Os refugiados rohingyas e a crise humanitária em Myanmar

Os rohingyas são uma etnia minoritária de muçulmanos, com linguagem própria não reconhecida pelo Estado, que vivem há séculos na região oeste da ex-Birmânia, atual República da União de Myanmar, no estado denominado Rakhine. Nesta região, mais de um terço da população é representada por esta etnia e ainda assim há graves conflitos com outros grupos predominantemente budistas. A origem dos rohingyas é difícil de analisar: enquanto o Estado argumenta que eles descendem de grupos de agricultores naturais de Bangladesh, os rohingyas afirmam ser descendentes de mercadores mulçumanos que chegaram no séc. XIX quando Myanmar ainda era um território ultramarino britânico, dentro da região administrativa da Índia, sendo levados na época para a ex-Birmânia por serem mão-de-obra barata. No fundo, são um misto de etnias.

O conflito surgiu pela recusa do governo em reconhecer os rohingyas como cidadãos de fato e de direito em Myanmar, alegando serem naturais de Bangladesh, na Índia. Há ainda um outro gravame: de um lado temos um governo recusando-se em reconhecer uma etnia extremamente presente no país e do outro, temos paramilitares do Exército Arakan Rohingya (ARSA), uma milícia insurgente extremista estabelecida no estado de Rakhine desde 2012, que não representa a população refugiada rohingya, exigindo um Estado mulçumano democrático no lugar onde já existe a República da União de Myanmar ou simplesmente, Myanmar.

Myanmar tornou-se independente do Reino Unido em 1948, época em que os rohingyas foram autorizados para se candidatarem ao cartão de cidadão, o que lhes garantia direitos. Acontece que em 1962 houve um golpe de estado militar no país, o que fez com que eles perdessem este status e fossem considerados estrangeiros. Com o golpe de Estado, o general Ne Win passou a ser o chefe de Estado, levando a cabo uma série de reformas marcadas pelo extremo nacionalismo, marxismo e budismo, apesar dele próprio já ter rejeitado seu interesse por ideologias e religião. Além disso, em 1982 foi aprovada a Nova Lei da Cidadania, no qual um dos artigos dizia que os rohingyas só poderiam preencher o formulário para obter o cartão de cidadão caso soubessem falar uma das línguas oficiais do país e comprovar que seus antecessores viviam no país antes da independência, requisitos extremamente difíceis de conseguir, fazendo com que muitos passassem a ser considerados apátridas.

O início da crise dos refugiados rohingyas se deu em 2015 e perdura até hoje, tendo a situação se tornado drástica nos últimos meses. Os rohingyas continuam sendo uma etnia não reconhecida no país, o que os impedem de ter acesso aos mesmos recursos e serviços que os cidadãos budistas têm, ao contrário do que acontece com as outras 135 etnias existentes no país. Atualmente, há milhões de rohingyas deslocados e não documentados. Os países da região, inclusive de religião mulçumana, como o caso do governo da Indonésia, muitas vezes não ajudam estes refugiados, onde chegou até a ter protestos das pessoas contra o governo em apoio a esses refugiados.

O maior problema é o governo de Myanmar não reconhecer uma etnia que vive há mais de 100 anos no país, bem como não os considerar cidadãos e ainda dificultá-los de saírem do país nas fronteiras. As fronteiras de Myanmar estão repletas de minas desde a década de 90 e os acidentes com minas por refugiados só tem aumentado. O governo de Bangladesh recentemente acusou o exército de Myanmar de até mesmo ter enterrado mais minas, atitude que os militarem negam.

Organizações internacionais como a ONU e a Amnistia Internacional já comentaram sobre o caso ser uma possível limpeza étnica, tendo como base a violência. Os refugiados rohingyas já são centenas de milhares e muitas vezes vão para Bangladesh ou Malásia, onde acabam trabalhando ilegalmente ou sendo escravizados.

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