Revoltas Pernambucanas

939px-Flag_Pernambucan_Revolt_of_1817.png

Bandeira da Revolução Pernambucana de 1817

Em 2017, comemora-se o bicentenário da Revolução Pernambucana de 1817, também conhecida como a Revolução dos Padres. O levante contra o crescente protagonismo da região centro-sul do Brasil após a chegada da Corte Portuguesa na colônia não foi, entretanto, a primeira revolta liderada pela capitania de Pernambuco (nem a última). A região foi palco de diversas insurgências ao longo da história brasileira, cujas motivações variaram ao longo do tempo.

 

Revoltas nativistas

Uma constante na história colonial do Brasil foram as diversas sedições coloniais que ocorreram no território. Essas revoltas tinham objetivos muito distintos, cada uma relacionada a alguma particularidade da região em que ocorrem, desde questões com a ocupação jesuíta de uma área até disputas político-econômicas entre colonos.

As chamadas revoluções nativistas, que relacionavam-se ao sentimento de pertencimento a determinado local e à identidade culturalmente construída ali, podem ser caracterizadas não pela existência de traços comuns, mas pela ausência dos mesmos. Os nativismos não contavam com a influência iluminista (que passaria a ser uma característica importante de revoltas posteriores), pois são anteriores (datam dos séculos XII e XVIII); também não tinham um componente nacionalista, sendo marcadas pelo regionalismo; não visavam uma ruptura com o antigo sistema colonial, contestando apenas aspectos pontuais, sem contestar a relação colônia-metrópole ou o exclusivo metropolitano.

Pernambuco desenvolveu um forte sentimento regionalista por meio da luta contra os holandeses durante a Insurreição Pernambucana (1645-1654). A ocupação holandesa de parte da capitania nordestina, implementada em 1630, teve significativa resistência local inicialmente, porém, a partir das reformas empreendidas no período nassalino (1637-1645), os holandeses passaram a gozar de relativa aceitação por parte dos habitantes locais devido às melhorias promovidas por ele. Com a demissão de Nassau, em 1644, e com as mudanças profundas promovidas na relação entre a administração holandesa e os habitantes locais – como, por exemplo, a intensificação do fiscalismo e da cobrança de juros –, a população de Pernambuco se revoltou contra os estrangeiros. A insurgência contra os holandeses é bem sucedida mesmo sem contar com o apoio de Portugal, envolvido na Guerra de Restauração Portuguesa (1640-1660). Por lutarem “sozinhos”, há a consolidação de uma identidade regional unificadora, uma pernambucanidade.

A luta de Pernambuco contra os holandeses promoveria as bases para um dos primeiros movimentos nativistas que contestaram decisões portuguesas em relação à administração da colônia: a Revolta contra Mendonça Furtado (também conhecida como Conjuração de Nosso Pai). Ocorrida em 1866, a revolta contestava a nomeação do metropolitano Jerônimo de Mendonça Furtado para governar a província. Considerado um “estrangeiro”, a elite autóctone achou-se desprestigiada pelo governo português, pois entendiam que a liderança deveria ser dada aos locais, já que eles haviam sido responsáveis pela expulsão dos holandeses. Os revoltosos conseguem prender Mendonça Furtado e a insurgência é contida com a nomeação de um novo governador. André Vidal de Negreiros, nascido na colônia e conhecido das elites locais.

Possivelmente a revolta nativista ocorrida em Pernambuco mais famosa foi a Guerra dos Mascates (1710-1711). O embate entre os comerciantes de Recife, conhecidos como mascates, e os senhores de engenho de Olinda ocorre em um contexto de crise da produção açucareira, pela competição com a produção caribenha no mercado europeu. A perda de dinamismo do comércio de açúcar levou ao endividamento dos produtores de Olinda com os comerciantes de Recife. Com o aumento do poder econômico dos mascates, começou um embate entre as duas regiões por poder político. Como os senhores de engenho impediam o acesso dos mascates à esfera pública, este recorreram ao poder central, demandando a elevação de recife a vila, de forma a terem autonomia política. Com a elevação, em 1710, a nobreza da terra se revoltou e invadiu Recife, levando à fuga dos mascates e iniciando uma ocupação que duraria até o ano seguinte. O conflito só foi resolvido com a chegada de novo governador para a região, devolvendo a autonomia de Recife e afirmando o apoio da metrópole à burguesia mercantil.

