O Telegrama Zimmermann

zimmermann“Nenhuma outra criptoanálise teve consequências tão profundas. Nunca antes, ou desde então, tanto foi transformado a partir da solução de uma mensagem secreta.” É assim que o historiador David Khan descreve a importância do Telegrama Zimmermann, de 1917. Enviado pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha em meio à 1a Guerra Mundial, a comunicação secreta foi importante para convencer a opinião pública americana a apoiar a entrada dos Estados Unidos no conflito mundial.

No decorrer da 1a Guerra Mundial, o governo norte-americano manteve uma posição de neutralidade em relação ao conflito, condizente com o isolacionismo que defendia na sua política externa. Isso não impediu, contudo, que o país lucrasse com a guerra, já que teve sua economia fortalecida a partir do aumento da demanda de bens e de crédito por parte dos seus tradicionais aliados europeus, em especial Inglaterra e França. Apesar de não ter declarado guerra às potências centrais, o Estados Unidos tinha bastante interesse no desenvolver do conflito por causa desses interesses econômicos, porém a opinião pública norte-americana era extremamente contrária ao envolvimento real do país na guerra na Europa. Isso muda com a publicação do Telegrama Zimmerman.

Em 19 de janeiro de 1917, o Ministro de Relações Exteriores alemão, Arthur Zimmermann, enviou um telegrama secreto criptografado para o embaixador alemão no México, Heinrich von Eckardt. Acreditando que a retomada da “guerra submarina irrestrita” pelos alemães iria levar os Estados Unidos a declara guerra contra a Alemanha, Zimmermann instruiu o embaixador a oferecer uma aliança com o México e a instigar um conflito contra a vizinho do norte. “No documento, a Alemanha se comprometia a ajudar o país latino-americano a conquistar territórios dos Estados Unidos (especificamente Arizona, Novo México e Texas) em troca do apoio mexicano à causa alemã.

O principal objetivo da Alemanha ao envolver o México era utilizar um conflito no continente americano como forma de dificultar o comércio transatlântico entre Estados Unidos e as potências europeias e, assim, facilitar a vitória alemã no front ocidental. Apesar das profícuas relações atuais, o relacionamento bilateral entre EUA e México em meados da década de 1910 não era tão amistoso. A invasão e ocupação do porto de Vera Cruz pelos americanos, em 1914, durante o processo revolucionário mexicano ainda estava viva na lembrança dos mexicanos, assim como a ruptura de relações diplomáticas entre esses (formalmente ainda em vigor) e a perda de território no século anterior. Além disso, os Estados Unidos não exerciam a influência que exercem hoje no vizinho. O México era muito mais influenciado pelo capital europeu, incluindo o da Alemanha. O governo alemão chegou a ameaçar invadir o porto de Vera Cruz após a tomada pelos Estados Unidos.

O telegrama Zimmermann foi decifrado pela inteligência britânica, que interceptou a mensagem codificada enquanto transitava pelos canais diplomáticos americanos. Isso porque a Alemanha, que tinha comunicação restrita por causa do conflito, utilizava países neutros (como era o caso dos Estados Unidos) para auxiliar na troca de informações. Ao interceptar e decifrar a mensagem, os britânicos tinham a informação que precisavam para finalmente atrair os americanos para o conflito, porém atrasaram na entrega da informação de forma a proteger sua agência de inteligência.

O conteúdo do telegrama foi publicado em 1o de março de 1917, gerando, inicialmente, ceticismo por parte da população americana, que imaginou ser uma forma do governo manipula-los a aceitar a entrada do país no conflito. A confirmação do próprio ministro alemão, entretanto, fez com que a opinião pública passasse a aceitar a sua veracidade. O sentimento anti-alemão, que já existia desde antes do incidente devido ao constante torpedeamento da Marinha Mercante americana por submarinos alemães, foi inflamado com a descoberta dos planos do país europeu, levando à declaração de guerra um mês depois da publicação do telegrama (em 6 de abril de 1917).

O telegrama Zimmermann foi peça importante para a entrada dos Estados Unidos no conflito ao impactar a opinião pública americana, porém foi apenas uma das motivações pontuais para a entrada do país na guerra. A ameaça aos interesses econômicos dos Estados Unidos, tanto por meio dos torpedeamentos de navios comerciais quanto pela dívida dos países europeus, também motivou o governo norte-americano. Como pano de fundo a essas questões, havia o interesse em garantir que a resolução do conflito ocorresse de forma a criar um equilíbrio favorável aos interesses americanos: a entrada na guerra se dá em um momento crescente necessidade de defesa dos parceiros históricos frente ao fortalecimento alemão após a saída da Rússia do conflito.

