Revista Sapientia: tem edição nova na área

A 27a edição da Revista Sapientia já está no ar.

Confira alguns dos destaques da publicação:

  • Entrevista de capa com o chefe da Missão do Brasil junto à ONU e Ministro das Relações Exteriores entre 2011 e 2013, Antonio Patriota. Na entrevista, ele fala sobre temas como a atuação do Brasil em missões de paz, o futuro da Minustah, a Agenda de Desenvolvimento para o ano de 2030, entre outros;
  • A professora Cristine Koehler Zanella sintetiza o histórico dos embates envolvendo o programa nuclear iraniano, as posições da comunidade internacional e do Brasil na ONU, assim como os interesses brasileiros ao longo desse processo;
  • No Crivo do Casarões, o professor e especialista em política externa brasileira Guilherme Casarões fala das tensões nas relações entre Brasil e Israel;
  • Em Professor Sapientia Comenta, a professora e doutora em Geografia Regina Araujo e a geógrafa Carolina Figueiredo discutem os impactos da nova fronteira de energia hidrelétrica no Brasil;
  • Temos ainda uma entrevista com o Diretor do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio, Victor do Prado, sobre o trabalho na OMC. Leitura obrigatória para o postulante à carreira de diplomata que pensa em trabalhar com questões internacionais do comércio.

CAPA-ED27-m

O acesso à Revista Sapientia é digital e gratuito. Clique aqui.

Relembre a trajetória de Luiz Felipe Lampreia no MRE

Na terça, dia 02 de fevereiro, o Sapientia recebeu com pesar a notícia do falecimento do Embaixador Luiz Felipe Lampreia, que foi ministro das Relações Exteriores entre 1995 e 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Em maio de 2013, ele foi entrevistado pela Revista Sapientia, no qual fez um balanço do período de sua Chancelaria.

Na entrevista são destacados principalmente três pontos: a adesão do Brasil a tratados internacionais; a integração regional e o investimento nas relações com parceiros tradicionais.

“Creio que o principal legado (do governo FHC) seja o da inclusão do Brasil no meio central da Política Internacional. O Brasil havia acumulado, ao longo dos anos, exclusões em alguns setores, pois não havia grande necessidade de adesão a determinados tratados ou acordos internacionais. Isso era particularmente claro na esfera militar. Nós apresentávamos ambiguidade em matéria de mísseis, tínhamos um programa de foguete que podia ser civil ou militar. O mesmo ocorria em relação à energia nuclear. O propósito, desde o primeiro momento do governo, foi eliminar essas ambiguidades (…). Dessa forma, aderimos ao regime de controle de mísseis e, gradualmente, a todos os acordos de não proliferação, incluindo o próprio Tratado de Não Proliferação (TNP). Para mim, esse é um ponto capital na nossa política externa naquele momento. O segundo ponto foi a integração. O Brasil fez um grande esforço para promover a integração sul-americana, primeiramente por meio do Mercosul, que estava praticamente em sua infância no governo Fernando Henrique. Foi grande o esforço para a inclusão de outros países no Mercosul, da forma como fosse possível. A terceira ênfase foi o estabelecimento das melhores relações possíveis com os nossos grandes parceiros internacionais, ou seja, com os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Alemanha, o Japão, a China, entre outros. Evidentemente, a busca de boas relações com esses Estados não quer dizer que nós fôssemos concordar com eles em todos os assuntos, mas sim procurar fazer que a relação bilateral fosse a mais dinâmica possível. Havia outros pontos, mas estes são os principais.”

 

lampreia 2

Lampreia foi também Secretário-Geral do Itamaraty, Subsecretário de Assuntos Políticos Bilaterais, Representante Permanente do Brasil junto a Organismos Internacionais em Genebra, Embaixador em Lisboa e em Paramaribo e Porta-Voz do Ministério.