Influência do Iluminismo e das revoluções burguesas

A partir do início do século XIX, os ideais iluministas e a experiência da Revolução Francesa passam a influenciar os movimentos de revolta no Brasil e também em Pernambuco. Um desses movimentos é a chamada Conspiração dos Suassunas (1801), ocorrida em Olinda. Membros da elite cafeicultora local, reunidos na sociedade literária Areópago de Itambé, e clérigos do Seminário de Olinda, criado em 1800, passam a discutir os movimentos políticos e ideológicos em curso na Europa. As discussões chegam ao nível de conspiração por parte de alguns membros dessa elite contra o domínio português. A ideia debatida era proclamar a emancipação de Pernambuco e formar uma república que ficasse sob a proteção de Napoleão Bonaparte. O movimento foi desarticulado após uma denúncia, porém os conspiradores acabam absolvidos por falta de provas, o que acabou por fazer com que o episódio ficasse menos conhecido. A Conspiração dos Suassunas é importante precursor nas próximas insurgências pernambucanas, tanto pela influência iluminista quanto pela participação do Seminário de Olinda como importante centro de debate.

As ideias iluministas emanadas do Seminário de Olinda também acabaram por influenciar a Revolução Pernambucana (1817). No contexto de crise econômica regional, com a decadência da produção açucareira, o aumento de gastos impostos pela transmigração da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro e a crescente importância da região centro-sul acentuaram o descontentamento do nordeste, principalmente de Pernambuco. Além do apoio das elites locais, insatisfeitas com a perda de status e seus crescente endividamento frente comerciantes portugueses, a insurgência também angariou o apoio do clero católico influenciado pelas ideias liberais e da população em geral que vinha sofrendo com a crise econômica. A Revolução Pernambucana é um marco para a história por ter sido primeiro movimento colonial separatista que consegue efetivamente tomar o poder, mesmo que efemeramente. Iniciada em 6 de março, a revolução é contida em menos de 3 meses. Apesar da curta duração, a Revolução Pernambucana repercutiu nos anos seguintes ao contestar premissas do Antigo Regime, em especial o absolutismo, e a centralização do poder no Rio de Janeiro, elementos que permaneceriam no debate político pernambucano para além do período colonial.

Outra revolta pernambucana contra o abuso do poder monárquico foi a Confederação do Equador (1824). Surgida como uma resposta ao fechamento da Assembleia Constituinte e à Constituição Outorgada de 1824, os insurgentes revoltaram-se contra o caráter centralizador do novo governo, já que acreditaram que a independência levaria a maior autonomia provincial. A Confederação teve bastante influência do movimento de 1817, contando, inclusive, como revoltosos que haviam sido anistiados após o conflito colonial, entre eles Frei Caneca, o que demonstra a influência, novamente, do Seminário de Olinda. A rebelião buscou a conformação de uma república federalista, inspirada nas repúblicas vizinhas, como a Grã-Colombia, cuja cosntituição serviu de inspiração para o movimento. Apesar de iniciado em Pernambuco, a intenção era formar um Estado que abrangesse também as províncias da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas. D. Pedro I reprimiu duramente o levante: o processo de independência ainda não estava completamente consolidado, ainda havendo conflitos contra portugueses em curso. Após o controle da sedição, o julgamento dos revoltosos buscou fazê-los de exemplo para evitar novas insurgências, o que culminou na morte de alguns revoltosos, entre eles, Frei Caneca. A dura repressão e julgamento suscitou críticas ao novo governante, sendo comparado ao seu antecessor.

