Crise diplomática envolvendo Reino Unido e Rússia seria a nova “Guerra Fria”?

Olá Sapientes!

Vocês ficaram por dentro do caso do ex-espião russo envenenado que foi o estopim para a crise entre a Rússia e o Reino Unido? Não? Então o Blog Sapi explica em primeira mão para vocês…

Caso Skripal, o agente-duplo radicado em Salisbury, no Reino Unido

Tudo começou no início do mês de março desse ano, quando Serguei Skripal, ex-coronel do serviço de inteligência militar russo que delatou agentes russos ao Reino Unido, e sua filha Yulia Skripal foram envenenados na porta de casa onde o russo mora, na cidade de Salisbury, na Inglaterra, após terem sido expostos a uma substância neurotóxica conhecida como Novichok. A filha, que mora em Moscou, visitava o pai na ocasião. Acredita-se que seja um agente nervoso desenvolvido e utilizado pelos russos na época da União Soviética, que bloqueia o sistema nervoso e interrompe as funções vitais do organismo.

A história do ex-espião russo é interessante: ele nasceu ainda sob o regime soviético, na cidade de Kaliningrado, em 1951. Formou-se na Academia Militar Diplomática de Moscou e tendo se destacado para o Departamento de Inteligência Militar Russa, tornou-se Oficial de Inteligência. A sua primeira missão foi de obter informações privilegiadas da Europa sob o disfarce de diplomata. Foi neste interim que ele teria também colaborado com a inteligência britânica, tornando-se um agente duplo. Skripal revelava, em troca de dinheiro, a identidade de espiões russos que atuavam na Europa.

Em 2006, Skripal foi condenado a 13 anos de prisão pela Rússia por alta traição na forma de espionagem, tendo que trabalhar forçado no campo de Mordovia, local considerado extremamente insalubre. Em 2010, o inesperado aconteceu: com um acordo de trocas de espiões entre a Rússia e Reino Unido, com a atuação dos EUA, o ex-agente russo foi liberado e decidiu se mudar para Salisbury, na Inglaterra, mesmo lugar onde foi encontrado envenenado pela polícia britânica.

Esse acontecimento gerou uma crise diplomática, inicialmente entre a Rússia e o Reino Unido, já que o governo britânico acusa a Rússia de ser a culpada na tentativa de homicídio de pai e filha, além da contaminação de diversos pontos da cidade, como restaurantes e lugares públicos, e como represália decretou a expulsão de 23 diplomatas russos. O Secretário de Relações Exteriores, Boris Johnson, informou que o país responderá de forma contundente, caso seja confirmado sua participação no atentado. Em contrapartida, Moscou revidou a expulsão com o mesmo número de diplomatas britânicos, além de fechar o consulado britânico em São Petersburgo e o British Council, agência de difusão da língua e cultura inglesas.

E onde fica os EUA diante disso?

Os EUA teve participação no caso Skripal quando o FBI, a polícia federal americana, intermediou a negociação do acordo de troca de espiões entre Londres e Moscou em 2010. Com o governo Trump, os EUA respondem em solidariedade ao Reino Unido com a expulsão de diversos diplomatas russo em seu território e ordena o fechamento do consulado russo na cidade de Seattle.

E por que o caso Skripal está ficando conhecido como “A nova guerra fria” ou a “campanha anti-Rússia”?

Porque ainda não ficou comprovado que de fato a Rússia é a autora do ataque ao agente-duplo russo. Além do Reino Unido, mais de 20 países do Ocidente compraram essa “briga” e já expulsaram diplomatas russos de Consulados e Embaixadas, incluindo o presidente americano Donald Trump, com a expulsão de 60 diplomatas russos, alguns países da Europa e até mesmo 01 da Oceania, com 2 expulsões na Austrália.

Segundo os EUA, é preciso reduzir a capacidade da Rússia de conduzir operações que ameacem a segurança nacional. Além disso, países da União Europeia cobram explicações e fazem retaliações em solidariedade ao Reino Unido por lembrar que a Rússia é signatária da Convenção de Armas Químicas, tratado que possui uma série de proibições como produção e uso, e que se ficar comprovado a autoria da Rússia pelo uso de agentes nervosos isso se configuraria numa violação a esta Convenção. Já as autoridades russas alegam que tudo isto é uma flagrante provocação das autoridades britânicas em disseminar a política hostil em relação à Rússia no mundo.


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O movimento de independência catalão e a prisão de Puigdemont, o maior líder separatista da região da Catalunha

Olá, Sapientes!

Como é constituído o Estado espanhol?

