5 coisas que as pessoas não sabem sobre o Concurso do Itamaraty

Olá, sapientes!

Você sabe tudo sobre o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD)?

Hoje vamos te contar cinco curiosidades que muita gente não sabe sobre o Concurso do Itamaraty. Vamos nessa?

  • Acontece todo ano

Já vimos batendo nessa tecla aqui no blog há algum tempo: desde a criação do Instituto Rio Branco (IRBr), em 1946, todo ano ocorreu algum concurso para o Itamaraty. Claro, houve mudanças ao longo desse período. O CACD, por exemplo, só passou a existir com esse nome a partir de 1996, e mesmo o CACD sofreu alterações até os dias de hoje.

Ainda não há nenhuma notícia oficial sobre edição de 2018 do Concurso. Apesar disso, dada a regularidade que vem sendo apresentada nas últimas décadas, podemos afirmar com segurança: o CACD 2018 está vindo! Por isso, é bom ir se preparando.

  • Já chegou a disponibilizar mais de 100 vagas por edital

Entre 2006 e 2010, foram criadas cerca de 105 vagas por ano no Itamaraty. A decisão de expansão dos quadros se inseria em uma estratégia de ampliação da presença internacional do Brasil. Após esse período, a média voltou a ser como era antes: cerca de 30 vagas, mais voltadas à constante renovação do Ministério das Relações Exteriores. Mas pode ter certeza: todo candidato ainda sonha que o tempo das chamadas “turmas de 100” volte…

  • É realizado em todas as capitais

Os candidatos aprovados no CACD iniciam seus trabalhos em Brasília-DF. A prova, entretanto, é realizada em todas as capitais estaduais (além de Brasília). De Boa Vista-RR a Porto Alegre-RS, de Rio Branco-AC a João Pessoa-PB, você não precisa cruzar o país para prestar o CACD.

Existe uma exceção, contudo: em 2017, os candidatos aprovados na Primeira Fase que disputaram as vagas para negros foram convocados a participar de uma Comissão de Verificação, em Brasília, antes da realização das últimas etapas. É possível que esse padrão se mantenha em 2018.

  • Apenas 300 passam na primeira fase

Nos últimos anos, o CACD vem sendo composto por três fases: a primeira fase (conhecida como TPS) é formada por questões objetivas, enquanto que a segunda e terceira fases são compostas por questões discursivas.

O TPS funciona como uma barreira de contenção para as próximas fases. É o famoso “peneirão”: como as questões discursivas das últimas fases demandam uma correção subjetiva, é preciso limitar a quantidade de candidatos por questões operacionais. Chato, porém necessário.

Em cada um dos últimos dois anos, apenas os trezentos primeiros, de cerca de 6.000 candidatos, tiveram a chance de fazer as fases discursivas. Será que essa tendência se mantém para 2018? Vamos aguardar!

  • É um concurso de médio/longo prazo

Essa vai para aquela sua tia que adora perguntar: “Mas você ainda não passou nesse concurso?”

Bom, titia, a média de tempo de estudos dos aprovados no CACD não costuma ser muito curta. Segundo o Guia do Orlando Lagartixa, compilado com as respostas dos aprovados no CACD 2015, a média de preparação foi de 3,4 anos. Para os aprovados em 2016, a média foi de 4,5 anos, segundo o Guia do Texugo Melívoro.

Claro, não é impossível ser aprovado de primeira. Em 2017, por exemplo, um dos aprovados passou com apenas dez meses de estudo. Lembre-se: não há fórmula mágica da aprovação; cada candidato tem sua trajetória. Apesar disso, faz parte da preparação do concurso estar pronto para passar alguns anos estudando. A persistência é uma característica essencial na jornada rumo ao Itamaraty, seja no curto ou no longo prazo.

E aí, quantas dessas coisas você já sabia? Segue o Sapi para aprender mais sobre o CACD! Você também pode acompanhar a gente no Instagram e no Facebook!


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Congresso ou Congressos de Viena? – 203 anos do paradigmático Concerto Europeu

Olá, amigos e amigas CACDistas!

Sabemos que o Concerto Europeu é um tema muito importante para nossa prova. Estatisticamente, é o tema que mais se erra. Dessa sorte, devemos compreender bem toda a sistemática da chamada ordem de Viena a partir de uma visão muito específica, já que a banca tem chegado a questionamentos tão “nano-detalhados”. Quais as alterações territoriais e geopolíticas que o Congresso de Viena gerou para as relações internacionais à época? Quais foram os destaques negociais das noites de Viena? Foi um Congresso com procedimentos definidos? A Noruega ficou com a Suécia? A Saxônia ficou sob o manto prussiano? Qual o cardápio servido por Metternich? (será que fariam essa? kkkkk)

Alors,

Após a queda de Napoleão, depois de Waterloo, por ocasião da segunda abdicação de Napoleão e da assinatura das atas do Congresso de Viena, a situação caracterizava-se pela restauração. A sociedade clamava por paz e por ordem. Esse espírito sensibilizou as classes conservadoras nos países que se sagraram vencedores.

O trauma vivido desde a assunção de Napoleão ao poder passou a ser encarado como um verdadeiro paradigma a não ser continuado, ou seja, um modelo negativo de organização da ordem mundial. Em determinados cercos desejava-se o retorno ao status quo de 1789, com a volta do Ancien Régime e consequente anulação dos efeitos da Revolução Francesa.

Os estadistas mais importantes à época entendiam, todavia, que uma restauração completa da velha ordem não seria mais possível. Certamente, os franceses não tolerariam o retrocesso à escravidão, à miséria; não concordariam em devolver suas terras confiscadas pela nobreza e pelo clero; bem como, não retroagiriam nos direitos constitucionais limitadores dos poderes absolutistas do rei, a partir da Carta de 1814.