Apesar da dura repressão, a Confederação do Equador não foi a última grande revolta de Pernambuco. Em 1848, já no reinado de D. Pedro II, ocorre a Revolução Praieira. Novo levante contra o que entendiam ser a arbitrariedade do uso do poder pelo monarca, os revoltosos faziam parte da dissidência radical do Partido Liberal. A insatisfação com a mudança do presidente da província, aliada às mudanças observadas no governo central (substituição do gabinete liberal por conservador), levaram à tentativa de tomada de poder por parte dos liberais radicais. Os revoltosos publicaram o chamado Manifesto ao Mundo onde exprimam suas posições, entre elas a liberdade de imprensa, a extinção do Poder Moderados, a defesa do sufrágio universal e a demanda por trabalho para todo cidadão. Um importante componente das demandas praieiras era a defesa do comércio controlado por brasileiros, demonstrando não só o caráter nacionalista do movimento (influência das ondas revolucionárias de 1848), como também o anti-lusitanismo, já que os portugueses ainda controlavam o comércio varejista no Brasil. O governo central reprime duramente o levante já em 1848, quando já consegue conter os revoltosos, porém fim do conflito só ocorre efetivamente em 1850, quando pode-se dizer que há, finalmente, a consolidação do Estado nacional com o fim da última rebelião cujas origens encontram-se no ciclo regencial. Isso possibilita, enfim, a modernização capitalista do Estado brasileiro.

Claudia Comenta: Concordância Verbal

Em que casos podemos aplicar a concordância atrativa? Quando é necessário usar o infinitivo flexionado? Como fazer a concordância de um verbo anteposto? Apesar de ser um tema basilar do aprendizado da Língua Portuguesa, questões sobre concordância verbal podem, sim, trazer dificuldades na hora da prova. Como existem várias regras sobre concordância verbal, é importante estudar o tema com atenção e praticar.

A professora Claudia Simionato separou algumas questões do Cespe sobre concordância verbal para comentar e ajudar nos seus estudos para o CACD. Confira!
OBS: As questões utilizadas no vídeo estão disponíveis abaixo.

TPS 2010 – Questão 03

CV01.png

Item 03:
Como o fato expresso pela forma verbal “coube” (l.20) pode ser atribuído aos dois núcleos do sujeito, relacionados por adição, a substituição dela por couberam seria gramaticalmente correta.

Gabarito: CERTO

TPS 2011 – Questão 12

CV02.png

Item 03:
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto se os infinitivos flexionados fossem substituídos pelas respectivas formas do infinitivo não flexionado no segmento “as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para novas caminhadas” (l.24-26).

Gabarito: CERTO

TPS 2012 – Questão 09

CV03.png

Item 03:
No período “Mas é assim mesmo que se vive: perdida no tempo e no espaço.” (R.1-2), o particípio do verbo perder, empregado em estrutura de indeterminação do sujeito da oração, poderia, conforme regra de concordância nominal, estar na forma masculina, regra da qual, no entanto, a obra literária prescinde, dada a liberdade que preside a criação artística.

Gabarito: CERTO

TPS 2016 – Questão 06

CV04 1

Item 01:
Na oração que inicia o segundo parágrafo, o verbo concorda com o primeiro núcleo do sujeito posposto, concordância verbal abonada pela gramática normativa.

Gabarito: CERTO

TPS 2005 – Questão 07

CV05.png

Item 02:
A concordância verbal em “comprovou-se” (R.5) atende regra segundo a qual, em construções com posposição de sujeito composto, é obrigatória a concordância do verbo com o primeiro núcleo do sujeito.

Gabarito: ERRADO

TPS 2016 – Questão 13

CV06.png

Item 01:
Seriam mantidos o sentido original e a correção gramatical do trecho “se bem que a intuição íntima e a explicação individual sejam imprescindíveis” (l. 62 e 63), caso a expressão “se bem que” e a forma verbal “sejam” fossem substituídas, respectivamente, pelo termo porquanto e pela forma verbal são.

Gabarito: ERRADO

[3 Perguntas] English Literature

Quem já está fazendo a prova do CACD há alguns anos não se esquece do “querido” Orlando (foi tão marcante que deu nome ao guia de estudos não oficial da turma daquele ano). Na prova de 2015, um trecho do livro de Virginia Woolf deu trabalho para muitos candidatos que não estavam acostumados com textos literários. A interpretação desse tipo de texto e o vocabulário empregado na literatura diferem dos textos jornalísticos, tradicionais fontes de estudo para o CACD, e podem trazer dificuldades para quem não tem familiaridade com essa escrita.

Para ajudar na sua preparação, o professor Todd Marshall respondeu nosso 3 Perguntas de hoje a respeito de como a literatura pode aparecer no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, seja na 1ª fase, seja na 3ª fase. Além de salientar a importância do estudo da literatura para a prova, o professor recomenda algumas obras clássicas da Língua Inglesa para aprimorar seu vocabulário e interpretação textual.

