15 anos do Euro

euroO dia 1o de janeiro de 2017 marcou não apenas o começo do novo ano, mas também os 15 anos do início da circulação da moeda única europeia, o Euro. Atualmente, o Euro é adotado por 19 dos 28 países da União Europeia, alcançando uma população de aproximadamente 340 milhões de pessoas. Apesar da crescente onda eurocética que tem atravessado o continente, o Euro ainda é visto de forma positiva pela maior parte da população, em especial os mais jovens (15-24 anos), tanto da União Europeia quanto da Zona do Euro (58% e 70%, respectivamente). O recrudescimento dos nacionalismos na Europa junta-se à necessidade de uma recuperação econômica mais robusta como alguns dos principais desafios a serem vencidos pela união monetária para continuar avançando e se fortalecendo no século XXI.

Criação da moeda única

A ideia de uma moeda única europeia é muito anterior à sua entrada em circulação, tendo sido sugerida antes mesmo da existência do processo integracionista no continente. Tentativas de promover integração monetária remontam até mesmo ao século XIX, com as experiências fracassadas da União Monetária Latina e Escandinava. Com a criação da Comunidade Econômica Europeia, em 1957, os países-membros tinham a intenção de alcançar um mercado comum europeu em 12 anos. Os planos ambiciosos sofreram, porém, com uma década de estagnação e ceticismo (1960) e com uma década de crise econômica (1970), que acabaram postergando o processo.

A evolução normativa da integração europeia na década de 1980, em particular o Ato Único Europeu, de 1986, intensificou a eliminação de barreiras entre os países e abriu caminho para a assinatura, em 1992, do Tratado de Maastrich, também conhecido como Tratado da União Europeia, no qual foram lançadas as bases para a criação da moeda única europeia. Dois países que já eram membros da União Europeia optaram por não fazer parte da Zona do Euro: Dinamarca e Reino Unido. O Pacto da Estabilidade, de 1997, estabeleceu os critérios de convergência para países poderem adotar o Euro, como metas de inflação, política cambial, taxas de juros e controle das finanças governamentais e, no dia 31 de dezembro de 1998, foram fixadas as taxas de conversão das moedas nacionais europeias em relação à Unidade Monetária Europeia (UME). Essa moeda escritural, utilizada apenas virtualmente, existiu entre 1999 e 2002, quando foi finalmente substituída pelo Euro.

Inicialmente o Euro era utilizado por 12 países da União Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Grécia, que ingressou em 2001), mas a Zona do Euro sofreu expansões ao longo dos anos, permitindo a entrada dos países a partir do momento em que atingiam os critérios estabelecidos no Pacto de 1997. Assim, passaram a utilizar a moeda, Eslovênia (29907, Chipre (2008), Malta (2008), Eslováquia ( 2009), Estônia (2011), Letônia (2014) e Lituânia (2015). A política monetária da Zona do Euro é conduzida pelo Eurossistema, composto pelo Banco Central Europeu e pelos bancos centrais dos estados que adotaram a moeda única.

Desafios para o Euro

Apesar da relevância do mercado europeu e da importância do Euro no mercado internacional, a inserção de uma moeda única não foi um processo fácil. As amplas disparidades entre as economias dos países da Zona do Euro, as diferenças dos ciclos econômicos de cada uma e a inexistência de políticas fiscais unificadas eram desafios a ser superados desde a entrada em circulação da moeda. A introdução de uma moeda comum a países economicamente tão diferentes como Alemanha e Grécia produziria, de certo, contrastes e resultados diversos, como, por exemplo, a perda da competitividade industrial grega. Dessa forma, entende-se que a decisão teve um viés tanto político quanto econômico: a unificação econômica traria benefícios e desafios, mas havia vontade política para entrar nesse processo.

Apesar das disparidades internas, o Euro teve boa aceitação nos mercados internacionais em pouco tempo. Houve alguma instabilidade no primeiro ano de utilização da moeda física, porém, já em 2003, o Euro mantinha-se valorizado frente ao dólar e à libra esterlina, além de chegar a representar aproximadamente 25% das reservas internacionais. A força que o Euro vinha ganhando nos seus primeiro anos foi testada com a crise financeira de 2008, que gerou resultados graves na Europa.

A recessão e a diminuição do crédito internacional nos anos seguintes trouxeram dificuldades aos países europeus em se financiarem, em especial as economias mais frágeis da região. Além da queda de receita causada pela recessão econômica, a menor fluidez de capitais no sistema internacional diminuiu a capacidade de venda de títulos públicos de países que se apoiavam na credibilidade da moeda europeia e vinham, desde 2002, aumentando seu nível de endividamento. Casos como o da Grécia, que necessitou da ajuda do Banco Central Europeu para evitar a moratória de sua dívida pública, afetaram a credibilidade da moeda e da capacidade de resposta da Zona do Euro em lidar com essas questões.

No mesmo período, houve o fortalecimento de discursos nacionalistas dentro da União Europeia como um todo. Críticas às políticas migratórias do bloco uniram-se às insatisfações com a situação econômica, o que fortaleceu o discurso eurocético em diversos países, inclusive na França, uma das principais economias do Euro. A forma como o bloco e a autoridade monetária vão abordar essa questão, de forma a garantir a maior integração entre os países e a manutenção do crescimento regional, é um dos principais desafios que os países têm pela frente.

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