Todd’s Challenge: Answer key

We are back with a model translation for yesterday’s challenge. Are you ready to check your progress? Take a look!

Translate the following text into Portuguese.

In that world there are no simple formulae for predicting or managing national behaviour. It is not a world in which one power – America – is dominant, though it remains the single most influential and capable country on a global scale, even after its debacle in Iraq. Nor is it a world, on his account, in which just three “empires” hold sway in any sort of triangular balance. It is a world in which many countries and their ruling elites are jostling for position and advantage, some of them keen to prove that today’s assumptions about influence and status can well be overturned. If there is a broad trend to be discerned in recent years, it is the revival of autocracy as a sometimes effective and even legitimate form of government. If there is a neat dividing line, it is the line between the democracies and autocracies. But using that line in the operation of foreign policy is no easier now than it has ever been. One thing that both authors do agree on is that the dream of a simple, safe world has gone for good.

Follow these easy steps to success in the translation sections:

1. Read the text one time through, making no marks, and determine what style of language is being used.
Style/Category: Book Review

2. Determine what the text’s overall theme is.
Theme/Language: Academic / Journalistic / book review & critique

3. Read the text a second time through and highlight all “lexical chunks”, that is, all groups of words that would produce one single meaning.
hold sway” – to have authority/power; to be in control

In that world there are no simple formulae for predicting or managing national behaviour. It is not a world in which one power – America – is dominant, though it remains the single most influential and capable country on a global scale, even after its debacle in Iraq. Nor is it a world, on his account, in which just three “empires” hold sway in any sort of triangular balance. It is a world in which many countries and their ruling elites are jostling for position and advantage, some of them keen to prove that today’s assumptions about influence and status can well be overturned. If there is a broad trend to be discerned in recent years, it is the revival of autocracy as a sometimes effective and even legitimate form of government. If there is a neat dividing line, it is the line between the democracies and autocracies. But using that line in the operation of foreign policy is no easier now than it has ever been. One thing that both authors do agree on is that the dream of a simple, safe world has gone for good.

4. Translate the text, paying close attention to the following points:
Direct translation: translate word for word without paying attention to groups of words with a single meaning
False Cognates: same word in the other language, but with a different meaning
Portuguese imposition upon English
Grammar: verb tenses, prepositions, word order, word form/spelling

5. Compare your result to the model translation in the answer key to see if you avoided these pitfalls.

Draft: Naquele mundo, não há formulas simples de prever ou gerenciar/administrar o comportamento nacional. Não é/representa um mundo no qual uma potência – Os Estados Unidos – é dominante, apesar do fato dele permanecer como o país mais influente e capaz mundialmente/em escala global, mesmo depois do/após o seu desastre/fracasso/derrocada/fiasco no Iraque. De acordo com ele, tampouco é um mundo no qual apenas três “impérios” mantêm suas posições em um tipo de equilíbrio/balanço/balanceamento triangular. É um mundo no qual muitos países e suas elites dominantes estão competindo/batalhando por / disputando / engalfinhando posições e vantagens, algumas das quais estão ansiosas/afoitas de provar que as atuais presunções sobre a influência e o status podem e serão/podem muito bem ser derrubados/subvertidos. Se há uma ampla tendência a ser reconhecida/compreendida/discernida nos últimos anos, seria/é o ressurgimento [do conceito] da autocracia como uma forma de governo/governar, às vezes eficiente e até legítima. Se há uma nítida linha divisória, seria/é a linha entre as democracias e as autocracias. Entretanto, usar essa linha na condução de política externa é mais difícil do que nunca. Uma coisa que ambos os autores concordam é que o sonho de um mundo simples e seguro acabou-se de uma vez por todas/para sempre.

MODEL TRANSLATION

Naquele mundo, não há formulas simples de prever ou gerenciar o comportamento nacional. Não é um mundo no qual uma potência – Os Estados Unidos – é dominante, apesar do fato dele permanecer como o país mais influente e capaz em escala global, mesmo após o seu fracasso no Iraque. De acordo com ele, tampouco é um mundo no qual apenas três “impérios” mantêm suas posições em um tipo de equilíbrio triangular. É um mundo no qual muitos países e suas elites dominantes estão disputando posições e vantagens, algumas das quais estão afoitas para provar que as atuais presunções sobre a influência e o status podem muito bem ser derrubados. Se há uma ampla tendência a ser reconhecida nos últimos anos, é o ressurgimento [do conceito] da autocracia como uma forma de governar, às vezes eficiente e até legítima. Se há uma nítida linha divisória, é a linha entre as democracias e as autocracias. Entretanto, usar essa linha na condução de política externa é mais difícil do que nunca. Uma coisa que ambos os autores concordam é que o sonho de um mundo simples e seguro acabou-se de uma vez por todas.