Falando em Todd Marshall… Ontem tivemos a primeira aula do Curso Regular de Redação em Inglês (CRR.I), curso focado na preparação para a prova discursiva de Língua Inglesa. A aula inaugural foi aberta para o público e foi um grande sucesso – tanto que estamos com pouquíssimas vagas para o CRR.I. Se você já quer treinar para a 3a fase do concurso, não perca tempo e inscreva-se enquanto ainda temos vagas!

Lembrando que o Curso Regular Extensivo (CRE) e o Curso de Resolução de Questões (CRQ) de Inglês também estão com matrículas abertas. O CRE é recomendado para uma preparação a longo prazo, tendo como finalidade cobrir o conteúdo programático do edital e aprofundar o conhecimento do candidato. Já o CRQ tem como objetivo treinar as habilidades para a resolução de questões objetivas no modelo da 1ª fase do concurso.

3 Perguntas – English Literature
1) Does literature appear on the English section of the Rio Branco examination?
2) How should I study for literature for the TPS?
3) How does literature appear on the 3rd phase of the Rio Branco exam?

Aula inaugural gratuita do Curso Regular de Redação em Inglês (CRR.I)

Todo candidato sabe da importância do Inglês para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) – e se você não sabia, fica sabendo agora. Além de ser uma das matérias com mais questões na 1ª fase do concurso, a prova discursiva de Inglês exige amplo domínio não só da língua, mas também do formato da prova na 3ª fase. Para se dar bem, é preciso uma preparação consistente, unindo pontos gramáticas essenciais com a prática da escrita voltada para a banca do Instituto Rio Branco. E é esse o objetivo do Curso Regular de Redação em Inglês (CRR.I), preparatório 100% on-line focado na prova da terceira fase do concurso, ministrado pelo professor Todd Marshall e que começa HOJE.

Desde que as matrículas foram abertas, muitas pessoas entraram em contato com o Curso Sapientia porque tinham dúvida se conseguiriam acompanhar o curso ou não (tendo em consideração seu próprio nível no estudo do idioma). Para ajudar os candidatos que ainda não fizeram a matrícula porque não sabem se o curso é indicado no seu caso, o Curso Sapientia decidiu abrir a primeira aula do curso. Assim, quem tiver interesse pode assistir à primeira aula do Curso Regular de Redação em Inglês, ver se o nível é adequado para as suas necessidade e só depois fazer a matrícula.

Mas como vai funcionar? Você poderá assistir gratuitamente à primeira aula do Curso, sem fazer qualquer tipo de cadastro. A aula acontecerá HOJE (20/03) a partir das 19h e deve ter a duração aproximada de uma hora. Para assistir, basta acessar o link da transmissão ao vivo CLICANDO NA IMAGEM ABAIXO às 18h55.

Depois de conferir o conteúdo introdutório e a proposta pedagógica, você poderá decidir com muito mais propriedade se o curso é realmente o que precisa neste momento da sua preparação. De toda forma, desde já você pode conferir a ficha técnica com todos os detalhes do Curso Regular de Redação em Inglês.

Não perca essa oportunidade! Clique na imagem abaixo e confira como o Curso Regular de Redação em Inglês pode auxiliar na sua preparação rumo ao Itamaraty!

facebook_Redação_Ingles.png

A Doutrina Truman e a superação do isolacionismo americano

“No atual momento da história mundial cada nação deve escolher entre os modos de vida opostos. A escolha não é frequentemente livre. Um modo de vida baseia-se na vontade da maioria e se caracteriza por instituições livres, governo representativo com eleições livres, garantias de liberdade individual, liberdade de expressão e de religião, e pela supressão das formas de opressão política. Uma outra forma de vida baseia-se na vontade de uma minoria imposta à força à maioria. Ela se apoia no terror e na opressão, no controle da imprensa e do rádio, em eleições manipuladas e na supressão das liberdades individuais. Acredito que a política dos Estados Unidos deve ser de apoiar os povos livres que estão resistindo a subjugação por minorias armadas ou por pressões exteriores. Acredito que nossa ajuda deve ser primeiramente através da estabilidade econômica e da ordenação do processo político”. – Harry Truman (12 de março de 1947)

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, dirigido ao Congresso americano em 1947, marcou a inflexão da política externa do país no imediato pós-2a Guerra Mundial e lançou as bases do antagonismo entre os EUA e a União Soviética, que marcaria os anos da Guerra Fria. A Doutrina Truman defendia que os países do mundo tinham uma escolha fundamental entre duas formas de vida e que os Estados Unidos passariam a defender os “povos livres que estão resistindo a subjugação por minorias armadas ou por pressões exteriores.”

