Você já ouviu falar nos Incel(s) – o novo grupo extremista que se alastra pela internet – e que resultou no último ataque a pedestres em Toronto?

Olá, Sapientes!

Vocês sabem o que significa este termo e quem faz parte deste grupo que paira a internet?

O termo incel veio à tona desde o ataque do atropelador canadense Alek Minassian, no último dia 23, a um grupo de pedestres que resultou em 10 mortos em Toronto, no Canadá, já que ele se autoentitulava incel e havia se referido ao termo em sua página do facebook horas antes do incidente. A notícia do seu ataque se alastrou nos fóruns de discussão da internet, no qual o canadense participava. Para aqueles que desconhecem completamente o significado da expressão, incel, diminutivo de “involuntary celibates”, significa homens que não conseguem ter relações sexuais e/ou amorosas com nenhuma mulher de forma involuntária e que por isso culpam as mulheres e os homens sexualmente ativos por suas frustrações pessoais e infelicidade. A principal linha de pensamento dos incels é nutrir um ódio visceral pelas mulheres, no qual acreditam que são vítimas e foram condenados a uma virgindade indesejada pelas mulheres serem manipuladoras e interesseiras. O caso mais conhecido deste tipo de terrorismo foi do incel Elliot Rodger, que matou 6 pessoas em 2014 no “dia da retribuição” e escreveu um manifesto: “meu mundo torturado”, a “bíblia” para novos incels.

Incels: grupo radical com gírias próprias e muita distorção da realidade

Os incels, apesar de não serem um grupo organizado, se reunindo basicamente em fóruns de discussão na internet, já são considerados um grupo radical que dissemina discursos de ódio e violência,  e possuem várias gírias para expressar sua percepção distorcida do mundo, como: “chads” para os homens atraentes e sexualmente ativos, “stacys” para as mulheres inatingíveis e sexualmente ativas na visão deles, “femoides” para as mulheres em geral, que se enquadrariam em uma condição sub-humana,“normies” para homens de aparência mediana, e “blackpill” ou pílula preta, quando um incel diz algo que para ele é uma verdade absoluta e que outras pessoas não são capazes de enxergar.

Esses fóruns, ao contrário de serem grupos de apoio para que essas pessoas possam compartilhar suas inseguranças e serem encorajadas a saírem dessa situação, são na verdade espaços para encontrar outras pessoas com as mesmas paranoias e que desejam propagar a misoginia, o racismo, a xenofobia e o ódio, com o propósito puro e simples de se vingar da sociedade a todo e qualquer custo. Este acaba sendo mais um exemplo concreto do lado negativo e obscuro do uso da internet. Nos EUA, já existem entidades que monitoram estes grupos extremistas que estão a se consolidar. O que não se sabe ainda é se esses grupos são o resultado de pessoas com doenças e traumas frutos das suas experiências pessoais ou se elas estão sendo alimentadas por uma ideologia incutida nessas plataformas de internet, a exemplo do 4chan e Reddit. O que se sabe, mediante a análise de perfis desses celibatários involuntários, é que há um padrão entre eles: geralmente são homens com baixa escolaridade, desempregados, acomodados e isolados do mundo real.

Movimento incel: saudosistas à falta de liberdade feminina e propensos à radicalização de novos integrantes adolescentes

Não obstante, estes grupos incitam direta e indiretamente vários tipos de violência, inclusive o estupro. Muitos são saudosistas à época no qual a mulher tinha sua liberdade de escolha limitada e os casamentos eram forçados, por acreditarem que é o dever da mulher os satisfazer sexualmente, o que permitiria a violação do corpo feminino. Além disso, radicalizam principalmente os adolescentes, pessoas cuja faixa etária tende a ser mais vulnerável, por muitas vezes não saberem lidar com pressões sociais e por serem mais facilmente manipuláveis.

Quando comparados ao grupo Estado Islâmico é sinônimo de elogio ao movimento

Os incels vão muito além de ser um termo para designar um grupo extremista, ele é considerado um movimento por eles próprios e que se faz necessário a total atenção, já que há o risco de novos ataques ocorrerem como o de Toronto. O movimento ganha força por se equipararem a grupos extremistas como o Estado Islâmico e por acreditarem que com o foco maior da mídia neles e o medo latente da sociedade, eles serão finalmente respeitados e inseridos no meio em que os cerca.


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