A responsabilidade de solucionar dilemas como esse, porém em âmbito regional e sistêmico, após um período extremamente conflituoso que abalou o ocidente, ficou a cargo do Congresso de Viena.

A terminologia – Congresso de Viena -, no entanto, não é a mais apropriada, pois, na realidade, jamais ocorreu uma sessão plenária com a presença de delegados de todas as nações europeias. Em verdade, foram reuniões de pequenas comissões que se encontravam para discutir e decidir sobre a grande questão do momento – a conformação territorial no pós-guerra napoleônico.

Os principais delegados que compareceram às negociações foram: Alexandre I da Rússia, Metternich da Áustria, os reis da Prússia, da Dinamarca, da Baviera e de Württemberg; a Inglaterra estava representada pelo Lord Castlereagh e por Wellington, o “Duque de Ferro”; e a França estava representada por Talleyrand.

Ao se reunirem em Viena, em 1814 e 1815, as grandes potências tinham de enfrentar a problemática da balança de poderes que iria nortear as relações internacionais a partir de então. Era preciso conter o movimento revolucionário à Napoleão que influenciou territórios desde a África setentrional, passando pela Europa continental, até o interior da Rússia. Com o Pacto da Santa Aliança (26 de setembro de 1815) acordado pelas monarquias absolutistas católicas da Áustria, da Prússia e da Rússia pretendia-se colocar as relações internacionais sob as bases da unidade cristã. A proposta restava abertas às demais cortes europeias. Rapidamente, a Grã-Bretanha juntou-se à coalizão para conformar a Quádrupla Aliança, em 20 de novembro do mesmo ano, admitindo, em seguida, a presença francesa em suas reuniões que mais completou o ciclo de alianças com a Quíntupla Aliança.

A ideia básica que orientou os trabalhos do Congresso de Viena foi o princípio da legitimidade. Criado por Talleyrand como meio de proteger a França de severas punições por parte de seus vencedores, mas acabou sendo apropriada por Metternich como expressão da política geral de reação. Isso significava que as dinastias reinantes da Europa nos tempos pré-revolucionários deveriam ser restauradas e que cada país deveria readquirir essencialmente os territórios que possuía em 1789. A partir desse princípio, vários arranjos territoriais e dinásticos retomaram suas formas. Luís XVIII retorna ao trono na França, a Casa de Orange volta à Holanda, Casa de Sabóia no Piemonte e na Sardenha, os Bourbons da Espanha e das Duas Sicílias, o reino da Polônia, fundado por Napoleão, era extinto e o país era dividido entre Rússia, Áustria e Prússia….e assim o mapa da Europa se redesenhava.

A primeira demonstração do concerto dos cinco grandes se deu, ainda, em Viena. As decisões do congresso foram guiadas, como mencionado, pelo princípio da legitimidade do poder dos príncipes, de modo que, assim, conseguiram conter o ímpeto revolucionário e restabeleceram as autoridades destituídas por Napoleão. Por outro lado, foram direcionados pelo princípio do consenso entre os grandes para manter a paz e construir uma nova ordem conforme a conveniência e cobiça nacionais de cada país.

Em meio a essa conjuntura, a Inglaterra, valendo-se de sua condição de potência industrial e financeira, conseguiu fazer prevalecer suas concepções sobre as das potências reacionárias. Enquanto Viena cogitava o equilíbrio em termos europeus e otomanos, a City londrina via a Europa como uma balança global, que incluía as Américas e os oceanos. Necessitava a Inglaterra da paz europeia. Apenas nesse aspecto, a visão inglesa coincidia com a visão russa, cuja área de expansão situava-se em outra região – na Ásia. De modo geral, contudo, é crucial que se entenda que o grande conflito geopolítico ficou entre Baleia britânica e o Urso russo e não mais entre britânicos e franceses.

A divisão da Europa, no entanto, em potências reacionárias (Áustria, Prússia e Rússia) e potências liberais e constitucionais (Grã-Bretanha e França) oferece pouca explicação para as relações internacionais advindas do Congresso de Viena. Verifica-se, pois, que a ordem de Viena ou ordem de Metternich estabelece certa estabilidade entre as grandes potências, o que não significa que há equilíbrio entre elas, haja vista que, mesmo com a estabilidade promovida pela adesão da França nas negociações como país vencido, os desequilíbrios eram patentes entre as nações.

Percebe-se, então, que o exercício da hegemonia coletiva era marcado pela flexibilidade sistêmica, uma vez que cada Estado tinha interesses próprios. A Inglaterra levava à mesa os interesses macroeconômicos de sua expansão capitalista e de classe (liberalismo, comércio e constitucionalismo). A França a acompanhava nesse sentido. As três monarquias absolutistas, em contrapartida, se esforçavam para conter as liberdades e as aspirações democráticas em seus territórios, bem como em suas vizinhanças. O ponto de entendimento entre democracia e absolutismo era, pois, um desafio do concerto regional, visto que os dois grupos agiam em sentidos antagônicos. Os demais Estados – as múltiplas independências – liberais e autoritários, ao cabo, tinham de se integrar àquela engenharia de poder, já que não tinham direito de voz ou voto. Os grandes dirigiam o concerto sem o consentimento dos pequenos, presumindo, porém, que sua política estivesse refletindo realidades.

Entre 1815 e 1848, as cinco grandes potências agiam como diretórios, usando o direito de intervenção coletiva. As divergências situavam-se mais na administração do sistema do que nas relações bilaterais propriamente ditas, o que fez com que prevalecesse a razão do sistema sobre a razão do Estado. O papel de Metternich foi, pois, o principal destaque no período. A conduta das diplomacias de conferências e o balanço dos efeitos do exercício da hegemonia coletiva não podem ser qualificados simplesmente como reacionários. Os cinco acabaram por admitir independências na América e na Europa, bem como governos liberais na Espanha e em Portugal. Agiam sob os preceitos da estabilidade e da intervenção por acordo ou aquiescência a fim de manter o equilíbrio daquele condomínio de poder. Ao mesmo tempo que Grã-Bretanha e Rússia voltavam-se para fora da Europa, zelavam pelo equilíbrio sistêmico em seu interior.