O caráter messiânico e intervencionista da doutrina Truman demonstrou o distanciamento efetivo da posição isolacionista na política externa americana. Ao assumir a liderança do país no fim do conflito, após a morte de Franklin Delano Roosevelt, o tradicional debate entre isolacionistas e internacionalistas continuava a marcar a opinião pública norte-americana. Apesar do engajamento e da liderança dos Estados Unidos na criação e na manutenção da recém-criada Organização das Nações Unidas, a atuação unilateral mais assertiva do país no cenário internacional, particularmente em relação à recuperação europeia e ao avanço do comunismo, ainda não era observada.

A mudança de posicionamento dos Estados Unidos em relação à sua atuação no cenário internacional foi um processo desencadeado por uma sucessão de eventos ocorridos na Europa que levaram à percepção de uma ameaça direta aos interesses e à segurança do país. No decorrer da Segunda Guerra, o avanço soviético em direção à Europa Central no combate à expansão nazista promoveu a chamada “sovietização do Leste Europeu”, ou seja, a expansão da influência da União Soviética sobre a região, seja de forma direta ou indireta. Esse processo foi entendido pela França e pela Inglaterra como uma ameaça aos países europeus capitalistas, que temiam um esforço soviético em continuar a expansão de sua zona de influência mesmo após o fim do conflito. Os aliados europeus advogavam a contenção do expansionismo soviético, porém não tinham a capacidade de fazê-lo devido à condição em que se encontravam ao fim da guerra.

A ideia de contenção da União Soviética também foi defendida por George Kennan, conselheiro da embaixada norte-americana em Moscou, no famoso “Longo Telegrama.” Kennan argumentava que a reinserção internacional da superpotência europeia não se daria nas bases do modelo de abertura comercial ocidental ou de forma a coexistir pacificamente com os ideias do mundo capitalista liberal no longo prazo. Para ele, a União Soviética percebia-se em uma “guerra perpétua” com o capitalismo e perseguiria o avanço e a expansão do socialismo, buscando a ampliação de sua zona de influência. Os Estados Unidos deveriam promover uma vigilância ativa e uma política de contenção das ambições expansionistas de forma a lidar como que ele chama de “incontestavelmente, a maior tarefa que nossa diplomacia já enfrentou e provavelmente a maior que jamais enfrentará.

A percepção da expansão soviética foi reforçada com o conflito civil na Grécia e com a crise dos estreitos turcos. Na Turquia, a insatisfação soviética em relação ao domínio turco sobre os estreitos que dão passagem ao Mar Negro foi entendida como uma possível ameaça não só à soberania dos estreitos, como também à do país. As nações ocidentais temiam que a União Soviética tomasse medidas para submeter a Turquia à sua zona de influência, seja por meio da agressão ou de apoio ao movimento comunista turco, o que representaria uma ameaça aos interesses desses países em uma região estratégica. No caso grego, o governo lutava contra uma insurgência de rebeldes ligados ao Partido Comunista Grego (KKE), acusados, à época, de receber apoio da Iugoslávia e da Albânia. A Grécia recebia ajuda do governo britânico para combater os rebeldes, porém, devido às dificuldades por que passava o país, a Grã-Bretanha declarou não poder continuar com esse compromisso. A incapacidade britânica em manter sua influência nessa região, uma área tradicional de atuação, acaba pressionando os Estados Unidos a tomarem uma posição mais assertiva. O famoso discurso de Winston Churchill sobre a “cortina de ferro” conclamava os Estados Unidos a agir de forma a conter a União Soviética. “Nossas dificuldades e perigos não serão removidos ao fecharmos os olhos para eles. Eles não serão removidos ao meramente esperarmos para ver o que vai acontecer; nem serão removidos por uma política de apaziguamento. O que é necessário é um acordo, e quanto mais tempo este demorar, mais difícil será e maior serão os nossos perigos” afirmou Churchill.

