Eleições Mexicanas 2018: resultado considerado previsível com o futuro do país não tão previsível assim

Olá Sapientes!

Os olhares desta semana sobre o tema Atualidades se voltam para o México, e não é apenas da competição entre Brasil e México na Copa do Mundo que estamos falando. Esta semana, mais precisamente domingo, dia 01 de julho, o México foi palco de novas eleições presidenciais com um total de 05 principais candidatos ao posto. E quem sabe de novos rumos, já que a violência, a corrupção e as notícias envolvendo o Presidente dos EUA Donald Trump pesam diretamente no futuro incerto do México. O último Presidente, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), ficou marcado por escândalos de corrupção e violência no país e seu partido, que governou o país por décadas, ficou estigmatizado por gestões manchadas de irregularidades e violações de direitos humanos que assolam a população mexicana.

Houve três momentos históricos que marcaram a política mexicana: a primeira foi a sua independência em 1821, o segundo foi a sua reforma em 1854 e a terceira a revolução mexicana de 1920. Segundo a extensa campanha do candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador, com o seu ingresso à presidência do México, seu governo representaria a quarta maior transformação mexicana, sucedendo-se assim aos três momentos históricos anteriores.

López Obrador é o fundador e líder do partido Morena (Movimento Nacional de Regeneração), um partido de esquerda e é ex-prefeito da Cidade do México. Seu maior adversário nessas eleições foi Ricardo Anaya, do partido Ação Nacional, de centro-direita, o mais novo dos candidatos à presidência, que foi presidente do seu partido entre 2015-2017 e presidente da Câmara dos Deputados mexicana em 2013, e que mesmo assim ficou longe de ser uma ameaça à López Obrador. AMLO (iniciais de Andrés Manuel López Obrador, como ficou conhecido), é o primeiro presidente mexicano que põe fim a décadas de poder do PRI (Partido Revolucionário Institucional) e do PAN, mencionado anteriormente, ambos partidos de centro, respectivamente de esquerda e de direita). É a terceira vez que o candidato tenta vencer as eleições presidenciais do México: a primeira ocorreu em 2006 e a segunda em 2012 e para alcançar seu objetivo parece que sua campanha eleitoral precisou ser marcada pela ambiguidade: de um lado, promovia o fim do neoliberalismo, de outro, foi ao encontro de empresários; de um lado, promovia de forma contundente o fim da corrupção, mas chegou a sugerir a anistia de líderes de cartéis de drogas que estão na prisão. Ora, não se pode agradar gregos e troianos…

O novo presidente mexicano terá como desafios diminuir a violência, que atingiu os maiores níveis ano passado, através de um combate pesado ao narcotráfico, seu maior responsável, sendo assim, é possível que se intensifique o debate sobre a legalização das drogas nos próximos anos. Outro grande desafio será impedir que a medida de Donald Trump se concretize com a criação de um muro na fronteira com o México, impedindo a passagem de emigrantes do México e de países latinoamericanos. Também será preciso fazer atenção ao NAFTA, acordo de livre comércio da América do Norte, que estava sob ameaça de revisão das suas cláusulas e até mesmo de cancelamento. Uma de suas metas de governo sem dúvida será de revisar os contratos petroleiros existentes entre o México e os EUA, além de diminuir a dependência econômica nas exportações para seu vizinho norteamericano.

Uma coisa é certa: com a vitória desta eleição histórica da esquerda, há uma completa reconfiguração do establishment político do país, com uma ruptura radical do até então status quo. Além  da escolha para Presidente de um mandato de seis anos, foram escolhidos 128 senadores e 500 deputados. O processo eleitoral mexicano, diferente do brasileiro, não prevê a realização de um 2º turno e nem a reeleição.


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