Todd’s Challenge: Portuguese Translation

Hello, hello! So, here is yet another of my Blog Challenges. This time we will focus on the Portuguese translation and strategies. Put on your thinking caps and see how close you can come to my model translation!

Good luck!

Translate the following text into Portuguese.

In that world there are no simple formulae for predicting or managing national behaviour. It is not a world in which one power – America – is dominant, though it remains the single most influential and capable country on a global scale, even after its debacle in Iraq. Nor is it a world, on his account, in which just three “empires” hold sway in any sort of triangular balance. It is a world in which many countries and their ruling elites are jostling for position and advantage, some of them keen to prove that today’s assumptions about influence and status can well be overturned. If there is a broad trend to be discerned in recent years, it is the revival of autocracy as a sometimes effective and even legitimate form of government. If there is a neat dividing line, it is the line between the democracies and autocracies. But using that line in the operation of foreign policy is no easier now than it has ever been. One thing that both authors do agree on is that the dream of a simple, safe world has gone for good.

Follow these easy steps to success in the translation sections:

1. Read the text one time through, making no marks, and determine what style of language is being used.
Style/Category:

2. Determine what the text’s overall theme is.
Theme/Language:

3. Read the text a second time through and highlight all “lexical chunks”, that is, all groups of words that would produce one single meaning.
hold sway” – to have authority/power; to be in control

4. Translate the text, paying close attention to the following points:
Direct translation: translate word for word without paying attention to groups of words with a single meaning
False Cognates: same word in the other language, but with a different meaning
Portuguese imposition upon English
Grammar: verb tenses, prepositions, word order, word form/spelling

5. Compare your result to the model translation in the answer key to see if you avoided these pitfalls.

3 Perguntas: Ciclo do Café

A formação econômica brasileira não é só um tópico fundamental para a prova de Economia do CACD, mas também um importante elo de ligação entre diferentes disciplinas, podendo auxiliar no aprendizado de História do Brasil ou de Política Internacional, por exemplo. Dentro da evolução da economia brasileira, um tema com importantes ramificações é o Ciclo do Café durante a Primeira República.

Além de ser um tema muito muito importante para a prova, o processo comercial desse período é complexo, envolvendo fatores não só econômicos, como políticos e diplomáticos. Para auxiliar na compreensão desse sistema econômico, o professor de Economia Bernardo Nunes respondeu 3 Perguntas sobre aspectos econômicos desse período. Confira!

Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLAN)

O Tratado de Tlatelolco (formalmente Tratado para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe) completou 50 anos no dia 14 de fevereiro. Marco do processo de promoção do desarmamento nuclear, o tratado, assinado em 1967, foi o primeiro a implementar uma Zona Livre de Armas Nucleares (ZLAN) em uma área densamente povoada. Nos termos do acordo, os países da região se comprometeram a utilizar tecnologia nuclear exclusivamente para fins pacíficos e proibiram o teste, uso, fabricação, produção ou aquisição, por qualquer meio, de qualquer arma nuclear, direta ou indiretamente (art. 1 §1).

Todos os 33 países da América Latina fazem parte do acordo. Além do texto principal, dois protocolos complementam o tratado. O primeiro é referente aos países de fora da América Latina que tenham territórios na região (Estados Unidos, França, Reino Unido e Holanda), vinculando aos termos do tratado os territórios sob sua jurisdição. Esse protocolo foi ratificado por todos os países em questão. O segundo protocolo exige que as potências nuclearizadas não intervenham para alterar o status da região como livre de armas nucleares e foi ratificado pelos Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.

O tratado também criou a Agência para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (OPANAL), organismo encarregado de assegurar o pleno cumprimento das obrigações do tratado. A OPANAL, em conjunto com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), formam o sistema de controle da ZLAN da América Latina e Caribe, responsável por garantir o uso exclusivo de tecnologia nuclear para fins pacíficos. Desde 2014, embaixador brasileiro Luiz Filipe de Macedo Soares é o Secretário-geral da OPANAL, tendo sido reeleito recentemente, por aclamação, para um segundo mandato.