Desde a grave crise econômica que assolou a Europa em 2008, começaram a pipocar discursos de cunho supremacistas entre os partidos nacionalistas na região catalã, levando a crer que o aumento do desemprego e a política de austeridade com cortes públicos fosse em peso de responsabilidade do restante do Estado espanhol, que acabava por prejudicar o crescimento da região. Foi com esta vertente que os movimentos separatistas ganharam força na região. Contudo, para melhor entender o movimento separatista da região da Catalunha é preciso entender como se deu o processo de formação do Estado espanhol. O país é composto por 17 regiões autônomas, sendo que especificamente 08 delas, incluindo a região da Catalunha, possuem a condição de “nacionalidades históricas” reconhecidas pela Constituição, bem como um “Estatuto de Soberania”, o que lhes confere um maior poder de decisão e soberania do que em relação às outras comunidades espanholas.

O referendo de outubro de 2017 e as consequências da declaração simbólica da independência catalã

Dito isto, em 1º de outubro de 2017, os líderes separatistas da região catalã decidiram fazer um referendo e a votar secretamente no Parlamento para a emissão de uma resolução de independência, obviamente sendo uma declaração simbólica, sem qualquer valor legal e efetivo, já que proclamar a independência é considerado crime de rebelião na Espanha e que se condenado pode chegar a 35 anos de prisão. O resultado do referendo dentre um total de 135 votos possíveis, foi de 70 pessoas favoráveis à resolução que demandava do Governo Regional um novo processo constituinte, com 55 ausentes e 10 parlamentares contrários. Na ocasião, apenas uma declaração simbólica de independência já foi o suficiente para começar uma enxurrada de manifestações nas ruas em prol do movimento e de uma série de perseguições políticas por parte do Governo Central espanhol.

Acionamento do artigo 155 da Constituição espanhola: autonomia suspensa pela primeira vez desde 1975

Com isso, a região da Catalunha, que até então era autônoma, teve sua autonomia suspensa pela primeira vez desde 1975 pelo Governo Central, fazendo com que o governo catalão fosse completamente destituído e Madri assumisse todas as funções da região até que surgissem novas eleições. Foi acionado o artigo 155 pelo Governo Central, mecanismo incluído na Constituição espanhola em 1975 como forma de proteger de forma emergencial o país, caso alguma das 17 regiões que o formam desobedecessem algumas das obrigações constitucionais e outras leis, agindo contra os interesses gerais da Espanha.

Prisão do maior líder separatista catalão: Carles Puigdemont

A Catalunha possui Parlamento próprio, uma bandeira, polícia própria (Mossos d’Escuadra) e um líder chamado Carles Puigdemont, ex-presidente regional catalão. No que diz respeito à liderança do movimento, neste último domingo, dia 25 de março, o ex-Presidente catalão, Carles Puigdemont foi detido e preso na Alemanha, após uma ordem internacional de prisão expedido pela Suprema Corte da Espanha, quando passava de carro na fronteira da Dinamarca depois de uma viagem à Finlândia. Essa ordem foi direcionada não só para ele, como também para outros 25 envolvidos no processo de independência da Catalunha, e o que tudo indica é que serão julgados por crime de rebelião e desobediência ao Estado espanhol. Com a prisão do maior líder catalão pró-independência, o movimento perde força, que até então ainda estudava medidas de como eleger um presidente fugitivo, quando este ainda se exilava em Bruxelas após a revogação pelo Primeiro-Ministro espanhol, Mariano Rajoy, do seu governo regional.

A questão aqui não está em ser contra ou a favor do movimento, a preocupação paira com a crise política prolongada na região, gerando instabilidade, desconfiança dos governos e fuga de empresas para outras regiões, o que afeta diretamente e negativamente a economia catalã. Com relação à Puigdemont ainda detido em território alemão, este aguarda uma decisão se será extraditado ou não para o território espanhol.


O que significa a 4ª reeleição presidencial de Vladimir Putin para a Rússia?

No último domingo, dia 18/03, Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia com mais de 70% dos votos e governará o país até 2024, sendo o seu 4ª mandato presidencial. Putin é o político russo que mais permaneceu no poder depois de Josef Stalin, conhecido por ter ficado por 31 anos no cargo de Secretário-Geral do Partido Comunista da então União Soviética. O ex-espião da KGB foi de primeiro ministro em 1999, para presidente de 2000-2008, voltou a ser primeiro ministro de 2008 a 2012 e de novo presidente em 2012, cargo no qual ele continua até hoje devido a uma emenda constitucional, criada por ele próprio, que ampliou o período da Presidência de 4 para 6 anos.

