Sugestão de leitura: relatório Tendências Globais 2016 da ACNUR

A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) publicou hoje o relatório Tendências Globais 2016 sobre deslocamentos forçados de pessoas ao redor do mundo. O relatório é tradicionalmente divulgado no Dia Mundial dos Refugiados para informar e alertar a comunidade internacional sobre o problema dos refugiados e dos deslocados internos. A publicação contou com dados fornecidos tanto por governos locais, quanto por parceiros e por levantamentos da própria ACNUR. Como migração e mobilidade internacional são temas recorrentes no CACD, o blog Sapi recomenda que todos os candidatos confiram os principais dados levantados pela ACNUR. E, para dar aquela ajudinha nesse momento pré-TPS, trouxemos um pequeno resumo sobre algumas informações fundamentais presentes no relatório deste ano.

Os dados relativos a 2016 demonstram que o deslocamento forçado no mundo aumentou novamente no último ano, alcançando a marca recorde de 65.6 milhões de indivíduos deslocados. Apesar disso, a tendência de redução no ritmo do crescimento de novos deslocados continua: em 2014 (no seu auge), foram aproximadamente 30 novos migrantes por minuto; em 2015, esse número caiu para 24 e em 2016, chegou a 20 por minuto. Em números absolutos, foram 10.3 milhões de novos deslocados (sendo 6.9 milhões internos). No caminho inverso, os números também foram expressivos: 6.5 milhões de deslocados internos retornaram às suas regiões de origem, assim como mais de 550 mil refugiados. Mais de 60% do total de deslocados (cerca de 40.3 milhões) são internos, ou seja, não ultrapassaram as fronteiras de seus países, e mais da metade do total são menores de 18 anos.

Uma das mudanças mais significativas desse relatório em relação a 2015 diz respeito aos países emissores de refugiados. Síria e Afeganistão mantêm-se como os dois maiores emissores de refugiados, correspondendo 5.5 e 2.5 milhões de deslocados, respectivamente. Em terceiro lugar encontra-se hoje o Sudão do Sul, que apresenta o crescimento mais acelerado de população refugiada: aumento de 64% apenas na segunda metade de 2016, passando de 854 mil para mais de 1.4 milhões de deslocados. (majoritariamente crianças). A situação do Sudão do Sul é particularmente alarmante quando considerada a relação entre população deslocada e população total. Para cada mil habitantes, há quase 300 deslocados, razão inferior apenas à da Síria (mais de 600 deslocados por mil habitantes). Esses três países correspondem a 55% do total de refugiados no mundo.

Entre os países receptores, o panorama também manteve-se estável em relação aos anos anteriores, com Turquia, Paquistão e Líbano sendo os maiores receptores dessa população (2.9, 1.4 e 1.0 milhões, respectivamente) – o que reforça a importância do fator distância para migrações internacionais forçadas. Nove dos 10 maiores recebedores de refugiados continuam sendo países de baixo e médio desenvolvimento, o que gera preocupações relativas às capacidades econômicas desses Estados em receberem essa população adequadamente. Um fator interessante foi a diminuição do número total de refugiados no Paquistão em relação a 2015: de 1.6 para 1.4 milhão, majoritariamente relacionados a retornos (lembrando que os refugiados no país são quase que exclusivamente afegãos). O Líbano também apresentou uma pequena redução, que o relatório credita a um acerto de dados disponíveis e reassentamentos.

Mudanças expressivas também em relação aos deslocados internos. Pela primeira vez desde 2011, o número de retornos superou o número de novos deslocados: 6.5 milhões de retornos contra 5.5 novos deslocados. O relatório ressalva, entretanto, que muitos desses retornos ocorrem em condições precárias ou sem grandes mudanças em relação à situação que originou o deslocamento inicialmente. A Colômbia ocupa novamente o posto de detentora da maior população deslocada internamente, com 7.4 milhões (aumento de meio milhão em relação ao ano anterior), superando a Síria (6.3 milhões) e o Iraque (3.6 milhões), que alcançou a impressionante marca de 1.4 milhões de retornos no último ano.

Agora que você já tem um panorama das informações, não deixe de conferir o relatório completo Tendências Globais 2016 da ACNUR, pois é um tema sempre quente para o CACD!

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Um comentário sobre “Sugestão de leitura: relatório Tendências Globais 2016 da ACNUR

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