Histórico das Zonas Livres de Armas Nucleares

O Tratado de Tlatelolco não foi o primeiro tratado a designar uma região livre de armas nucleares, apesar de ter sido o primeiro feito exclusivamente com esse propósito. Em 1959, o Tratado da Antártida proibiu a militarização da região e suspendeu as pretensões territoriais dos países sobre o continente de forma a garantir a livre exploração científica, em regime de cooperação internacional. Forças militares foram permitidas apenas como forma de garantir as pesquisas científicas e teste nucleares foram terminantemente proibidos. Como há a proibição de qualquer tipo de armamento ofensivo, o que inclui armas nucleares, considera-se que o tratado crie também uma ZLAN na Antártida, mesmo não sendo seu único objetivo.

Após o Tratado de Tlatelolco, outras regiões do mundo buscaram implementar tratados que proibissem a aquisição de armas nucleares no seu entorno. A proliferação desses tipos de acordos ocorreu em momentos distintos e de acordo com necessidades específicas de cada região, fazendo com que os acordos não sejam uniformes. Dentre os aspectos em comum das ZLANs existentes, destacam-se a proibição de aquisição de armas nucleares por países não-nuclearizados e a proscrição do uso e do estacionamento de armas nucleares nos territórios da zona, condição não prevista no Tratado de Não-Proliferação/TNP.

O primeiro tratado assinado após Tlatelolco foi o Tratado de Rarotonga, de 1985, que estabelecia o Pacífico Sul como livre de armas nucleares. Em vigor já em 1987, essa ZLAN engloba 13 países da região (Austrália, Ilhas Cook, Fiji, Kiribati, Nauru, Nova Zelândia, Niuê, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tonga, Tuvalu, Vanuatu e Samoa), além de territórios desses países, e tem como diferencial a proibição também de artefatos parcialmente montados. Micronésia, Ilhas Marshall e Palau são elegíveis para participar, apesar de não terem ingressado no acordo ainda.

O Tratado de Bangkok, de 1995, criou a ZLAN do Sudeste Asiático, compreendendo 10 países (Brunei Darussalam, Cambódia, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapore, Tailândia, Vietnam). Motivados pela escaladas de militarização da região, o acordo inclui um protocolo para comprometer as potências nucleares a respeitarem as normas da ZLAN (similar ao adotado em Tlatelolco), instituindo uma conferência para adotar medidas em caso de violação, porém nenhum país nuclearizado assinou. O argumento desses países é que a provisão do Tratado de Bangkok que estabelece a proibição de trânsito em áreas marítimas além do mar territorial dos Estados estaria em violação à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ao restringir a passagem nessas águas, além de usarem a indefinição dos limites marítimos entre os países da região causam incerteza para assumir esse tipo de compromisso.

Os países africanos também instituíram uma ZLAN com o objetivo de abarcar todo o continente, motivados pela suscetibilidade da região às disputas de outros países. O Tratado de Pelindaba, de 1996, foi assinado por todos os países do continente (com exceção ao Sudão do Sul), porém somente 40 países ratificaram até o momento (logo, 14 países somente assinaram). Além das provisões tradicionais de uma ZLAN, o tratado também proíbe o despejo de resíduos nucleares na região. Territórios situados no meio do oceano (St. Helena, Ilha Bouvet, Ilhas Crozet, Ilhas Kerguelen, Ilha Amsterdam, Samoa Americana e Ilha Saint-Paul) não são mencionados no tratado.

Unindo as Zonas Livres de Armas Nucleares criadas pelos tratados acima, percebe-se que todo o hemisfério sul é livre de áreas nucleares (em azul na imagem), o que revela a acolhida dos parâmetros estabelecidos incialmente em Tlatelolco e demonstra os esforços coletivos do sul global na temática do desarmamento.
OBS: tecnicamente algumas ilhas não estão protegidas, como mencionado na ZLAN africana, porém são poucas e de pequena extensão territorial.

zlan

A última ZLAN a ser constituída foi na Ásia Central por meio do Tratado de Semipalatinsk, de 2006, que conta com 5 países (Quirguistão, Uzbequistão, Turquemenistão, Tajiquistão e Cazaquistão). A região foi marcada pelas armas nucleares por ter sido amplamente utilizada pela União Soviética para realizar testes nucleares. Esse tratado também proíbe a presença de artefatos parcialmente montados na região.