Passemos agora aos grandes congressos ou reuniões. Isso aqui não cai, despenca!!

OS CINCO GRANDES CONGRESSOS

1814-1815: Congresso de Viena (ponto de inflexão)

Responsável pelas alterações territoriais e políticas europeias. França ficou sob ocupação por 3 anos, já que o exército francês não tinha a confiança devido o histórico revolucionário. Além disso, ficou obrigada a pagar uma indenização por cinco anos e perde a maioria de suas conquistas pós-1789. Por outro lado, a Prússia logrou o território da Renânia e parte da Saxônia. Já a Rússia insatisfeita, embora tenha sido contida pela ordem de Metternich, consegue a Finlândia e maior parte da Polônia. A Holanda, por sua vez, recebe os Países Baixos do sul (a Bélgica). A Áustria sei com os territórios da Lombardia e de Venécia. A Inglaterra, por conseguinte, preocupada em dominar os mares, de modo que, no mar do Norte, consegue dominar a Helgolândia, no mediterrâneo, consegue as ilhas de Malta e as ilhas Jônicas, além das colônias do Cabo e do Ceilão. A Confederação Alemã sai com seus trinta e oito Estados, mais tarde com trinta e nove, sob o equilíbrio de Áustria e Prússia. Por fim, a Noruega anexa o território da Suécia.

1818: Congresso de Aix-la-Chapelle

Foi a reunião que reincorporou a França, derrotada e pouco ouvida em Viena, ao concerto das nações, após deliberação da Quádrupla Aliança e conclusão de que a ocupação jacobina já não representava perigo à manutenção do sistema. Aqui, nasce a Quíntupla Aliança.

1819: Congresso de Carlsbad

Resulta o conjunto de decretos de Carlsbad contra levantes liberais de jovens universitários da Confederação Alemã (Áustria + Prússia).

1820: Congresso de Viena

Congresso que decide o concerto interno da Confederação Alemã.

1820: Congresso de Troppau

Em Troppau, discute-se o procedimento e é decidido o Protocolo de Troppau.

1821: Congresso de Laybach

A tônica dessa reunião era a discussão dos levantes liberais na Itália e na Alemanha.

1822: Congresso de Verona (fim do sistema de congressos)

O problema aqui eram as revoluções ibéricas. Como resolver a Revolução Liberal na Espanha. Nessa conjuntura, a Inglaterra se retira do sistema de congressos, o que não significa seu rompimento com o Concerto Europeu. Ao final desse congresso, decide-se pela intervenção da França na Espanha. O que mais tarde servirá como argumento para as intervenções no processo de independência da Grécia.

Curtiu? Fique ligado no Blog Sapi e saiba sobre o que há de mais relevante para o CACD.


Novo ataque do Ocidente contra a Síria: 3ª Guerra Mundial?

Olá Sapientes!

Parece que a situação no território sírio voltou a complicar mesmo com a expulsão do Estado Islâmico, não é mesmo? Entenda o que acontece em meio às disputas globais.

O contexto histórico da guerra na Síria teve origem em 2011, por meio de protestos da população durante a Primavera Árabe contra os altos níveis de desemprego, corrupção e ausência de liberdade política, culminando em uma verdadeira guerra civil. Na Síria, vemos os EUA que lutam pela derrubada do governo do ditador Bashar Al-Assad, enquanto que a Rússia, juntamente com o Iraque, luta pela sua permanência no poder. Além disso, o Estado Islâmico ou Daesh, denominação menos popular, perdeu território e força na Síria, boa parte devido a diversas ações de Al-Assad e seus aliados, envolvendo grandes massacres, com o objetivo de retirar as forças rebeldes religiosas que dominavam a região de Ghouta Oriental desde 2012. Foi objetivo dos EUA, já durante o governo de Donald Trump, ajudar a derrubar este grupo religioso extremista. Porém, a posição dos EUA definitivamente não é mais esta durante a guerra que perdura anos.

Atualmente, há um conflito latente entre os EUA, com os países aliados, e a Rússia no Oriente Médio. A resolução das controvérsias por meio da ONU entre essas duas potências mundiais não é uma tarefa fácil, já que ambos possuem poder de veto no Conselho de Segurança. Se antes os EUA eram favoráveis à causa Síria pelo fim do Estado Islâmico, hoje, eles acusam o país pelo uso de armas químicas contra a própria população, sendo a causa das novas ofensivas aéreas das potências ocidentais coordenadas pelos EUA, Reino Unido e França na última semana, uma verdadeira sexta-feira, 13, com o lançamento de 105 mísseis em três pontos específicos: Centro de pesquisa e desenvolvimento em Barzeh, um bunker em Him Shinshar e um armazém também localizado em Him Shinshar. Além disso, os agentes da Opaq (Organização para a proibição das armas químicas), autorizados pela ONU, foram até a cidade atingida para fazer a inspeção, mas não conseguiram chegar até o local devido a não garantia de segurança por parte do governo de Bashar Al-Assad e da Rússia, o que impediu uma investigação internacional mais contundente.

De acordo com as potências ocidentais, há uma desconfiança de que no início do mês de abril deste ano, o governo do ditador sírio atacou com armas químicas uma cidade periférica à capital controlada por rebeldes denominada Douma. Uma das substâncias foi identificada como gás de cloro, uma substância tóxica altamente nociva em lugares fechados, tendo como principais sintomas formação de espuma na boca, irritação da córnea e pupilas dilatadas. Além desta substância, outras podem ter sido utilizadas simultaneamente, como o gás sarin.  O Secretário das Nações Unidas, António Gutierrez, disse que “o uso de armas químicas é abominável e uma clara violação ao Direito Internacional”.

