O papel das mulheres na diplomacia brasileira

Olá, sapientes!

Hoje, dia oito de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher!

Mais do que flores e presentes, é um dia para se refletir sobre a luta pela igualdade de gênero, que ainda tem um longo caminho a ser percorrido.

Na diplomacia, as mulheres têm um papel essencial e cada vez mais relevante. Mas não foram poucas as que tiveram que lutar para conseguir esse espaço!

Vamos conhecer mais sobre as mulheres na diplomacia brasileira?

CACD-Diplomata-itamaraty-diplomacia-Maria-Jose-de-castro-o-papel-das-mulheres-na-diplomacia-brasileira

Maria José de Castro Rebello Mendes: a primeira diplomata do País

Foi há apenas 100 anos que a primeira mulher ingressou no serviço diplomático brasileiro. A princípio, a inscrição de Maria José Rebello havia sido indeferida. Porém, com a ajuda jurídica de Rui Barbosa, ficou provado que não havia nenhum impedimento legal para que a candidata prestasse o concurso, o que levou o chanceler Nilo Peçanha a acatar a inscrição. Contra todas as adversidades, Maria José foi aprovada em primeiro lugar no concurso de 1918, o que causou grandes repercussões nos jornais da época.

Mesmo com essa história de sucesso, ainda havia vários percalços para as mulheres no serviço diplomático. Maria José casou-se com o diplomata Henrique Pinheiro de Vasconcellos em 1922. Em 1934, solicitou aposentadoria da carreira, uma vez que seu marido havia sido promovido a conselheiro, não sendo permitido que ela assumisse cargo na mesma representação dele.

Em 1938, o chanceler Oswaldo Aranha proibiu expressamente o ingresso de mulheres no serviço diplomático. A decisão discriminatória foi derrubada apenas em 1953.

CACD-Diplomata-itamaraty-diplomacia-Bertha-Lutz-o-papel-das-mulheres-na-diplomacia-brasileira

Bertha Lutz: a serviço da igualdade na ONU

Apesar de não ser diplomata, a zoóloga Bertha Lutz teve papel essencial para a diplomacia brasileira e para a igualdade jurídica entre homens e mulheres. Em 1919, ela fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, organismo que lutava pelo sufrágio feminino.

Em 1945, Lutz foi a única mulher a integrar a delegação brasileira da Conferência de São Francisco. O papel da conferência? Criar um organismo capaz de prevenir que se repetissem os horrores da Segunda Guerra, com foco na preservação da paz e segurança mundial. Foi da Conferência de São Francisco que nasceu a Organização das Nações Unidas.

Além de propagar os princípios da diplomacia brasileira, Lutz participou ativamente na inclusão do trecho que menciona a igualdade de direitos dos homens e das mulheres, que consta logo no preâmbulo da Carta da ONU, documento constitutivo do órgão. Com o apoio de Bertha Lutz e da delegação brasileira, a igualdade de gênero é, hoje, um dos princípios universais das Nações Unidas.

Diplomacia e feminismo: como é hoje em dia?

Não há dúvidas que, agora mais do que nunca, a luta pela emancipação feminina vem sendo uma das principais pautas em vários lugares do mundo. Na diplomacia não é diferente.

Desde que assumiu, em 2017, o secretário-geral da ONU António Guterres tem posto a igualdade de gênero como uma das prioridades de sua gestão. A igualdade e o empoderamento de meninas e mulheres é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a serem alcançados até 2030. Em fevereiro, a organização anunciou que, pela primeira vez, havia alcançado a paridade de gênero em seu primeiro escalão.

O tema também tem ganhado destaque no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Com o edital de 2017, o item “Políticas de identidade: gênero, raça e religião como vetores da política mundial” passou a constar no conteúdo programático de Política Internacional. Já houve itens sobre o tema na prova da Primeira Fase de 2017. A atuação da própria Bertha Lutz, por exemplo, foi abordada na questão 20! É de se esperar que o tópico volte a ser cobrado no CACD 2018.

O caminho é longo; mas, hoje, diferentemente do que aconteceu com Maria José e Bertha Lutz, as mulheres não estão mais isoladas. O CACD 2017 contou com aprovação recorde de mulheres, chegando a quase metade dos aprovados. Em 2014, o Itamaraty instituiu o Comitê Gestor de Gênero e Raça (CGGR), órgão interno permanente, voltado à implementação de medidas que visam à igualdade de gênero e raça. Cada vez mais mulheres ingressam no serviço diplomático; também é crescente o número de embaixadoras no País. Gradativamente, as mulheres vão conquistando seu espaço na diplomacia brasileira.

Se você deseja saber mais sobre o tema, pode ler a obra Diplomacia. substantivo de dois gêneros, escrita pela diplomata Viviane Rios Balbino. O Itamaraty também mantém uma página sobre as mulheres na diplomacia brasileira.

A todas as futuras diplomatas, um feliz Dia Internacional da Mulher!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s