Há uma proposta para a criação de uma Zona Livre de Armas Nucleares no Oriente Médio. A AIEA aprovou, em 2007, uma resolução que pedia aos países da região que estabelecessem uma zona onde as armas nucleares não sejam “desenvolvidas, fabricadas, testadas ou adquiridas”, e onde também seja proibido o armazenamento de armas nucleares. Apesar da questão nuclear iraniana ser mais conhecida, um dos principais impeditivos a essa proposta não é o país muçulmano, mas Israel. Haveria a eventual necessidade de desarmar Israel para conformar essa ZLAN – o país nunca assumiu possuir armas nucleares, mas há indícios que seja nuclearizado. Mesmo não assumindo sua capacidade nuclear, Israel se diz contrário à proposta, já que vê a possibilidade de poderio nuclear como poder dissuasório na região, marcada pela instabilidade.

Claudia Comenta: Adjunto Adnominal x Complemento Nominal

Domínio da sintaxe é parte fundamental para fazer a prova de Língua Portuguesa do CACD, mas alguns candidatos têm dificuldade em distinguir a função sintática de termos em uma oração, principalmente se esses termos tiverem estruturas similares. Esse é o caso dos adjuntos adnominais e dos complementos nominais, que podem causar confusão para quem não prestar atenção.

Para tirar todas as dúvidas sobre esse assunto, a professora Claudia Simionato explicou, no vídeo abaixo, 3 questões do Cespe que abordam as diferenças entre esses termos. Como você vai reparar, é bem menos complicado do que parece.

CESPE – CACD 2016

AACN 01.png
Fonte: Walnice Nogueira Galvão. Indianismo revisitado. In: Esboço de figura – Homenagem a Antonio Candido. São Paulo: Duas Cidades, 1979, p.379-89 (com adaptações)

Acerca das relações semântico-sintáticas e do vocabulário do texto II, julgue (C ou E) o item seguinte.

Os termos “trágico” (l.15), “de Uirá” (l.16) e “deste século” (l.16) exercem a mesma função sintática, na oração em que ocorrem.

Gabarito: Certo

CESPE – CACD 2011

AACN 02.png
Fonte: Cecília Meireles. Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência. In: Romanceiro da Inconfidência. 3.ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005, p. XVI-XVII (com adaptações).

Considerando as relações morfossintáticas no texto bem como os recursos estilísticos nele empregados, julgue (C ou E) os itens subsequentes.

Os vocábulos “decorrência” (l.11), “condizente” (l.25) e “irreprimível” (l.26) regem termos que lhes complementam, necessariamente, o sentido.

Gabarito: Errado

CESPE – TRE-RS 2015

AACN 03.png

Considerando os aspectos gramaticais do texto Voto eletrônico, assinale a opção correta.

a) Os termos “de convocação” (l.22) e “de grande número de eleitores” (l. 22 e 23) desempenham a mesma função sintática.

Gabarito: Certo

Dica Sapi: Podcast sobre relações China-Rússia

Com a eleição de Donald Trump, a dinâmica trilateral entre Estados Unidos, China e Rússia vem ganhado destaque nas análises políticas internacionais. Apesar de relações distantes no passado, Rússia e China vem se aproximando nos últimos anos em diversas áreas, desde cooperação econômica e concertação política até questões mais sensíveis como segurança regional e energia. Essas relações bilaterais, ainda em desenvolvimento, lidam agora com esse novo ator na política internacional, que pode alterar as tendências de aproximação observadas recentemente.

A Dica Sapi de hoje aborda as relações bilaterais entre os gigantes asiáticos e o impacto para suas respectivas relações com os Estados Unidos. Promovido, no fim de Janeiro, pelo Center for Strategic and International Studies, um instituto de pesquisa sediado em Washington, o podcast (em inglês) debate como a Rússia se enquadra dentro do panorama global da política externa chinesa e como Moscou enxerga a sua posição e as suas prioridades no continente asiático, além de apontar possíveis ramificações para as relações com o Ocidente dos dois países.

 

 

Tratado de Maastricht e os 25 anos da União Europeia

UE.jpegEnquanto a Câmara dos Comuns do Reino Unido debatia, no dia 7 de fevereiro, o projeto de lei que autoriza o governo britânico a iniciar a saída da União Europeia, era comemorado o aniversário de 25 anos da assinatura do Tratado de Maastricht (1992), que criou a própria UE. A aprovação do projeto de lei britânico (ainda que pendente a ratificação pela Câmara dos Lordes) em meio ao que seria a celebração do projeto integracionista é emblemática das dificuldades que o bloco europeu vem enfrentando nos últimos anos. Posições nacionalistas e eurocéticas vem ganhando força dentro do espaço da União Europeia e questionando a capacidade de manutenção e aprofundamento do bloco. Essa não é a primeira vez, entretanto, que a integração europeia tem que lidar com discursos contrários ao projeto integracionista ou com dificuldades econômicas e estruturais.