O resultado das eleições não causou maiores surpresas para o Ocidente, já que o presidente é visto como um autocrata, que rejeita valores democráticos e direitos humanos. Não obstante, há grupos oposicionistas que denunciaram diversas irregularidades com os resultados obtidos nas eleições em várias cidades, como boca de urna, oferta de comidas grátis e descontos em lojas próximas aos locais de votação.

Acontece que sua popularidade na Rússia se deve não só pela influência da sua atual política externa, como também por ter conseguido construir uma identidade nacional em uma sociedade étnica e culturalmente bem diversa. Putin conseguiu aumentar sua popularidade desde o conflito entre Rússia e Ucrânia, no qual resultou na anexação da Crimeia, que teve a sua primeira participação na votação deste ano desde a sua anexação, além dos constantes atritos com os países europeus e a sua intervenção na Guerra da Síria, já que a Rússia é a principal aliada do Presidente Bashar al-Assad. Para a população, esse grande envolvimento com temas geopolíticos abarcando União Europeia, EUA, China, entre outros gigantes do cenário mundial, remete-se aos tempos de glória e destaque na época da União Soviética.

No que diz respeito à economia, desde 2000, quando a Era Putin teve início, a economia voltou a crescer, alcançando o valor recorde do PIB em 2013, e a proporção de russos que viviam na pobreza após a queda da União Soviética também diminuiu drasticamente.

Na Rússia de hoje, o poder e a liderança estão centralizados na imagem de Putin. Sua experiência como espião se mostrou útil no novo regime pós-Soviético. Seu período de formação ocorreu com a queda do muro de Berlim na época em que ainda vivia na Alemanha Oriental, trabalhando na Central de Operações da KGB, em Dresden, e nos últimos momentos da Guerra Fria, o que culminou em duas fortes características do seu governo: seu receio por levantes populares e pelo vácuo de poder que surgiu com o colapso da União Soviética.

A exemplo de sua primeira característica marcante, entre 2011 e 2013, houve uma série de protestos na Rússia, que seguiu o contexto dos países vizinhos e o contexto da Primavera Árabe, pedindo eleições mais limpas e transparentes através de reformas democráticas, tendo sido um dos maiores protestos ocorridos no país desde 1990. Com isso, Putin observou a opinião pública se inclinando a favor de mudanças, com a derrocada de líderes autocráticos em outros países, trazendo à tona as lembranças de 1989. Para ele, esses movimentos populares serviriam como porta de entrada dos governos do Ocidente na Rússia. Para conter tal “invasão”, decidiu adotar uma política aparentemente um pouco mais liberal, ao defender a descentralização de poder nas regiões russas e utilizava a palavra “reforma” em quaisquer dos seus discursos políticos.

O resultado foi fugaz: rapidamente obteve novamente o controle da situação e resolveu por abandonar esta estratégia, que descaracterizava completamente sua ideologia, inflada com nacionalismo e poderio militar. Esperemos para ver quais serão os novos (ou nem tão novos assim) desdobramentos políticos para os próximos 06 anos de governo Putin.

Cursos Regulares Extensivos: Matrículas abertas!

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Olá, CACDista!

Como anda a sua preparação para o CACD? Se você tem interesse em começar os estudos agora ou visa à consolidação do conhecimento que já vem adquirindo para concurso, esta mensagem é para você: 

Os cursos regulares do Sapientia estão com MATRÍCULAS ABERTAS!

São eles:

Curso Regular Extensivo (CRE): base de qualquer preparação. Voltado principalmente para o público iniciante. Também pode ser indicado para alunos de nível intermediário, que necessitem de reforço em alguma disciplina.

Curso de Resolução de Questões (CRQ): aplicação do conteúdo do regular em exercícios objetivos, focando a preparação para a primeira fase do concurso. Fortemente indicado para o público intermediário. Pode ser indicado para alunos iniciantes, desde que estejam cursando paralelamente um curso extensivo.

Curso Regular de Línguas Estrangeiras (CRLE): não basta saber os idiomas para comunicar-se numa viagem: a prova do CACD exige um alto nível de conhecimento das línguas inglesa, francesa e espanhola. Indicado para o público intermediário e avançado, já que os professores do curso pressupõem que o candidato já tenha conhecimento básico consolidado das línguas estrangeiras a serem trabalhadas nas aulas e nos simulados.

Nível de preparação

CRE CRQ CRLE

Iniciante

X X

não indicado

Intermediário X X

X

Avançado não indicado X

X

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