Há uma guerra de versões: enquanto que Bashar Al-Assad afirma tudo isso ser uma acusação fabricada pelos aliados e a Rússia dizer que este ataque faz parte de mais uma encenação ocidental frente à campanha russófoba por meio da participação dos serviços especiais americanos, França e Inglaterra atacam veementemente o regime, declarando a autoria do governo sírio e afirmando que todos os esforços serão feitos para remover a capacidade química altamente destrutiva do país. O que se sabe é que uma solução pacífica entre o ocidente e Síria e Rússia infelizmente parece longe de acontecer.


O que fazer (e o que NÃO fazer) quando sair o edital do CACD 2018

Olá, sapientes!

Como vão os estudos?

Já estamos na metade de abril, e a cada dia que passa o CACD 2018 fica mais perto…

Se seguir o calendário do ano passado, o edital para o concurso deste ano deve sair por volta de junho.

Seja quando for, você já sabe o que fazer quando esse dia chegar?

Hoje vamos dar algumas dicas sobre o que fazer (e o que não fazer!) quando o edital do CACD 2018 sair. Vamos lá?

  • M A N T E N H A   A  C A L M A

Os espaços e a caixa-alta não foram usados à toa. Esse é o primeiro e mais fundamental conselho, mas também um dos mais difíceis de seguir. Assim que o edital sair, não se desespere! Respire fundo, prepare uma xícara de café e comece a ler os tópicos. Uma, duas, três, quantas vezes for necessário. Ah, isso nos leva à segunda dica…

  • Leia TODO o edital

O edital é o manual de instruções do concurso. É ali que estão as regras do jogo. E você quer jogar o jogo para ganhar, não é mesmo? Logo, é importante destrinchar cada ponto do edital para não ter nenhuma surpresa depois.

É verdade que boa parte do edital é copiado e colado dos anos anteriores. Mas é importante ler atentamente porque sempre pode haver alguma mudança que passamos batido. No edital de 2017, foram várias alterações: distribuição de por matéria questões na primeira fase, prova de inglês na segunda fase, prova escrita de francês e espanhol… quem sabe as novidades que o CACD 2018 vai trazer?

  • Seja honesto com sua preparação

Um dos segredos para não se desesperar com o CACD é alinhar as expectativas. O que você espera do concurso deve variar de acordo com o seu nível de preparação.

Você acabou de começar a estudar? O CACD 2018 vai ser uma chance de “conhecer o inimigo”.

Você já está estudando, mas ainda não viu todos os tópicos? A prova será um teste do que você estudou. Quanto aos demais tópicos, o que você acertar é lucro!

Você já varreu todo o edital? Então vai fundo! O CACD 2018 pode ser seu momento de virar diplomata.

  • Não queira estudar assunto novo

Para quem já está estudando, o momento pós-edital é, sobretudo, um momento de revisão. O foco aqui não é aprender novos conteúdos, mas consolidar o que você já sabe. Claro, pequenas atualizações, sobretudo em Atualidades, são importantes, mas nada substancial. Depois de sair o edital, sua missão é usar bem os conteúdos que você já domina.

  • Faça um cronograma

O edital já expõe as datas de todo o processo: dia de prova, prazo para pagamento (não perca o pagamento, por tudo nesse mundo!), dias dos resultados, prazo para recursos… fique atento(a) a todas essas datas, anote num calendário, se possível.

Além disso, organize seus estudos até a prova. Geralmente, são 60 dias entre a publicação do edital e o dia da Primeira Fase (o famigerado TPS). Não é muito, mas já é o bastante para fazer uma revisão aprofundada.

  • Treine!

Muitas das questões do TPS até abordam um assunto que você já sabe, mas a redação do item pode deixar você em dúvida. Por isso, é essencial estudar a chamada “gramática Cespe”. E como se faz isso? Resolvendo toneladas de questões! É a melhor maneira de entender como a banca funciona.

Aproveite também para reservar alguns dias para resolver provas antigas, simulando as mesmas condições de prova. Quanto mais fiéis forem seus simulados, menos surpresas você terá na hora H.

  • Vá com tudo!

A publicação do CACD 2018 não é o início da sua jornada rumo ao Itamaraty, mas é uma importante etapa do percurso. Mantenha a calma, aprenda as regras do jogo e pise fundo! Com foco e muito estudo, este pode ser o seu ano.

E claro, conte com o Sapi na sua preparação! Siga-nos no Instagram e Facebook que a gente te avisa assim que sair qualquer notícia do CACD 2018.

Até a próxima!


Sugestão de Leitura: Relações Internacionais do Brasil!

Olá, amigas e amigos!

Hoje, nossa indicação de leitura é relacionada ao estudo de Relações Internacionais do Brasil – conteúdo crucial para nossa formação como futuros diplomatas.

Sabemos que, na conjuntura em que vivemos, os eventos no exterior têm impacto cada vez maior sobre nosso cotidiano, bem como sobre nosso futuro. Dessa sorte, é fundamental não só conhecer, mas também pensar os fatos que compõem a história internacional do país como condição prévia para qualquer análise de maior complexidade.

Gostaria de deixar a vocês uma sugestão de leitura voltada para  o auxílio nos estudos da História das Relações Internacionais. Indicamos, pois, a leitura da CRONOLOGIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO BRASIL de autoria do eminente professor e diplomata Eugênio Vargas Garcia, lançado pela Contraponto Editora, já em sua 3ª edição.

Bons estudos e fique ligado no Blog Sapi!!!


5 Mitos que você NÃO deve reproduzir sobre ‘O que é um Diplomata’

Olá, sapientes!

Que tal testar seus conhecimentos sobre a carreira diplomática?

Apesar de ser uma carreira amplamente conhecida, muitos mitos ainda são comuns sobre o que é um diplomata.

Hoje, vamos te mostrar 5 mitos que você não deveria reproduzir, e por quê.

