Polaridades no sistema internacional

O conceito de polaridade baseia-se no caráter anárquico do sistema internacional e nas relações de poder estabeelcidas entre os Estados. Nesse contexto, a polaridade é definida como a concentração de recursos de poder dentro desse sistema, criando um ou vários polos de poder capazes de influenciar o comportamento de outros atores internacionais. As principais correntes sobre polaridade assumem a possibildiade de conjunturas unipolares, bipolares ou multipolares, porém a complefixicação das interações internacionais no século XXI levou ao surgimento da hipótese também da não polaridade.

Em um sistema unipolar, apenas um estado concentra a maior parte dos recursos de poder, exercendo, assim, maior influência sobre outros Estados. Apesar da concentração de poder em polo único, esta nunca ocorre de forma plena, criando espaço para contestações ao líder hegemônico. Para o teórico Kenneth Waltz, a unipolaridade leva à busca, pelos Estados menores, de um balanço de poder que reduza as suas vulnerabilidades. Esse balanço pode ocorrer pelo aumento das capacidades individuais dos Estados ou por alianças para fazer frente ao líder. Com o fim da Guerra Fria, especulou-se que os Estados Unidos haviam se tornado o polo único de poder global, porém o fortalecimento de outras regiões, como Japão, Europa e China, colocaram essa teoria em dúvida.

A Guerra Fria configurou como exemplo clássico de um modelo bipolar, com duas áreas de concentração de poder definidas. A simetria de poder entre os dois polos nesse tipo de sistema faz com que ele seja mais estável, pois os Estados líderes incorrem em maiores riscos em caso de tentativas de expansão do seu poder, o que reduz a chance de conflito entre ambos. Atualmente, apesar das disparidades em relação a capacidades militares, aventou-se a possibilidade da formação um sistema bipolar entre Estados Unidos e China, baseado no desempenho econômico de ambos. A retração internacional de Washington, entretanto, tem tornado esse cenário menos provável.

Uma das correntes mais populares para explicar o sistema atual é a de multipolaridades simétricas, na qual diversos polos de poder com capacidades similares existem simultaneamente. Apesar dessa conjuntura ser menos estável que as bipolares, visto que a simetria incentiva a busca de recursos de poder para superar a paridade, ela pode ser mais estável que a unipolaridade pela possibilidade de cooperação entre os polos simétricos, como foi observado na experiência do Congresso de Viena no século XIX. Argumenta-se a existência atualmente de uma multipolaridade pela presença de diversos polos de poder que, apesar de capacidades distinstas, são capazes de influenciar a agenda internacional. Os centros desse sistema seriam os Estados Unidos, a União Europeia, a China e a Rússia.

Contrastando com a multipolaridade surge o conceito de não polaridade, de Richard Haass. De acordo com essa teoria, a complexificação do sistema internacional no século XXI não teria levado a múltiplos polos de poder definidos, mas ao surgimento de diversos atores com níveis de poder variáveis que atuam conjuntamente e não podem ser desconsiderados nos temas em que exercem maior influência. Apesar da primazia econômica dos Estados Unidos e da China, debates sobre a indústria alimentar não podem desconsiderar a posição da Índia, assim como a questão ambiental passa, necessariamente, pelo Brasil.

 

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