oscar Niemeyer foi o selecionado, porém seu desenho original acabou sendo alterado em debates posteriores. A construção foi iniciada em 1949 e os prédios originais ficaram prontos em 1952.
OBS: O documentário “Workshop for Peace”, comissionado pela ONU, trata com detalhes o processo de construção da sede e os debates entre os arquitetos envolvidos.

 

 

 

Bandeiras, jardins e arteimg_6420

 

Na faixada da sede estão expostas, em ordem alfabética, todas as bandeiras dos 193 Estados-membros, que são hasteadas diariamente e retiradas no fim do dia.

O jardim externo da entrada de visitantes expõe diversas obras de arte com temáticas relativas ao trabalho da organização como paz, segurança e concertação internacional. A escultura do italiano Arnaldo Pomodoro, “Sfera con Sfera” demonstra a fragilidade e complexidade do mundo, enquanto a escultura “Non-Violence”, do sueco Carl Fredrik Reuterswärd, conclama pela paz e prevenção da violência.

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IMG_6433.JPGUma das obras mais recentes é a chamada “Arca do Retorno”, inaugurada em 2015 e que presta homenagem às vítimas da escravidão e do tráfico transatlântico. Confeccionada em mármore pelo arquiteto americano Rodney Leon, a escultura é feita de forma a levar o visitante a atravessá-la, passando por três elementos: “Reconhecer da tragédia”, “Considerar o legado” e “Para não esquecer.”

Conference building

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UN Photo

A decoração interna dos prédios da ONU é repleta de belas obras de arte, porém o mural do pintor espanhol Jose Vela Zanetti ganha destaque no prédio central (chamado Conference building). Com mais de 18 metros de comprimento, a obra “Mankind’s struggle for lasting Peace” mostra a busca da humanidade por paz, passando por momentos de destruição e chegando até a esperança, tendo, no centro, um homem montando o símbolo da ONU, necessário para esse trajeto.

 

fullsizerender-2A decoração da sala do Conselho de Segurança foi um presente da Noruega e desenvolvida pelo arquiteto Arnstein Arneberg. A intenção do autor era que o resultado final fosse uma decoração que resistisse ao passar dos anos, mas que também transmitisse segurança e claridade. Além da icônica mesa em formato de ferradura, chama a atenção a grande pintura uma fênix saindo das cinzas ao fundo da sala, obra do norueguês Per Lasson Krohg que retrata o ressurgimento da ordem internacional após a Segunda Guerra Mundial (tema comum de diversas obras expostas).

IMG_6463.JPGOutra sala presente nesse prédio é a sala do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), projetada pelo sueco Sven Gottfried Markelius e um presente de seu país de origem. A principal característica da decoração desse ambiente é o teto – ele está inacabado. A intenção ao deixar parte do teto da sala exposta é demonstrar que, assim como o teto, o trabalho do ECOSOC ainda está por ser concluído, ou seja, a promoção de desenvolvimento econômico e social no mundo.

img_6461Apesar do Conselho de Tutela ter suspendido suas operações em 1994, após a independência do último território sob tutela da ONU, a sala ainda é utilizada para reuniões diversas. Projetada pelo arquiteto dinamarquês Finn Juhl, a marca desse espaço é uma estátua de Henrik Starcke, também da Dinamarca, que simboliza a humanidade e a esperança, ponto central para aqueles que trabalharam por anos com a descolonização.

Assembleia Geral

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UN Photo

A entrada do prédio da Assembleia Geral da ONU tem a marca do Brasil: os painéis “Guerra e Paz’ , de Cândido Portinari, decoram a entrada dos delegados e representantes. Encomendados pelo governo brasileiro em 1952, os painéis de 14 x 10 metros iriam ser pintados já em Nova York, mas, devido à saúde do pintor, foi concluída no Brasil e levada para a ONU em 1956. A disposição dos dois painéis é proposital: “Guerra” está colocado de forma a ser visto pelos delegados ao entrarem na Assembleia Geral e “Paz” na saída, indicando que naquele local eles devem tratar os conflitos existentes, mas devem buscar sair com a paz e o entendimento.

Antes de chegar ao salão da Assembleia Geral, os visitantes passam por uma exibição sobre desarmamento. Nesse corredor encontram-se restos das explosões nucleares em Hiroshima e Nagasaki, além de informações sobre o armamento mundial. Um painel contabiliza o gasto militar mundial diário e o número é impressionante para um tempo considerado “de paz”.

 

O salão da Assembleia Geral é um dos mais reconhecidos pelos interessados em diplomacia (se não o mais reconhecido), mas não deixa de ser impressionante quando visto de perto.  A Assembleia Geral é a maior sala de todo o complexo, medindo aproximadamente 50 metros de comprimento por 35 de largura, sendo ornada no teto por uma cúpula rasa iluminada à 23 metros de altura. O tamanho é necessário: cada delegação dos 193 Estados-membros tem direto a seis lugares na Assembleia Geral. Além deles, outras organizações internacionais e agência especializadas da ONU tem assentos reservados, além dos Estados-observadores.

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UN Photo

O passeio pela sede da ONU em Nova York é uma experiência enriquecedora tanto para internacionalistas quanto para o público em geral, pois apresenta a história e a importância dessa organização nascida de um dos períodos mais sombrios da história humana – uma verdadeira aula que as gerações futuras fazem bem em não esquecer.

 

Fotos não creditadas individualmente foram disponibilizadas pela autora do texto.

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