O início da integração europeia

A ideia de uma integração europeia abrangente surge dos escombros da 2a Guerra Mundial. Pensadores e políticos europeus viam na cooperação entre os países da região a possibilidade de neutralizar rivalidades e trabalhar em prol da estabilidade na região, evitando um novo conflito militar. A grande articuladora inicial desse projeto integracionista era a França, por meio de Jean Monet e Robert Schuman, hoje conhecidos como “pais da Europa.” Quando era ministro das Relações Exteriores da França, Schuman defendeu a criação de uma Europa organizada que garantisse a manutenção da paz entre os países da região. A Declaração Schuman, como ficou conhecida, serviu de base para o estabelecimento da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), em 1951, pelo Tratado de Paris. Baseada na Teoria da Paz Liberal, a CECA tinha dois objetivos principais: um político (a aproximação entre França e Alemanha, rivais históricos na região) e um econômico (a criação de um mercado comum para carvão e aço). A combinação desses objetivos visava a promoção do desenvolvimento econômico desses países, já que eram setores dinâmicos para ambos, além de trazer para o âmbito da cooperação internacional um setor sensível das relações – exemplificado pela importância da região da Alsácia-Lorena para o conflito entre os países.

É importante notar que, já na CECA, havia a escolha pela supranacionalidade, que diferencia a União Europeia de outros processos integracionistas atuais. A existência da Alta Autoridade Europeia para Carvão e Aço, defendida por Schuman, visava o estabelecimento de bases comuns para o desenvolvimento econômico e transparência no setor extremamente sensível (pela sua relação estreita com a indústria armamentista). Apesar do foco da CECA ser a relação franco-alemã, o projeto estava aberto para qualquer país que desejasse integrar, como foi o caso da Itália e dos países da BENELUX (Bélgica, Holanda e Luxemburgo).

OBS: para saber mais sobre a Declaração Schuman, sugerimos um vídeo (em inglês) publicado pelo EPP Group (grupo de políticos pró-integração do Parlamento Europeu). Cliquei aqui para assitir.

Evolução da integração

A reconciliação entre França e Alemanha e a retomada do desenvolvimento econômico na região impulsionaram a criação de outros mecanismos integracionistas na Europa. Por meio do Tratado de Roma, de 1957, foram criadas a Comunidade Econômica Europeia (CEE), com o objetivo de criar um mercado comum entre os países-membros, e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom), para promover a cooperação na área de energia. A Euratom existe ainda hoje e atua à margem da União Europeia.

Após a promissora década de 1950, a integração europeia passa por seu primeiro desafio: um período decepcionante de estagnação durante os anos 1960, causado, principalmente, pela mudança de atitude da França em relação ao projeto regional. Conhecido como “desafio francês à integração”, a França de Charles de Gaulle passa a ver com desconfiança tanto a influência dos Estados Unidos no continente europeu quanto a supranacionalidade das comunidades, temendo a irrelevância da vontade soberana dos membros e a relegação da França a potência de 2a grandeza no contexto internacional. A influência norte-americana foi, inclusive, uma das razões para o veto francês à entrada do Reino Unido nas comunidades europeias, devido à estreita relação que mantinha com a antiga colônia. Por causa do obstrucionismo francês, a década de 1960 não teve grandes avanços na integração, contando, basicamente, com o Tratado Unificador, de 1965, que criava uma comissão e conselho único para as três comunidades existentes e tornava a entrada unificada (“assina um, assina todos”).

A renúncia de De Gaulle, em 1969, e a chegada de euroentusiastas ao governo francês parecia indicar novo fôlego à integração, porém as dificuldades econômicas dos anos 1970 provocam dificuldades para o processo integracionista. Estagnação econômica, inflação e desemprego estrutural (processo conhecido como euroesclerose) leva a uma situação de desalento em relação à integração europeia (europessimismo) e ao recrudescimento do protecionismo. Ainda assim, a década não foi tão decepcionante quanto a anterior: apesar de não ocorrer o aprofundamento da integração, houve a ampliação da mesma, com a primeira entrada de novos membros na CEE. Em 1973, Dinamarca, Irlanda e Reino Unido passam a fazer parte do processo regional.