Após o encerramento do ciclo do MRE, escrevia para o jornal O Globo e participava ativamente de discussões sobre a política externa brasileira em think tanks, na imprensa e em entidades como o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

 

A 26a edição da Revista Sapientia está no ar

Está no ar mais uma edição da Revista Sapientia. Vocês têm noção de que estamos entrando no quinto ano da publicação?

Pois é, nem a gente.

Nossos destaques:

  •  Entrevista exclusiva com o diretor da equipe de apoio do Secretário-Geral da ONU para as mudanças climáticas, Selwin Hart, sobre a COP-21 e o Acordo de Paris;
  • Artigo do diplomata e professor de Política Internacional do Curso Sapientia, Leonardo Rocha Bento, escrito em parceria com a também diplomata Mariana Ferreira Cardoso, sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e de Investimentos (TTIP) e os desafios que ela pode trazer ao Brasil;
  • A análise da mestranda Angélica Szucko sobre a Questão do Acre;
  • A coluna do professor de Política Internacional do Curso Sapientia Guilherme Casarões sobre comércio e investimentos na política externa brasileira;
  • Entrevista com a professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Miriam Gomes Saraiva sobre as relações Brasil-Argentina no governo Mauricio Macri;
  • E muito mais.

CAPA-ed-26-site

Clique aqui para ter acesso à publicação.

 

Clodoaldo Hugueney sobre a carreira diplomática

O Embaixador Clodoaldo Hugueney concedeu entrevista à Revista Sapientia em fevereiro deste ano, na qual falou de sua experiência profissional e de dois temas de seu domínio: comércio internacional e China.

O diplomata teve uma carreira de cinco décadas no Itamaraty, onde ocupou alguns dos postos mais importantes do Ministério. Foi Embaixador em Caracas (1993-1999), junto às Comunidades Europeias em Bruxelas (1999-2002), junto às Nações Unidas em Genebra (2005-2008) e em Pequim (2008-2013). Desde abril, ocupava a presidência do Conselho Empresarial Brasil-China. Há algum tempo vínhamos preparando um material bônus das entrevistas da Revista, na qual grandes personalidades do Ministério relembram a preparação para o Instituto Rio Branco e falam sobre a carreira.

Editamos a contribuição dada pelo Embaixador Hugueney hoje, após recebermos com pesar a notícia do falecimento dele. O diplomata era um homem otimista, como podemos notar no vídeo.

Fica o agradecimento da equipe do Sapientia pela generosidade e solicitude do Embaixador.

 —

Confira a entrevista completa com o Embaixador Clodoaldo Hugueney, na 22ª edição da Revista Sapientia.

Conheça a trajetória do Embaixador Clodoaldo Hugueney, neste artigo da Folha.

Carta para Antonio Carlos Jobim, por Vinicius de Moraes

Imagem: Poesias e Poemas diversos

Imagem: Poesias e Poemas diversos

Porque o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata é cultura!
Texto cobrado na 1a fase do CACD de 2011.

Porto do Havre [França], 7 de setembro de 1964

Tomzinho querido,

Estou aqui num quarto de hotel que dá para uma praça que dá para toda a solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv’alma. Meu navio só sai amanhã à tarde, e é impossível alguém estar mais triste do que eu. E, como sempre nestas horas, escrevo para você cartas que nunca mando.

Deixei Paris para trás com a saudade de um ano de amor, e pela frente tenho o Brasil, que é uma paixão permanente em minha vida de constante exilado. A coisa ruim é que hoje é 7 de setembro, a data nacional, e eu sei que em nossa embaixada há uma festa que me cairia muito bem, com o Baden Powell mandando brasa no violão. Há pouco telefonei para lá, para cumprimentar o embaixador, e veio todo mundo ao telefone.

Você já passou um 7 de setembro, Tomzinho, 16 sozinho, num porto estrangeiro, numa noite sem qualquer perspectiva? É fogo, maestro!

Vinicius de Moraes. Querido poeta. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, organização de Ruy Castro, p. 303-4 (com adaptações).