  • “Diplomata só vive em festas”

Ah, as soirées do embaixador… Para muita gente, a vida do diplomata é participar de grandes eventos com a nata da sociedade, tomando champanhe e comendo chocolates. Vamos com calma!

O diplomata, além de ser um profissional como qualquer outro, é também um funcionário público. Isso significa que boa parte de sua rotina ocorre em um escritório, em reuniões, despachando com seus superiores… a burocracia é um dos aspectos do dia a dia diplomático.

Mas não se preocupe, há festas dentro e fora do ofício! Todos os anos, a turma de formandos do Instituto Rio Branco organiza uma festa temática à fantasia. A deste ano já ocorre mês que vem, e você está convidado!

  • “Diplomatas são gênios”

É essa a reação de 99% dos candidatos quando põem os olhos pela primeira vez no edital do CACD. Só sendo “gênio” para conseguir aprender aquilo tudo…

Que nada! Diplomatas são pessoas como você. Acredite, os aprovados também já tiveram medo do edital (talvez ainda tenham de um ou outro tópico). Mas ninguém nasceu sabendo todo o conteúdo: todo diplomata teve que estudar muito para poder chegar ao Itamaraty. Por isso, pode ficar tranquilo(a) que ser gênio não está nos pré-requisitos do CACD.

  • “Diplomata é obrigado a ir para o exterior”

É verdade que trabalhar no exterior é um dos grandes atrativos da carreira diplomática, mas não se preocupe: ninguém é obrigado a ir a lugar nenhum. Inclusive, muitos postos funcionam dentro do Brasil, especialmente em Brasília. É importante frisar que tempo de serviço no exterior é requisito para a ascensão na carreira; entretanto, tudo é feito de acordo com as escolhas do diplomata, dentro da disponibilidade de vagas.

  • “Os diplomatas só ficam em Brasília”

Outro mito comum. O centro das atividades em território nacional está em Brasília, de fato. No entanto, o Itamaraty conta com nove Escritórios de Representação para vários locais do País: Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Região Norte (o escritório fica localizado em Manaus-AM) e Região Nordeste (localizado em Recife-PE). O objetivo dos escritórios é dar apoio às atividades do Itamaraty junto ao governo e à comunidade locais.

  • É uma carreira “elevada”

A função diplomática conquistou uma posição de prestígio ao longo das gerações. No Brasil, dado o bom serviço prestado pelo Ministério das Relações Exteriores ao longo da história do País, isso não foi diferente. Por isso, não impressiona que várias pessoas se sintam atraídas pela carreira.

Ao mesmo tempo, é preciso tomar cuidado para não pôr o Itamaraty em um “pedestal”. Isso é essencial na preparação para o CACD: o acesso ao cargo de diplomata é por concurso público, o que significa que é preciso seguir uma metodologia de estudo, como ocorre em qualquer concurso.

Também é importante reconhecer que o diplomata é um funcionário público como qualquer outro, o que significa que, acima de tudo, sua função é prestar seus serviços ao povo brasileiro. Ter essas noções em mente não diminui a importância da carreira; pelo contrário, é um reconhecimento do valor que o diplomata tem para a sociedade.

E aí, gravou os mitos? Fique ligado(a) em nosso blog para mais conteúdo sobre a carreira de diplomata!

Ah, e aproveite: hoje (quinta-feira, 12 de abril), às 20h, o Sapi te convida para bater um papo com o diplomata Gustavo Ziemath! Para participar é só se inscrever aqui.

Até a próxima!


Sete de Abril de 1831 – Verdadeira Data da Independência do Brasil. Será??

Olá, amigos e amigas CACDistas!!

Duas datas guardam, efetivamente, altíssimo valor histórico, por conseguinte, balizam todo o processo histórico brasileiro e devem ser cuidadosamente estudadas por nós: a abertura dos portos, em 28 de janeiro de 1808, e a abdicação de dom Pedro I, em 7 de abril de 1831.

A transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, é, geralmente, apontada pela historiografia como o marco inicial do processo de Independência política do Brasil. De fato, o Brasil somente passaria por mudanças importantes em sua condição de Colônia a partir da migração da Corte portuguesa (com certeza, assunto para outro post) que comemora esse ano 210 anos – ô loco!!!

Conquanto o Brasil tenha sido, mais tarde, elevado ao status de Reino Unido à Portugal e Algarve, em 1815, pouco significou quanto às efetivas mudanças estruturais de sua condição colonial, já que permanecia sujeita aos arbítrios políticos e administrativos da Coroa, que nomeava e destituía as lideranças militares que possuíam poderes para governá-las.

Em um salto histórico, chegamos em 1822, mais precisamente no importante mês de agosto quando dom Pedro toma uma atitude há muito hesitava – assumir um rompimento definitivo com Portugal – e declara informalmente a Independência do Brasil. Em 1º de agosto, por meio do Manifesto aos Povos deste Reino, o então príncipe regente critica veementemente as Cortes de Lisboa por tentar, com suas medidas, reduzir o Brasil em ruínas. Ainda nesse manifesto dom Pedro forçava as Províncias do Sul do Brasil a sacudir o jugo que lhes preparavam.

Percebe-se, aqui, que dom Pedro já falava claramente em Independência, no sentido de ruptura política com Portugal. Embora restasse alguma dúvida acerca da manutenção do Reino Unido, o príncipe já não falava mais em tom de ameaça, o fazia como se algo já estivesse consumado.

Ao convocar a Assembleia brasileira assim teria dito: “Acordemos, pois, Generosos Habitantes deste Vasto e poderoso Império, está dado o grande passo da Vossa Independência […] Já sois um Povo Soberano; já entrastes na grande Sociedade das Nações independentes”.