Para Sombra Saraiva, a visão “apocalíptica” em relação à ameaça e ao expansionismo comunista era, de certa forma, equivocada, devido à fragilidade em que ainda se encontrava a União Soviética no pós-Guerra. As enormes perdas humanas, a superioridade atômica norte-americana, os desafios em manter a coesão entre os países comunistas e as dificuldades econômicas por que passava o país seriam fatores restritivos à expansão massiva que alarmava o Ocidente. O autor também pondera os interesses econômicos norte-americanos na decisão de atuar mais assertivamente pela reconstrução europeia. Para manter os níveis de produção do período de guerra e evitar uma crise econômica interna, a reconstrução dos aliados europeus e a consolidação de uma zona de influência capitalista, incluída na dinâmica comercial norte-americana, tornaram-se objetivos pragmáticos da atuação dos Estados Unidos e auxiliaram na tomada de decisão do governo norte-americano em engajar-se na luta anticomunista.

A Doutrina Truman foi, dessa forma, a primeira política claramente universalista do país. Comprometia-se a auxiliar os países na luta contra o comunismo, começando pela ajuda na guerra civil grega. Com os partidos comunistas ganhando espaço em eleições nacionais na Europa, foi lançado o Plano Marshall, a tradução econômica da Doutrina Truman que atuaria de forma a promover a reconstrução econômica da Europa Ocidental. O argumento fundamental dessa medida centrava-se na ideia de que, ao impulsionar o crescimento econômico dos países da região, enfraqueceria a penetração e o fortalecimento do discurso comunista, que costuma se fortalecer em períodos de fragilidade econômica.

A práxis de política externa americana foi profundamente alterada a partir do discurso de Truman. De uma potência hesitante em imiscuir-se nos assuntos internacionais para além de ameaças reais à sua segurança e aos seus interesses, os Estados Unidos passam a agir assertivamente nas questões globais, chegando a formar alianças permanentes de defesa, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O internacionalismo suplanta o isolacionismo e passa a ser a norma da atuação dos Estados Unidos durante décadas. Resta saber se essa tradição continuará no século XXI.

Referências:
História das Relações Internacionais Contemporâneas – José Flávio Sombra Saraiva
Transcript of Truman Doctrine (1947)
The Sinews of Peace (“Iron Curtain Speech”)
1947: Divulgada a Doutrina Truman

Défi de français : lés réponses

Pour ceux qui on fait le dernier défi, voici les réponses.

À la prochaine !

Choisissez la bonne réponse.

1. Le gouvernement n’a pas annoncé le nouveau plan économique ________ l’analyse n’a pas été concluante.
a. du fait que
b. sous prétexte que
« Sous prétexte que » introduit une cause fausse.

2. Il n’a pas pu réussir l’examen ____________ son anxiété.
a. en raison de
b.à cause de
« En raison de » introduit une cause dont la conséquence est neutre, tandis que « à cause de » exprime une cause dont la conséquence est négative, aussi bien que neutre.

3. Elle a décidé de ne pas venir _________ il fait très froid.
a. parce que
b. du fait de
L’expression « du fait de » est suivie d’un nom.

4. Ce personnage n’a pas pu exister que sur Twitter ­­_________ c’était justement l’endroit de la fiction.
a. Puisque
b. parce que

5. ______ vous êtes là, restez-y.
a. Parce que
b. Puisque
« 
Parce que » introduit une explication ou l’énoncé d’une cause objective et répond à la question « pourquoi ? », exprimée ou non, tandis que « puisque » introduit la justification de ce qui précède (= étant donné que) et une cause évidente pour celui qui parle et en général connue de l’interlocuteur.

6. _________ la pollution d’ici, je préfère aller vivre en province.
a.en effet
b. étant donné

7. Comme il y avait du soleil et ____ nous avions du temps, nous sommes restés dans le parc.
a. car
b. que
Pour assurer le parallélisme, on devrait utiliser « comme » (et pas « car »). Malgré cela, quand il y a plusieurs causes, on ne répète pas la conjonction, on la remplace par « que »

8. – Non, la Grèce, pas question !
– Bon, Marina, ________ tu n’es pas d’accord, nous n’irons pas en vacances cette année.
a. parce que
b. puisque

9. _______ j’ai eu mal à la tête, je ne regarde pas la télévision.
a. comme
b. en effet
« Comme » introduit une proposition subordonnée de cause (donc, suivi d’un verbe) ;

10. Est-ce que Jules est toujours malade ?
– Oh non, ________ ses médicaments, il a fini par guérir.
a. grâce à
b. à cause de
L’expression « grâce à » est suivie d’un nom ou d’un pronom et introduit une cause positive.