A entrada dos primeiros novos membros não requereu grandes investimentos dos países da CEE, porém os alargamentos posteriores envolveram uma grande injeção de dinheiro para promover o desenvolvimento da Grécia (que ingressa em 1980) e de Portugal e Espanha (1986). O compromisso com a integração efetiva dos membros é uma diferença em relação ao MERCOSUL, por exemplo, onde as membros menos desenvolvidos não tiveram o mesmo apoio financeiro na hora de integrar o bloco regional. Os anos 80 também foram importante para o aprofundamento da integração e o seu relançamento após anos de dificuldade. O Ato Único Europeu, de 1987, promoveu a simplificação normativa da integração regional, além de retomar o compromisso com o mercado comum até 1992. O Ato Único apontava para a eventual adoção de uma moeda única e de uma política externa comum, além de ser o responsável pela adoção do termo Comunidade Europeia (CE). Esse acordo foi a base para todo o desenvolvimento da década seguinte, inclusive para a assinatura do Tratado de Maastricht.

Criação e estabelecimento da União Europeia

A evolução normativa que o projeto integracionista europeu vinha desenvolvendo chega a um momento decisivo com o Tratado de Maastricht, de 1992, quando é acordada a criação de uma união econômica e monetária entre os 12 membros da Comunidade Europeia. Isso não seria uma tarefa fácil devido às questões relativas à soberania nacional que o tratado desenvolvia. Com a criação da União europeia, três pilares são estabelecidos para o bloco regional: o pilar econômico, a política externa e de segurança comum (PESC) e a cooperação policial e judiciária. Somente o caráter econômico da UE tem tratamento supranacional, o que significa que, em negociações comerciais, os países do bloco não têm soberania para fazer acordos separadamente (o que é possível para outras áreas como militar, cultural, etc.). O caráter intergovernamental dos outros dois pilares da UE faz com que ela seja uma estrutura de governança multinível, podendo se apresentar como uma federação de Estado (supranacional) ou como uma confederação de Estados (intergovernamental) dependendo do tema abordado. Temas de segurança são considerados high politics e os países têm menos disposição de cooperar e, principalmente, de relativizar a soberania, pois entendem como a perda de poder no sistema internacional.

Apesar da importância do Tratado de Maastricht e da criação de uma união econômica e monetária no continente europeu, ele não deve ser entendido como ponto de chegada da integração, e sim como ponto de partida. A partir do Tratado de Maastricht, a integração europeia passa a lidar com os requisitos para a conformação e formatação dessa união, desde questões econômico-financeiras, até questões identitárias e de representação. Por isso, o aprofundamento normativo do bloco europeu continua nos anos seguintes, assim como a ampliação do processo. Em 1995, mais três países ingressam na UE (Suécia, Finlândia e Áustria) e, em 1997, é assinado o Tratado de Amsterdã. Nesse acordo, há maior ênfase na dimensão social da integração e ocorre a incorporação do Acordo Schengen, de 1985 e negociado completamente às margens do processo comunitário, às normas regionais. O Tratado de Amsterdã também buscou simplificar o complexo conjunto de normas existentes (CE, Euratom, UE), mas algumas questões institucionais só seriam solucionadas posteriormente.

Para se adequar à possibilidade de ampliação para o Leste Europeu, foi assinado o Tratado de Nice, em 2001, onde os países acordaram flexibilizar o voto por unanimidade, adotando o critério da maioria qualificada (ponderada pela população de cada Estado). Após esse tratado, ocorre a maior ampliação do processo integracionista, com a entrada, em 2004, de Chipre, República Checa, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Eslováquia e Eslovênia, marcando a projeção da UE para o Leste Europeu e a área de legado pós-soviético.

O formato final para a União Europeia é firmado, em 2007, com o Tratado de Lisboa. Esse tratado pode ser considerado como uma “constituição europeia”, apesar da tentativa de se estabelecer uma constituição formal (Tratado Constitucional Europeu/TCE, de 2004) ter sido rejeitada pela população em plebiscitos. Com o Tratado de Lisboa há a eliminação da linguagem comunitária do processo integrador, extinguindo a Comunidade Europeia (de forma a evitar confusão entre CE e UE), e a extinção dos pilares da União Europeia, criando competências dentro do bloco. São estabelecidas competências exclusivas à UE (temas comerciais e aduaneiros), partilhadas (Estados detêm, mas podem compartilhar com UE, como ocorre com agricultura, meio ambiente e energia) e de apoio (Estados não podem repassar à UE, como educação, cultura, indústria). O tratado também confere personalidade jurídica à União Europeia e reconhece a necessidade de combater o déficit democrático da integração, instituindo medidas de maior participação popular (como a iniciativa popular legislativa e o fortalecimento do Parlamento Europeu). Após o tratado, Bulgária e Romênia (2007) e Croácia (2013) também entram na União Europeia.

