Impactos dos Complexos Agroindustriais

A partir de meados do século XX, a produção agropecuária brasileira passou por um processo de industrialização que transformou a produtividade do setor primário. As significativas alterações nos mecanismos produtivos, que levaram ao surgimento dos complexos agroindustriais, acarretaram não só mudanças na organização da agricultura nacional, mas também na inserção do país no comércio internacional e na distribuição territorial da produção.

A modernização da produção agrícola a partir da década de 1950 foi possibilitada pela internalização de tecnologia voltada para o setor primário, especialmente maquinário e equipamentos. O desenvolvimento tecnológico, aliado à entrada de capital, permitiu ganhos de produtividade e a inserção da agricultura em uma cadeia produtiva que engloba outros setores econômicos, como a indústria e os serviços, que atuam de forma a viabilizar a complexa agropecuária moderna. Indústrias produtoras de insumos ou equipamentos e indústrias processadoras ou provedoras de serviços são exemplos de setores não-agrícolas, respectivamente, à montante e à jusante da produção agrícola que são essenciais para sustentar esse complexo. O crescimento coordenado entre produção agropecuária e setores secundários e terciários tem levado ao crescimento de cidades médias, de 100 a 500 mil habitantes, que, apesar da estrutura urbana, articulam-se a partir da economia do complexo agroindustrial, provendo insumos e processamento da produção.

A utilização de maquinários e equipamentos cada vez mais modernos implicou na redução da necessidade do volume de mão de obra para a produção agrícola, passando a depender de trabalhadores mais qualificados, adaptados aos processos rurais modernizados. O excesso de mão de obra disponível nas áreas rurais, ocasionado, entre outros fatores, pela diminuição da oferta de emprego no setor primário levou ao aumento do êxodo rural em direção aos grandes centros urbanos. Não coincidentemente o Brasil torna-se majoritariamente urbano em meados da década de 1960, como confirmado pelo censo de 1970. A intensa urbanização que seguiu à industrialização do campo foi um movimento que perdurou ao longo dos anos seguintes e que, recentemente, começou a presentar desaceleração, em muito pela saturação dos grandes centros urbanos.

O desenvolvimento tecnológico também viabilizou a expansão territorial da produção dos complexos agroindustriais. A superação de condições pedológicas, como a baixa produtividade nos latossolos, maior formação território brasileiro, permitiu que a agricultura industrial ocupasse maiores áreas, transformando-as em estabelecimentos inseridos na lógica do complexo agroindustrial voltado para o comércio externo. Com isso, observou-se o aumento da concentração fundiária brasileira, que já tem vasto amparo histórico, para viabilizar a produção em larga escala para o exterior. Atualmente, menos de 2% dos estabelecimentos agrícolas equivalem a mais da metade da área total rural, contando tanto área efetivamente produzida quanto a utilizada para especulação.

A expansão territorial do complexo agrícola também implicou em severa remoção da cobertura natural dos biomas afetados, especialmente do Cerrado. A ampliação da produção agropecuária para a região Centro-Oeste acarretou grande devastação da fauna da região, principalmente as pastagens naturais. O Cerrado tem tido as maiores taxas de desmatamento nos últimos anos, superando inclusive a do bioma Amazônico. A região que mais acelera esse processo nos dias atuais é a região denominada MATOPIBA, entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde vem ocorrendo forte expansão do complexo agroindustrial, principalmente par ao plantio de soja. A expansão no Centro-Oeste tem pressionado também o bioma Amazônico, particularmente para a expansão da pecuária extensiva.

A capacidade produtiva dos complexos agroindustriais tem importante impacto no desempenho da economia brasileira, principalmente na sua inserção internacional. Além de ser um dos maiores produtores do mundo de produtos básicos, o Brasil é recorrentemente o maior exportador de diversos produtos como soja, açúcar, café, laranjas, tabaco, carnes e aves. O complexo agroindustrial permite também a inserção dessa produção como insumos em indústrias de transformação, posteriormente comercializados como semimanufaturados, como é o caso do etanol e do biodiesel.

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