Défi de Français – L’expression de la Cause

Bonjour à toutes et à tous ! Nous travaillerons aujourd’hui sur les expressions de la cause. Savez-vous les utiliser ?

Bonne chance !

Choisissez la bonne réponse:

1. Le gouvernement n’a pas annoncé le nouveau plan économique ________ l’analyse n’a pas été concluante.
a. du fait que
b. sous prétexte que

2. Il n’a pas pu réussir l’examen ____________ son anxiété.
a. en raison de
b. à cause de

3. Elle a décidé de ne pas venir _________ il fait très froid.
a. parce que
b. du fait que

4. Ce personnage n’a pas pu exister que sur Twitter ­­_________ c’était justement l’endroit de la fiction.
a. puisque
b. parce que

5. ______ vous êtes là, restez-y.
a. Parce que
b. Puisque

6. _________ la pollution d’ici, je préfère aller vivre en province.
a. en effet
b. étant donné

7. Comme il y avait du soleil et ____ nous avions du temps, nous sommes restés dans le parc.
a. car
b. que

8. – Non, la Grèce, pas question ! 
Bon, Marina, ________ tu n’es pas d’accord, nous n’irons pas en vacances cette année.
a. parce que
b. puisque

9. _______ j’ai eu mal à la tête, je ne regarde pas la télévision.
a. comme
b. en effet

10. – Est-ce que Jules est toujours malade ? 
Oh non, ________ ses médicaments, il a fini par guérir.
a. grâce à
b. à cause de

3 Perguntas: Urbanização

Um dos processos mais importantes do século XX e que continua no atual é a aglomeração crescente de pessoas nos centros urbanos. A urbanização é um fênomeno com importantes causas e consequências para o desenvolvimento dos países e para as relações internacionais ao alterar a relação entre população, território e recursos.

A professora de Geogria, Regina Araújo, comenta um pouco sobre esse tema, como ele vem sendo cobrado no CACD e a relação entre urbanização e desigualdade. Confira!

  1. Qual a importância do processo de urbanização nas dinâmicas espaciais em curso?
  2. Com que frequência o tema costuma ser cobrado no concurso?
  3. Qual a relação entre a urbanização e a persistência da pobreza e da desigualdade?

Comissão de Inquérito e os crimes de guerra em Aleppo

Aleppo2A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, instituída pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, apresentou, no dia 1o de março, um relatório sobre as violações dos direitos humanos ocorridas no contexto da guerra civil síria. Esse relatório foi solicitado pelo Conselho de Direitos Humanos e analisou o período entre junho e dezembro de 2016, em particular a ofensiva para a retomada da cidade de Aleppo por forças do governo sírio. A conclusão da Comissão Independente de Inquérito concluiu que crimes de guerra foram cometidos por todas as partes no conflito.

A Comissão, que é constituída por três especialistas em direitos humanos – Paulo Sérgio Pinheiro (Brasil), Carla Del Ponte (Suíça), Karen Abuzayd (Estados Unidos) –, analisou fontes locais diversas, como documentos, relatórios médicos e vídeos, além de ter promovido visita ao local e realizado entrevistas. Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a Comissão, afirmou que a “escala do que aconteceu em Aleppo não tem precedentes no conflito sírio”. Além das violações do Direito Internacional dos Direitos Humanos, que visam proteger a dignidade da pessoa humana em tempos de paz, porém que continuam a valer em caso de conflito, o conflito em Aleppo acarretou em graves violações do Direito Internacional Humanitário (DIH), que visa disciplinar e limitar a conduta dos combatentes em um conflito. O relatório indica violação, em diversas instâncias, dos três princípios centrais do DIH: a distinção entre civis e combatentes; a proporcionalidade do ataque; e a precaução (também conhecido como princípio da humanidade) como forma de evitar ou reduzir o sofrimento humano.