Em 6 de agosto, no Manifesto aos Governos Amigos, redigido por José Bonifácio, reiteram-se as críticas feitas às Cortes, mas mantém-se o tom duvidoso do discurso diplomático. O príncipe regente, então, inicia o referido discurso proclamando a Independência política do Brasil, contudo, mais à frente, afirma não desejar romper os laços de união e fraternidade que havia com toda a Nação Portuguesa. (What??)

Ainda em agosto, dia 7 de setembro de 1822, ocorre o famoso desfecho do grito do Ipiranga do eloquente “Independência ou Morte”. O interessante é que, conquanto essa seja a data oficial de nossa independência, o próprio dom Pedro em sua Proclamação aos Portugueses, o dia 12 de outubro com a data da Independência. Babado histórico: somente em 5 de setembro de 1823, por resolução da Assembleia Nacional Constituinte, que se passou a considerar o 7 de setembro como dia do aniversário da Independência.

A Independência de fato, porém, só viria após intensa e prolongada luta….

Após esse breve prelúdio, permitam-me fazer, então, esse avanço histórico a homenagear o 7 de abril de 1831 que nesse mês completa 187 anos, me comprometendo a voltar, em outro post, a analisar a chegada da família real em 1808 e suas implicações.

A Revolução do Sete de Abril

Saltaremos historicamente, agora, para 1831 quando ocorreu um episódio da história brasileira que é pouco conhecido, mas que possui significativa importância para entender, de fato, o processo de Independência política brasileiro.

Antes, porém, é preciso ratificar que o Império brasileiro vivia tempos difíceis – instabilidades políticas e econômicas severas. Nessa altura, já havia sido dissolvida a Assembleia Constituinte, já havia sido outorgada a Constituição de 1824, já havia se instalado uma crise econômico-financeira aguda, seguida de disputas incessantes pelo poder.

Pois bem, entre os dias 11 e 16 de março de 1831, acontecem as Noites das Garrafadas, lusitanos e brasileiros se degladiavam pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Tudo começou com uma festa em comemoração ao regresso do Imperador de Minas Gerais, o que foi interpretado pelos brasileiros como uma afronta. Em meio a provocações dos dois lados, estava instalado um conflito direto entre centenas de indivíduos de diversas classes sociais – deputados, publicistas, comerciantes, militares de baixa patente, pardos e negros, livres e escravos, além das patrulhas de segurança que estavam por conta da repressão da baixaria. Dessas noites, restaram mortos, feridos e um clima de tensão cada vez mais acirrado.

O antilusitanismo crescia fortemente assim como a oposição a dom Pedro, especialmente entre as camadas populares. Após o distúrbio das Garrafadas, um grupo de deputados enviou, no dia 17 de março, uma representação ao Governo cobrando punição dos agressores portugueses e ratificando a urgente necessidade de se adotar medidas conforme os desejos dos brasileiros. Esse movimento da oposição, provocou grande movimentação na Corte, bem como nas províncias. O Imperador, então, decidiu fazer concessões a fim de contemporizar os ânimos e, no dia 20, instituiu um ministério composto somente de brasileiros, instaurou mecanismos de investigação para apurar o malfeito e ordenou a soltura dos brasileiros presos naquela ocasião.

As medidas, contudo, não foram suficientes para apaziguar os conflitos de rua tampouco a convulsão política que tomava conta da sociedade brasileira. De um lado, soldados insatisfeitos como os baixos valores do soldo, com o recrutamento forçado, com a rígida disciplina e com os castigos corporais. De outro, comandantes e oficiais insatisfeitos com a péssima imagem do Exército cada vez com efetivos menores à serviço de um governo despótico. Diante disso, dom Pedro, em 5 de abril, decidiu demitir o gabinete de ministros brasileiros, e institui outro, composto por aristocratas amigos do rei que já teriam sido ministros anteriormente.

A reação veio logo no dia seguinte e de forma decisiva. Ajuntamentos de pessoas por todos os cantos da cidade do Rio de Janeiro começaram a se reunir. Parlamentares, juízes de paz, jornalistas, batalhões inteiros do Exército e populares de todos os tipos, ou seja, desde livres a escravos dirigiram-se para o então campo da Aclamação (atual campo de Sant’Anna), aglomerando-se uma multidão de cerca de quatro mil pessoas.

Era um clima de forte manifestação de clara insubordinação e uma mostra clara de que o Imperador perdera o prestígio de seus súditos. No início da noite do dia 6 de abril, uma delegação de juízes de paz se dirige ao Paço de São Cristóvão com uma representação exigindo a reintegração do ministério anteriormente deposto. Dom Pedro, no entanto, se recusa a ceder sob a justificativa de possuía a atribuição constitucional de nomear e demitir livremente os ministros de Estado, tendo declarado, na ocasião, “Eu sou mais Constitucional que todo o brasileiro nato, e mais Constitucional mesmo que os Snes. Juízes de Paz […] se o povo não me acredita, eu não acredito no povo; tudo para o povo e nada do povo”.

Diante da recusa do Imperador, os ânimos se acirraram ainda mais entre a multidão, o que levou o general Francisco de Lima e Silva, o próprio comandante da guarnição da Corte, simpático ao movimento desde o início, mas sempre cauteloso, a decidir ir pessoalmente à São Cristóvão para sondar as intenções do imperador e convencê-lo da gravidade da situação. Dom Pedro foi mais uma vez inflexível. Parecia não acreditar na abrangência do movimento e na disposição dos manifestantes que, àquela altura, estaria dispostos a fazer de tudo para conseguir seus intentos.

 Ao perceber a movimentação das tropas, Lima e Silva tenta uma última cartada, despacha outra vez Miguel de Frias para São Cristóvão, na tentativa de convencer o Imperador. Dessa vez, ele decide ceder, mas em parte, aceitando demitir o ministério do dia 5, porém se negando a reintegrar o anterior – o brasileiro.  Ao mesmo tempo, dom Pedro era informado de que as últimas unidades militares fiéis abandonaram o palácio e marchavam em direção ao campo da Aclamação para se juntarem aos rebeldes.