Gabarito de Espanhol: Pretérito Indefinido e Imperfecto

¿Listos para las respuestas del desafío de ayer? Pero antes hemos preparado un breve resumen del Pretério Indefinido e Imperfecto.

Pretérito Imperfecto: describe, en el pasado, procesos o acontecimientos repetidos o habituales. También expresa circunstancias, procesos o acciones pasados sin definir inicio ni final.
– Circunstancia(s) o escenario

Pretérito Indefinido: expresa acontecimientos puntuales en el pasado, en un momento indicado o que se da por conocido que no incluye el momento del habla.
– Acontecimiento(s) puntual(es)

Completa las frases utilizando el Pretérito Imperfecto:

1. Alonso Quijano vivía leyendo novelas sobre caballeros y soñaba con ser caballero andante, tanto que enloqueció.
2. Antes salíamos tarde porque íbamos en coche. Ahora salimos más temprano porque vamos en ómnibus.
3. Cuando tenía 20 años, era delgado y llevaba barba. Ahora que tiene 40, es un poco gordito y lleva bigote.
4. Todos los fines de semana andábamos en bici y paseábamos por la ciudad. (nosotros)

Completa las frases utilizando el Pretérito Indefinido:

1. Nosotros festejamos nuestro aniversario de casado por la última vez el año pasado. Cogimos el coche y recorrimos algunas playas que nos gustan.
2. Joaquín estuvo un mes en Europa y no trajo nada.
3. Nosotros estuvimos en Alemania gracias a un programa de intercambios estudiantiles, del cual pudimos participar el año pasado.
4. De todos los corredores que hubo en la maratón, apenas la mitad consiguió terminarla.

Elige el tiempo verbal adecuado (Indefinido o Imperfecto):

1. El recital se desarrollaba con tranquilidad hasta que en un momento se cortó la luz.
2. La última vez que me visitasteis con vuestro hijo aún vivíais en Barcelona.
3. La noche era calma y estrellada, pero de repente empezó a llover y tuvimos que refugiarnos en una parada de autobús.
4. Cuando comencé la facultad quería ser veterinario, pero después cambié de carrera.

 

Desafio de Espanhol: Pretérito Indefinido e Imperfecto

El uso correcto del pretérito Indefinido e del pretérito Imperfecto puede ser más complicado de lo que parece. ¿Por qué no pruebas cómo esta tu comprensión sobre este tema?

¡Inténtalo!

Las respuestas estarán en el post de mañana.

Completa las frases utilizando el Pretérito Imperfecto:

1. Alonso Quijano (vivir) leyendo novelas sobre caballeros y (soñar) con ser caballero andante, tanto que enloqueció.
2. Antes (salir) tarde porque (ir) en coche. Ahora salimos más temprano porque vamos en ómnibus.
3. Cuando (tener) 20 años, (ser) delgado y (llevar) barba. Ahora que tiene 40, es un poco gordito y lleva bigote.
4. Todos los fines de semana (andar) en bici y (pasear) por la ciudad. (nosotros)

Completa las frases utilizando el Pretérito Indefinido:

1. Nosotros (festejar) nuestro aniversario de casado por la última vez el año pasado. (Coger) el coche y (recorrer) algunas playas que nos gustan.
2. Joaquín (estar) un mes en Europa y no (traer) nada.
3. Nosotros (estar) en Alemania gracias a un programa de intercambios estudiantiles, del cual (poder) participar el año pasado.
4. De todos los corredores que (haber) en la maratón, apenas la mitad (conseguir) terminarla.

Elige el tiempo verbal adecuado (Indefinido o Imperfecto):

1. El recital (desarrollarse) con tranquilidad hasta que en un momento (cortarse) la luz.
2. La última vez que me (visitar) con vuestro hijo aún (vivir) en Barcelona.
3. La noche (estar) calma y estrellada, pero de repente (empezar) a llover y (tener) que refugiarnos en una parada de autobús.
4. Cuando (comenzar) la facultad (querer) ser veterinario, pero después (cambiar) de carrera.