Tanto forças pró-Assad, que mantinham controle de Aleppo Ocidental, quanto forças oposicionistas, situadas em Aleppo Oriental, ocorreram em graves violações contra pessoas e bens civis. De acordo com o DIH, em particular o chamado Direito de Genebra, pessoas e bens que não participam de conflitos armados devem ser protegidos a toda instância, não podendo ser objetos de ação militar ou ataque armado. A única forma de perder essa proteção é caso a pessoa ou bem passe a contribuir para o esforço prévio, deixando então de reter sua condição de civil. Na ofensiva contra Aleppo, foram constatados ataques a escola, hospitais, estações de água e eletricidade, além da privação de víveres considerados essenciais, perpetrados por ambas partes do conflito. O aumento de vítimas civis também foi observado no período analisado, especialmente na ofensiva final para retomada por parte do governo sírio. Prisões arbitrárias, desaparecimento e alistamento forçado (principalmente homens e meninos), execuções sumárias (inclusive de pessoas que não participavam de combates) e uso de civis como escudos humano (impedidos de deixar região) foram verificados pela Comissão. A evacuação de civis de Aleppo Oriental também foi condenada como um crime de guerra pelo seu caráter forçado e impositivo, além de ter sido realizada por razões estratégicas e não por visar proteger os civis no local.

A Comissão também analisou os meios e métodos utilizados pelas partes do conflito, encontrando violações ao chamado Direito de Haia, que destina-se a restringir uso de armas de forma contrária ao DIH. Entre as violações encontradas, houve a constatação do uso de armas químicas (principalmente gás de cloro) pelas forças do governo sírio, qualificando não somente como uma violação do costume internacional, mas também uma violação da Convenção sobre Armas Químicas, de 1993, que a Síria ratificou. Também foi verificado o uso de armas incendiárias, proibidas pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, de 1980, e bombas de fragmentação (cluster bombs), proibidas pela Convenção de Oslo, de 2008, porém a Síria não é parte de nenhum desses tratados.

O relatório é um importante documento por confirmar as alegações feitas durante o conflito a partir de um grupo de especialistas independentes sob a tutela da ONU, porém a possibilidade de ser utilizado como forma auxiliar para garantir a responsabilização internacional desses atores no futuro é pouco provável. A Síria não ratificou o Estatuto de Roma, não sendo, assim, parte do Tribunal Penal Internacional. A participação russa no conflito acaba sendo um impeditivo tanto para uma eventual investigação pelo TPI a partir de uma resolução do Conselho de Segurança quanto para a instituição de um tribunal ad hoc nos moldes dos existentes para a Ex-Iugoslávia e Ruanda.

Referências:
Governo e rebeldes cometeram crimes de guerra na batalha de Alepo, aponta comissão da ONU
War crimes committed by all parties in battle for Aleppo – UN-mandated inquiry on Syria

Xadrez Verbal Podcast #85 – Aloysio Nunes, Síria e Trump no Congresso

Gabarito de Espanhol: Futuro Perfecto

¿Listos para las respuestas del desafío de ayer?

Verbos regulares. Conjugar el verbo entre paréntesis en futuro perfecto.

1. Si no te he llamado a las diez será seguramente porque habré tenido algún impedimento.
2. Si no se han puesto en contacto con vosotros es porque no habrán llegado todavía.
3. Seguramente la función habrá acabado.
4. Para entonces ya habrás salido del trabajo.
5. Creo que esta vez todos nosotros habremos aprendido la lección.      

Verbos irregulares. Conjugar el verbo entre paréntesis en futuro perfecto.

1. Me imagino que tu hermano lo habrá dicho en broma.
2. Supongo que ya habrás puesto la mesa.
3. ¿No habrá abierto esa caja, verdad?
4. Para cuando lleguéis ya habremos hecho todo el trabajo.
5. Aún no habrán descubierto cómo llegar hasta aquí.

Todo tipo de verbos. Conjugar el verbo entre paréntesis en futuro perfecto.

1. Eso no puede ser. ¿No nos habremos equivocado con los cálculos?
2. Para cuando acabe la faena, tú ya habrás preparado la comida.
3. ¿Quién habrá escrito semejante tontería?
4. ¡A saber dónde os habréis metido!
5. Luis y Carla no están en casa. Habrán salido a dar una vuelta.