Ante a gravidade da situação e vendo-se completamente sem apoio e ciente de que ceder naquele momento não iria salvar sua coroa, pelo contrário, somente abriria espaço para outras exigências mais profundas, dom Pedro decidiu, por fim, tomar a única atitude que talvez lhe restasse àquela altura dos acontecimentos: abdicar em favor de seu filho, o pequeno Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga – mais conhecido como dom Pedro II de apenas cinco anos de idade. Por volta das três horas da manhã daquele dia 7 de abril, a carta de abdicação era entregue ao major Frias, para que logo fosse lida ao povo e às tropas.

A Revolução do Sete de Abril foi, pois, muito mais do que um produto do arranjo político forjado pelas elites; foi, em verdade, fruto de uma intensa pressão popular capaz de reunir centenas e até milhares de pessoas em diversas manifestações não só na Corte, mas também em outras províncias do Império.

O 7 de abril de 1831 reveste-se SIM de um significado de ruptura em relação ao período e paradigma anteriores e, portanto, é considerado por muitos historiadores como o dia da Independência do Brasil de fato embora tenhamos que aceitar a data oficial do dia 7 de setembro de 1822 como o dia da Independência do Brasil de direito.

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Estaríamos perto de alcançar a desnuclearização da Coreia do Norte?

Olá Sapientes! Como vão os estudos sobre Atualidades?

O tema desta semana é a discussão entre Coreia do Norte e EUA sobre a possível  desnuclearização da península da Coreia.

Onde tudo começou: a explicação de geração para geração do processo de capacitação nuclear na Coreia do Norte

No final da Segunda Guerra Mundial, sob o governo de King II Sung, começou-se a desenvolver uma arma nuclear que fosse funcional para o país. Porém, somente em 2006, já sob o comando de seu filho King Jong II, é que o primeiro teste de arma nuclear foi realizado. Com relação especificamente a criação de um programa nuclear, a Coreia do Norte possui um programa desde a década de 70, contudo, este programa assumiu novas proporções e ficou mais robusto desde que o atual líder King Jong-un, neto de King II Sung, ascendeu ao poder em 2011. Este programa está intimamente ligado com a palavra “segurança nacional”, já que seria a única garantia de manter a soberania do país, o controle do regime comunista e o poder de Kim Jong-un.

Tudo começou com a experiência vivenciada pelo avô do atual líder nortecoreano, King II Sung, durante a Guerra da Coreia. Ao ter tido a informação de que o General norteamericano Douglas McArthur tinha interesse no uso de armas nucleares contra a Coreia do Norte e a China, mas que havia sido impedido de fazê-lo, o então líder nortecoreano interpretou esta situação como um chamado de que para sobreviver a futuras guerras e evitar um ataque desta magnitude seria preciso desenvolver a capacidade nuclear de seu país.

Grande parte da tecnologia nuclear inicial da Coreia do Norte teve origem com um dos fundadores do programa nuclear do Paquistão. Até o momento foram realizados no total cinco testes de armas nucleares, todos em lugares subterrâneos, ficando mais potentes a cada década. Estima-se pelo Ministério de Defesa da Coreia do Sul que o último teste realizado em 2016 resultou em 10 quilotons (unidade de energia de uma bomba nuclear libertada em explosões). Para quem não sabe o impacto que teria 10 quilotons, é só comparar o estrago que teve a bomba “Little boy” que atacou e destruiu a cidade de Hiroshima, no Japão. A bomba tinha 15 quilotons. Especula-se que os próximos testes nucleares possam chegar de 20 a 30 quilotons, uma verdadeira ameaça à humanidade e aos EUA, seu foco principal.

Qual seria o verdadeiro propósito do desenvolvimento nuclear e de mísseis?

Além do desenvolvimento nuclear, há também o desenvolvimento de mísseis balísticos. Com qual objetivo? Criar um míssil balístico intercontinental (ICBM – intercontinental ballistic míssile) que consiga atingir o solo americano por meio de uma ogiva (ogiva, para quem não sabe, seria a forma de encapsulamento de míssil, tornando-o menor e mais versátil; é a parte cilíndrica de um projétil). Apesar de boa parte dos lançamentos de mísseis terem sido feitos para testar o arsenal da Coreia do Norte, existe um forte propósito político por trás disso, já que os testes muitas vezes coincidem em momentos estratégicos e importantes para a região, como a visita de primeiros-ministros e/ou presidentes dos países vizinhos em território americano.

Coreia do Norte: desafio diplomático para os EUA e vizinhos asiáticos

A República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte, representa um desafio diplomático aos EUA, já que Pyongyang, sua capital, havia acelerado seu programa nuclear com o intuito de obter um míssil com armas nucleares capaz de alcançar os Estados Unidos e não obstante, ao fazer estes testes durante momentos de visitas diplomáticas importantes, estaria fazendo uma demonstração de força no meio do cunho político.

Durante o mês de abril, têm ocorrido diversas negociações entre agentes dos dois países antes do encontro entre o Presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong-um, que deverá acontecer até o final de maio. O convite foi feito pelo próprio líder norte-coreano por meio de uma carta escrita cujo tema seria o fim de seu programa nuclear, ou seja, o fim do seu programa ilegal de armas nucleares e testes de mísseis balísticos. A carta foi entregue em mãos na Casa Branca por meio do Conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Eui-Yong.

Se a reunião de fato acontecer, haverá mais um capítulo do tema de desnuclearização do regime entre Kim e os dois principais interessados no processo da questão atômica, os EUA, por meio de Washington, e Coreia do Sul, através de Seul.


CACD 2018: prestar ou não prestar? Eis a questão!

Olá, sapientes!

Hoje no blog vamos falar sobre o sumido CACD 2018.

Cadê você, que ninguém viu?

Como já falamos algumas vezes aqui, o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata já é uma tradição que ocorre anualmente desde 1946. Apesar de o concurso normalmente acontecer no segundo semestre, em outros anos eleitorais (como 2010 e 2014), o certame teve todo seu processo concluído até junho. Isso ocorria porque, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, novas nomeações só podem ocorrer até seis meses antes do término do mandato do chefe do cargo (nesse caso, o ministro das Relações Exteriores).

A expectativa era que, em 2018, esse padrão se repetisse. No entanto, como já estamos em abril, é provável que a prova ocorra apenas no segundo semestre, como foi em 2017.

Entretanto, com o passar dos meses e a falta de notícias, sempre surge aquela dúvida: vai ter concurso esse ano?

Não temos fontes internas do Itamaraty, tampouco bola de cristal; mas temos vários anos passados para afirmar, com alguma segurança, que é mais provável ter concurso em 2018 do que não ter.

Dito isso, fica a pergunta: devo prestar o CACD 2018?

Essa dúvida é mais comum para pessoas que estão iniciando a preparação. Muita gente conhece o nível de dificuldade da prova e, por isso, acha que seria melhor esperar estar mais preparado para se inscrever.

Se você tem essa dúvida, pare e pense um pouco: será que você não quer evitar a prova por ter medo de ir mal?

A diplomata Claudia Assaf conta em seu livro Diário de Bordo sobre o primeiro CACD que ela prestou. Ela não fazia nenhuma ideia do que era o concurso. No dia da prova, o que viu era totalmente diferente do que esperava. O choque foi tão grande que ela passou vários anos sem tentar o concurso. Apesar desse hiato, o primeiro contato fez com que ela buscasse se preparar melhor nos anos seguintes. Em 2006, ela foi aprovada.

Podemos tirar duas lições da história de Claudia:

  1. O primeiro contato com o CACD é essencial.
  2. Para prestar a prova, é preciso alinhar as expectativas.

Não adianta prestar o CACD 2018 com grandes expectativas se você ainda não estudou o suficiente. Ao mesmo tempo, conhecer a prova — seu “inimigo” — é um importante passo na sua jornada rumo à aprovação.

Para responder se você deve ou não fazer o CACD 2018, vamos dividir os candidatos em três grupos, de acordo com o nível de preparação. Veja em qual você se encaixa e tire suas dúvidas!

  • Sua preparação ainda não começou

As pessoas nesse grupo já tomaram a importante decisão de se tornarem diplomatas, mas ainda estão no início dos estudos, ou ainda não começaram.

Nosso conselho é: faça a experiência. O que pode dar errado? A prova servirá como um termômetro do que você vai enfrentar nos próximos anos. Mas lembre-se: nada de ficar frustrado com o resultado! Não se cobre por algo que você nem tinha começado a se preparar ainda.

  • Sua preparação já começou, mas você não viu o edital inteiro ainda

Você já começou a estudar, já conhece o edital, até já fez alguns cursos, mas ainda não varreu todos os tópicos.

Nosso conselho é: prestar o CACD 2018 será uma chance de avaliar o que você já estudou — e apenas isso. Use-a para ver se sua preparação está sendo bem-sucedida e, caso contrário, retraçar a rota. Não se cobre pelos tópicos que você ainda não viu — haverá tempo para isso!

  • Você já viu todos os pontos, mas ainda não está totalmente seguro se está preparado

Temos uma notícia para você: ninguém nunca está! Vários diplomatas aprovados contam que não achavam que tinham estudado suficiente, ou que tinha aquele tópico que ele/ela não tinha visto direito… é normal.

Nosso conselho é: se joga! O que não pode é desistir antes mesmo de tentar. Se ser diplomata é o seu sonho, o CACD 2018 pode ser sua chance de aprovação. Você só vai saber se der o seu melhor.

Em suma, nossa resposta para a pergunta do post é simples: sim, preste o CACD 2018! Mas seja honesto(a) com o que esperar do concurso. Só assim a prova será não uma frustração, mas um degrau na sua jornada rumo ao Itamaraty.

Ah, e não se esqueça: a inscrição costuma custar entre 200 e 250 reais. Já é importante juntar um dinheirinho de agora, para não se surpreender quando o edital sair.

O CACD 2018 está chegando. Que tal começar a se preparar? Confira nossas novas turmas lá no site!

Até a próxima!


Sugestão de Leitura: International Law

Olá, amigas e amigos!

Hoje, nossa indicação de leitura é relacionada ao estudo do Direito Internacional Público – a disciplina mais benquista pelos candidatos. Não podemos menosprezar nenhuma matéria de nosso saudoso CACD. Não é mesmo?

Conhecer os principais casos julgados pela Corte Internacional de Justiça parece ser uma boa forma de se estudar Direito Internacional. Afinal, sabemos que nossa banca não busca tão somente conhecimentos enciclopédicos, mas, sim, capacidade de análise sistêmica do conteúdo constante do Edital.

Gostaria de deixar a vocês uma sugestão de leitura voltada mais para  a complementação dos conteúdos estudados em manuais da disciplina. Sabe-se que a Carta da ONU em seu artigo 2(4) dispõe sobre a proibição do uso da força, bem como em seu artigo 33 e seguintes prescreve a solução pacífica de controvérsias, ambos institutos como regra, o que contribuiu para o banimento do o uso da força como forma de resolução de conflitos. O mesmo estatuto normativo, todavia, reconhece a possibilidade de uma exceção relativa ao uso da força em situações de legítima defesa (tema enfrentado no importante Caso Nicarágua vs. EUA).

Para entender um pouco mais sobre o uso da força em Direito Internacional, indicamos a leitura de um capítulo interessantíssimo da célebre obra International Law (Malcolm Shaw) intitulado – THE USE OF FORCE AND THE INTERNATIONAL LEGAL ORDER – de autoria de Christine Gray.

Fique ligado no Blog Sapi!